Garota mascarada

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— Marinette! Filha, você está aí? — Sabine gritou do andar de baixo, fazendo a azulada despertar de seu transe e retornar ao presente. A menina saiu da varanda e desceu as escadas para falar com a mãe, mas antes voltou o olhar para as paredes do quarto nas quais, há dois meses, estavam incontáveis fotos de Adrien.

Não muito longe dali, o modelo ainda encarava a manhã parisiense da janela de seu quarto e, embora fosse doloroso, tentava lembrar os detalhes daquela discussão que teve com o pai. Observando as nuvens cinzas, percebeu que uma chuva fina começava a cair e, enquanto olhava as primeiras gotas molharem o vidro, se permitiu voltar, mais uma vez, para aquele dia marcante.

***

Há dois meses:

Gabriel encarou o semblante apavorado do filho, mas tentou não se sensibilizar com aquilo. "Eu tomei a decisão certa, um dia ele vai entender", pensou e começou a caminhar até o escritório. Mas, para sua surpresa, o garoto não aceitou aquelas palavras em silêncio.

— O quê? Como assim não vou mais para a escola? Ficou louco? — Adrien gritou sem pensar, mas, quando seu pai se virou, arrependeu-se na hora. Ao encarar a expressão séria de Gabriel, o modelo sentiu que ficaria de castigo pelo resto da vida.

— O que foi que você disse? — O garoto não respondeu a pergunta, sabia muito bem que o homem havia escutado. Adrien lembrou que, há alguns meses, o pai também o proibiu de voltar ao colégio após descobrir que ele havia perdido um livro importante. Mas depois Gabriel voltou atrás e o garoto pôde ir para escola. Por isso, o modelo não conseguia acreditar que o pai estava fazendo a mesma coisa novamente e, o pior, por um motivo que nem fazia sentido.

— Você não está falando sério, está? Voltar a estudar em casa? Ah, mas eu não vou mesmo! — Disse impulsivamente de novo e ficou surpreso quando seu pai, ao invés de dar uma resposta para aquilo, se aproximou lentamente. Mas essa atitude o deixou apavorado. O olhar sombrio de Gabriel parecia condená-lo de todas as formas possíveis. E a expressão do garoto, que antes era de raiva, foi se tornando de pavor à medida que o homem se aproximava.

— Você acha que tem escolha? Já está decidido, Adrien. Um dia você vai me agradecer. — O homem falou e começou a caminhar até o escritório novamente, deixando o garoto furioso, pois este achava que aquilo era muito injusto.

— Agradecer pelo quê? Por me deixar preso aqui? Quero ver me impedir de fugir de novo. — O loiro disse baixo, imaginando que o pai não tinha escutado. Mas, quando Gabriel parou de andar e olhou para o tablet, o menino percebeu que tinha se enganado.

— Já pode ir para o quarto. — O designer de moda falou em um tom de ordem e Adrien subiu as escadas com o sangue fervendo.

Chegando ao local, bateu a porta com toda a força e pensou em fugir novamente para esfriar a cabeça, mas, se seu pai descobrisse, aí sim é que ficaria trancado ali para sempre. Passou as mãos nervosamente pelos cabelos loiros e jogou-se na cama. Usando o travesseiro para abafar o grito de raiva guardado, ele sentia o sentimento tomar conta de seu corpo em uma velocidade inesperada. Exausto, o que mais queria era dormir até o dia em que conseguisse sua tão sonhada liberdade.

Plagg encarou o menino, sabia que o relacionamento dele com o pai era complicado. Pensou em fazer alguma piadinha para fazê-lo se acalmar ou questionar como o garoto conseguiria salvar Paris com Gabriel o vigiando na maior parte do tempo. Além disso, ele tinha que falar com o dono pelo menos sobre a atitude dele mais cedo, quando se transformou e o impediu de contar o que tinha descoberto sobre o poema de Marinette. Mas, ao olhar a expressão cansada do loiro, notou que não era um bom momento para falar sobre as cartas de amor da menina ou sobre a discussão que ocorreu há poucos minutos. Percebeu que o garoto estava exausto e que precisava de um tempo sozinho para acalmar os pensamentos. Portanto, o kwami apenas continuou  em silêncio, comendo o camembert que segurava no outro lado do quarto. "Por isso é que gosto de queijos, com eles não tenho esse tipo de problema", pensou.

Depois Daquele AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora