Inglaterra, 1839.
George Berryann estava apaixonado. Não demorou sequer dois minutos completos até descobrir tal fato.
E a sensação era boa. Muito boa. Não conseguia explicar em palavras - mesmo que fosse ótimo com elas -, mas seu corpo alertava, simplesmente sabia que era amor. Agora, enfim, ele entendia o que a mãe tanto gostava de falar e suspirar sobre.
Já tinha escutado a história de amor dos seus pais várias vezes, no entanto, de alguma forma, sempre havia um novo detalhe a ser analisado, uma nova cena a ser ouvida com mais atenção. E sua mãe, Lady Berryann, adorava encher o filho de expectativas quanto ao amor.
Era uma história linda, de fato. Pelo menos a deles, sim. Apesar do final trágico, no qual o pai morre no auge dos seus quarenta e um anos, sabia que a mãe fora amada. Por dez longos anos, sentiu-se completa. E desse casamento, nasceu George Berryann - o mais velho - e Joshua Berryann - que havia iniciado seus estudos em Cambridge apenas naquele ano.
Mary Berryann gostaria de ter gerado mais filhos, uma menina ao menos. Porém, conforme as diversas tentativas frustradas, ficou claro que ela tinha problemas para engravidar. Com dois anos e meio de casamento, não tinha gerado nenhum herdeiro ainda. Isso a deixara tão preocupada. Queria proporcionar mais essa alegria ao seu amado marido e temeu que não conseguiria.
Então, no final daquele mesmo ano, descobriu estar grávida. Fora uma felicidade, ela conta. Todo o cuidado fora pouco para impedir que Lady Berryann sofresse um aborto espontâneo, mas, no final das contas, George estava em seus braços. E o mundo era ainda mais colorido agora - como se pudesse ser possível.
Cinco anos depois, Joshua nasceu. E em dois, Lorde Berryann morreu durante o sono, pela madrugada. Dizem que fora uma morte tranquila, e era nisso que George preferia acreditar.
Então, com mais idade, George pediu para saber mais sobre o pai. Foi quando ela contou, dentre várias outras coisas, a história de amor deles.
Era uma história muito bonita, do ponto de vista do rapaz. E apesar da fama de libertino construída no decorrer dos anos seguintes a sua juventude, ele nunca se mostrou divergente a ideia do casamento, ou do amor.
Estava pronto para quando o encontrasse.
E lá estava ele, diante desse sentimento que fazia seu coração bater forte contra o peito e o ar se tornar escasso.
Do outro lado do salão de baile, perto da mesa de petiscos, encontrava-se a culpada por esse sentimento de torpor.
George não a conhecia, mas estava disposto a ir até lá e se apresentar. A jovem de cabelos louros e olhar brilhante - cuja cor não conseguia identificar precisamente de onde residia - observava os casais dispersos no salão, balançando seus corpos conforme pedia a corte e a música.
E antes que se desse conta, começou a se aproximar. Seus passos eram determinados, vívidos, pareciam acompanhar as batidas do seu coração. Logo, cruzou o salão sem esbarrar em muitas pessoas ou causar tanto alarde.
Ele sentia a respiração mais profunda. Não sabia exatamente o que diria, mas, diante da mulher que despertara esse sentimento, sabia que conseguiria pensar em algo.
Afinal, em sua mente, ela estava destinada a ficar com ele. Seu par perfeito. Sua alma gêmea. Com certeza, sentiria o mesmo quando o avistasse.
George estava a poucos passos de distância, então, por um breve segundo, ele desceu o olhar do seu rosto até encontrar as suas delicadas mãos pousadas sobre o tecido do vestido e...
Um anel de compromisso.
Senhor Berryann sentiu o chão sob seus pés tremer. O mundo parou.
Não podia ser verdade.
Aquela dama, aquela que achou ser destinada a amá-lo, era casada? Seu sonho seria destruído em apenas alguns minutos?
Seus passos vacilaram, tornaram-se cautelosos. Ele precisava confirmar, apesar de tudo.
Aproximou-se mais um pouco, não sabia como conseguiria abordá-la depois desse soco no estômago.
Contudo, sequer fora preciso tomar atitudes. A verdade mostrou-se por conta própria.
Pois segundos depois, um rapaz se aproximou da bela dama. George prontamente o reconheceu.
Aquele era Conde James Hendeston, que havia herdado recentemente o título e terras no condado de Kent. A mãe comentara recentemente que o rapaz havia se casado. Na época, George não deu atenção.
Até agora.
George observou o Conde tirar sua esposa para dançar e, ainda em choque e carregado de decepção, acompanhou-os com o olhar, pouco preocupando-se com o que os fofoqueiros poderiam pensar. Ele simplesmente não conseguia mover os pés, e quando a música recomeçou a soar pelo salão, ele percebeu que estava no centro, sozinho, sem rumo.
E tudo apenas piorou no decorrer dos dias, pois o Conde e sua esposa, cujo nome descobrirá ser Elizabeth, pareceram muito inclinados a aparecer em todos os eventos que Lady Berryann o obrigava a ir.
🌼
Bom, o capítulo ficou curtinho porque é apenas o prólogo. Mas prometo que os próximos serão maiores!
Então, me digam: o que vocês acharam? Gostaram? Espero que sim!!
Beijinhos e até o próximo capítulo 💘
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Pelo amor de um Visconde
Fiksi SejarahInglaterra, 1842. Uma nova temporada havia começado, os humores estavam renovados e as expectativas, altas. Vestidos, fitas, laços, todo o tipo de adorno era comprado com o propósito de inovar, encantar, atrair e, principalmente, conquistar. Mães co...