Qualquer um que prestasse um pouco mais de atenção era capaz de perceber o modo que ele olhava pra ela.
Desde o momento em que a viu pela primeira vez, ele soube que não teria olhos para mais ninguém.
Seus olhos eram azuis como o oceano, mas o seu b...
Era inverno em Anvolea, as belas paisagens, ao seu ver, agora estavam mais belas ainda cobertas pela cama de neve branca e os flocos que pendiam nos galhos das arvores como pequenas flores congeladas. O frio não lhe incomodava, mas ver seu pai naquele estado em sua cama lutando para se aquecer o fazia desejar que estivessem nos dias mais amenos de primavera, quem sabe assim teriam mais tempo. Gilbert sabia que o estado de seu pai não estaba ficando melhor, muito pelo contrário, a cada dia havia menos que pudesse ser feito.
Havia perdido o primeiro dia de aula, mas por insistência de seu pai, se aprontou para ir á escola na manhã seguinte. No caminho entre as árvores pôde ouvir vozes a sua frente, uma delas, masculina, era familiar, mas e a outra voz de quem seria? Apressou o passo ao perceber o desespero na voz da garota que falava com Billy Andrews.
- Billy! - chamou Gilbert, tentando conter a irritação na sua voz.
- Gilbert, meu amigo, que bom que voltou.
- O que está fazendo? Vamos logo ou iremos nos atrasar.
- Sim, claro. Estava apenas conversando com a garota nova. - respondeu olhando para a ruiva a frente dos dois.
Billy continuou o caminho em passos lentos olhando para trás até desistir de esperar pelo amigo.
Blythe olhou para a garota e percebeu que estava assutada, sabia que o idiota do garoto devia ter a ameaçado. Não pode deixar de observar as pequenas sardas que cobriam seu rosto e boca de labios carnudos semiaberta devido a sua respiração pesada no momento. Mas ao encontrar seus grandes olhos azuis sentiu como se o tempo tivesse congelado por um instante e desviou o olhar com esforço, ao perceber com certo embaraço que devia estar parecendo um idiota a encarando.
- Me chamo Gilbert Blythe. - disse dando um pequeno sorriso. Viu que ela estremeceu de leve ao ouvir seu nome e nada disse.
- Mais algum dragão do qual posso salvá-la? - continuou, mas a garota havia saindo andando sem olhar pra ele.
- De nada!! Não vai ao menos dizer seu nome? - gritou.
Vendo que de nada adiantava , a ruiva parecia determinada a ignorá- lo, apenas seguiu o caminho até a escola andando atrás dela. Assim que chegaram todos ja haviam entrado, ele correu a sua frente e abriu a porta para que ela passasse.
- Não vai mesmo me dizer seu nome? - disse suavemente enquanto tiravam os casacos na soleira.
Ele sorriu. Agora sabia seu nome, embora quisesse tê- la ouvido falar. Ficou observando ela ir até suas amigas, e de repente se viu no meio de um círculo de garotos gritando seu nome.
- Hey pessoal. Calma!
A porta foi aberta novamete e o professor entrou na sala de aula se dirigindo a frente enquantos todos se sentavam em silêncio.
- Parece que o menino prodígio voltou. - disse o mais velho num tom que deixava espaço para respostas.
Durante toda a aula, o moreno não conseguia evitar olhar para a fileira onde Anne estava sentada. E quando ela começou a ler a pedido do professor, ele pode ouvir a sua voz doce e marcante, ela lia e parecia dar vida as palavras que saiam de sua boca.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Quando chegou a hora do intervalo e todos sentaram com seus grupos para comer e dividir seus lanches, ele viu Anne se separar das amigas e ir para fora. Esperou alguns segundos e a seguiu.
O olhar que ela lhe deu ao perceber sua presença foi de absoluto terror.
- Está tudo bem? - perguntou ele.
Ela assentiu quase que imperceptivelmente olhando para a janela atrás deles. Gilbert arriscou olhar e percebeu Ruby com um olhar choroso os observando.
- Me espere ao final da aula e eu te acompanho até Green Gables. - E saiu sem esperar para ver a reação que causou na ruivinha.