Conversa entre amigos

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Estou nos meus preparativos para a viagem pro Canadá, Josh me garantiu que esta época não faz muito frio, mas é melhor prevenir do que remediar, então coloco umas quatro mudas de roupa de frio na minha bagagem. Lamar e Belinha lavavam o nosso mais novo investimento, um carro, era a primeira vez em anos que tínhamos um veículo próprio e não alugado, e meus irmãos estavam fazendo questão de lavar cada pedaço do bendito carro.

Meu celular toca, vejo o nome de Samuel acender a tela.

- Oi-Atendo.

- Any?- Ele diz e percebo sua voz de choro- Você pode me encontrar? Eu realmente preciso de ajuda.

- Samuel, você bebeu?- Pergunto.

- Talvez um pouco- Ele responde e dá uma risada triste- Eu briguei feio com meu pai Any, e eu preciso de alguém pra desabafar, por favor.

- Tudo bem, me passa sua localização.

[...]

Eu não conhecia aquela cafeteria, apesar de ser próxima a minha casa, eu e Samuel estamos sentados num dos assentos almofadados num canto enquanto ele bebe um café bem forte pra ver se diminui o álcool no corpo.

- Você não imagina como é crescer sabendo que seu pai não gosta de você- Samuel diz seco.

- Por quê você diz isso?- Pergunto, pelo que vi na festa Ottor é um bom pai.

-Eu tenho uma irmã Any, uma irmã mais nova, filha de uma das traições do meu pai. Ele nunca amou minha mãe realmente, e então, quando conheceu aquela mulher, a mãe da minha irmã, ele simplesmente nos abandonou como família, ainda nos sustentava e mantinha nosso padrão de vida. Mas o amor de pai e marido não existia mais, todo o amor dele era pra amante. Minha mãe entrou em uma tristeza profunda e se jogou da nossa cobertura. Eu tinha 4 anos, não entendia muito da vida, fui criado pela minha avó materna, ela me contou tudo, contou que meu pai tinha feito aquilo com a minha mãe, que ela tinha se matado por tristeza. Minha vó morreu quando eu tinha 11 anos e então eu voltei pra tutela do meu pai. Ele estava obcecado Any, a tal amante tinha tido uma filha, a qual ele chamava de Helena, e essa mulher percebeu como meu pai era doentio e fugiu com a garota bastarda. E ele procura por ela até hoje. Meu pai fez coisas terríveis em busca dessa garota. Ele sempre me diz que sou um inútil e que com certeza, Helena irá orgulha-lo, que quando ele encontra-la serão uma família feliz. Any, eu não aguento mais!

Fico chocada com tudo que Samuel despeja sobre mim, eu não posso imaginar o quão triste deve ser crescer assim.

-Olha- Digo segurando sua mão tentando lhe passar conforto- O seu pai um dia vai perceber que ele não precisa procurar a filha perfeita, ele já tem um ótimo filho ao lado dele Samuel.

- Se fosse tão fácil- Samuel ri.

- Any?- Vejo Sina entrar acompanhada de Noah na cafeteria- Samuel, que surpresa.

Noah somente nos encara sem entender nada.

- Any, que bom que eu te achei, você pode vir rapidinho comigo no banheiro? Coisa de meninas- Sina diz para Noah, que se senta em uma mesa qualquer mas não junto a Samuel e pega o cardápio.

Sina segura minha mão e me puxa para o banheiro.

- O que diabos você tá fazendo aqui Any? E com ele? Você sabe que Josh não vai com a cara dele não é?

- Sina, primeiro, Josh tem que entender que não é porquê ele não vai com a cara de alguém que eu vou parar de falar com essa pessoa, afinal Josh não comanda meu círculo de amizades. E segundo, Samuel esta passando por um momento difícil e pediu minha ajuda, ele precisava desabafar- Respondo.

- Mas logo com você? Com tantas pessoas por aí? Até mesmo Sabina que é mais próxima dele, eles se pegaram outro dia- Sina diz duvidosa.

- Olha Sina, eu não...

Sou interrompida pelo meu celular tocando, vejo o número de Sofya chamar.

- Any?!- Ela diz com a voz trêmula.

- Sofy, aconteceu algo?- Pergunto alerta, Sina já fica aflita.

- Onde você tá? Por favor vem pra casa- Ela choraminga.

- Sofy o que tá acontecendo- Pergunto toda trêmula.

- O Lamar, ele foi atropelado.

Não sei quão rápido as coisas aconteceram, mas quando me dou conta já me despedi de Samuel e estou no carro de Sina junto com ela e Noah

[...]

- Só foram alguns arranhões, eu já disse- Lamar diz enquanto mamãe checa mais uma vez se o seu travesseiro está fofo o suficiente.

Nós acabamos de voltar do hospital e a única coisa que Lamar conseguiu foi escoriações e hematomas.

- Foi tão derrepente- Sofya diz- Belinha estava atravessando a rua com a Laura quando aquele carro veio, tão estranho, ao invés de frear ele acelerou quando chegou perto delas.

- E o Lamar como herói que é, se jogou na frente do carro por nós- Tia Laura diz ainda acariciando a cabeça do meu irmão.

- Mas não é possível que ninguém saiba nada desse motorista,  como ele pode ter fugido sem prestar socorro- Úrsula diz indignada.

- Aquele carro parecia tanto com o do senhor que veio perguntar sobre o pai do Josh- Belinha diz.

- Que senhor?- Úrsula pergunta.

- Não viaja Belinha, não liguem pro que ela diz- Eu digo, Belinha e sua mania de supor coisas.

- Any, eu posso falar com você?- Josh me pede e saímos do alvoroço de pessoas que estavam no quarto de Lamar e vamos para o corredor.

- Any, eu acho melhor não irmos pro Canadá- Ele diz.

- Mas nós já combinamos tudo, já até recebemos as passagens.

- Any, eu não sei o que acontecendo, mas eu tenho medo. A sombra na janela do seu quarto, o veneno na comida da Huanita, e agora esse atropelamento, e se alguém está tentando nos machucar? É melhor ficarmos todos juntos, fica mais fácil pra nos protegermos.

- Josh, por favor, isso é tudo pura coincidência. Qual motivo alguém teria pra tentar nos machucar?

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Capítulo curtinho só pra vocês não me matarem, não tive muito tempo pra escrever hoje e talvez não escreva amanhã, mas garanto que recompenso da próxima vez.

Bjos e desculpinha desde já 😚

I think it's loveHistórias para pegar e não largar. Descubra agora