Bruna Caron.
Mais um dia no meu inferno, não poderia nem mais rezar para sair um dia daquela cela, talvez nunca saísse e caso fizesse não seria nunca mais como antes. As paredes tão frias e o odor era simplesmente insurpotavel, meu estômago revirava somente com minha respiração, aquele lugar era repugnante, impossivel de se viver, mas ainda sim existia pessoas que eles colocavam como ratos aprisionados pronto para o abate, e uma dessas pessoas era eu. As vezes bate saudade, que saudade da minha adolescência, do meu tempo de escola, olho ao redor de onde estava sem ao sem menos acreditar no que estava vendo, realmente, minha vida mudou muito.
Estava encolhida por inteira no colchão que ficava no chão, com apenas um lençol fino por cima da capa que cobria ele, não passava nenhum conforto — algo que com certeza foi proposital.
Um dos guardas daquele lugar aparece, ele olha para dentro do cômodo vazio, mas sua atenção vai diretamente para mim mesmo que não olhasse em seus olhos.
— Seu advogado está aqui — ergo meu olhar até ele após escutar, seu tom era tão frio e indiferente, mas também não me deixo abalar por isso.
Me levanto da cama saindo da cela, o guarda me guia até a sala de visitas que estava bem cheia, paro em frente do portão de entrada que se abre me dando a visão do meu advogado, — que propositalmente nem eu sei o nome — caminho até ele e me sento na cadeira que tinha na sua frente.
— Srt. Caron eu consegui adiantar seu julgamento — um sorriso aleatório brota no meu rosto mesmo que leve — amanhã de manhã as 8hrs da manhã eles vem te buscar, você vai dizer somente o que me contou, nada deve ser adicionado ou esquecido. Acredite, isso é para o seu próprio bem.
— Tudo bem — por mais que não estivesse.
— Está tudo bem? Tem que se manter calma — indagou o homem a minha frente, corri meus olhos pela sua expressão vendo que ele parecia preocupado.
Não respondo, apenas me levanto e dou as costas pedindo para voltar a minha cela, não me importava sequer se o homem me chamasse. Só não aguentava mais aquilo, assim que cheguei na jaula sentir meus olhos se cansarem me fazendo ir dormir.
Quando acordo olho para a pequena janela daquele lugar percebendo que já estava escurendo, vejo uma policial que aparentava ser um pouco mais velha que eu, ela entrega uma marmita saindo em seguida. Engulo em seco, pego ela rapidamente puxando o talher descartável para comer, sentia como se minha fome fosse acabar nunca.
Após acabar me deito na cama novamente, lembro de algumas coisas que eu passei antes de chegar aqui e me arrepio inteira, deito na cama, questão de segundos dormir novamente. O sono tem vindo com tamanha frequência para mim, não sei se é porquê tenho dormido mal, ou então pelo meu psicológico que pode ter desenvolvido isso com o tempo.
Mas tudo que é bom dura pouco, e mesmo com um sono insurpotavel escutei logo cedo um carcereiro me chamar, eu deveria me arrumar para ir ao julgamento.
Não sei como nesse buraco.
Tomo um banho e graças ao bom Deus o banheiro estava vazio, escovo os dentes, depois meus cabelos molhados fazendo um rabo de cavalo, visto uma roupa horrível que eles dão para que fossemos apresentavelmente ao julgamento. Incrível a forma que eles fazem isso para nos sentirmos melhor, após seguir para a morte.
[...]
Entro dentro de um camburão, logo em seguida entra uns 4 políciais no carro armado até os dentes, dois homens e duas mulheres, o carro começa a correr e única coisa que posso fazer é encostar minha cabeça inclinando para trás esperando chegar. Logo o carro para e ouço várias pessoas, ele abre dando a visão de guardas militares, era uma multidão a minha volta, algo assustador.
Eram repórteres, pessoas normais, estavam querendo meu sangue, não julgo, mas não vou dizer que me sentia bem ali.
O que eu senti ali? Tristeza, mesmo não transparecendo. Entramos no prédio com uma certa dificuldade, encontro meu advogado de longe com os olhos, ele se aproxima para me guiar até uma sala, entro e dou de cara com o tribunal, me sento onde foi o indicado, o juiz entra, depois entra uns 7 repórteres. Olho em volta e vejo que lá estavam sentados as pessoas que eu amo, que segurou minha mão sempre, até agora.
— Estamos aqui para o julgamento de Bruna Caron...
Quando ele começou a falar sentir minhas mãos tremerem, suarem, e o meu coração a mil. Não é tão fácil quanto eu imaginei, infelizmente o consolo de meu advogado não foi o suficiente para isso, eu me sentia como se aquilo fosse o julgamento do céu e inferno.
— Nos conte Bruna Caron onde tudo começou — meus sentidos logo foi roubados pelo promotor.
— Tudo começou no meu aniversário de 17 anos... — minha voz sai baixa para mim, não podia abaixar a cabeça ali, mesmo que sentisse vontade. Sentir como se minha visão tremesse e umas lágrimas corressem pelo meu rosto logo limpando.
Com certeza hoje estava sendo o pior dia da minha vida, hoje era o dia em que eu teria que voltar no tempo pra lembrar onde tudo começou.
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A Condenada [REVISANDO]
Novela JuvenilSim. Eu estou aqui prestes a ser condenada pelos meus erros, pelos meus acertos, pelos meus amores do passado, a única condenada não será só eu, e sim, tudo e todos aqueles que estão ao meu redor! DESCRIÇÃO. Bruna Caron é uma mulher de 22 anos que...