Bruna narrando
Com o tempo a governanta da casa anunciou que o jantar estava pronto e fomos todos para cozinha, tudo estava muito bom graças a Deus, não demorou para que o jantar acabasse, felizmente ou infelizmente meu pai me levou ao jardim para conversar, eu do jeito que sou fui em um estalo de dedos. Estava tão ansiosa, mas ao mesmo tempo receosa, esse era o incrível resultado de não saber quase nada da vida de sua própria família, você nunca sabe o que deve esperar.
— Filha chegou a hora — olho para ele e sorrio — senta aí — apontou pro balanço e eu faço o que ele pediu — esse segredo que escondi por tanto tempo talvez você não goste, entendo isso, ninguem é obrigado a gostar dessa situação, mas tem que saber sua realidade. Na verdade eu não sou um empresário. — franzi meu cenho encarando os olhos dele — Bom... na verdade eu sou, mas...
— Fala pai, eu vou tá sempre do seu lado — ele pega em minha mão, apertei ela dando um sorriso tentando passar o maior conforto que podia. Mas no fundo, eu sentia meu coração bater na garganta.
— Eu... — Ele respira fundo — Eu trabalho com coisas ilegais, na verdade é e sempre foi nossa fonte de renda. Além de tudo, sou eu que comando e sou dono da maior parte — okay, cadê as câmeras da pegadinha? Eu não acredito nisso e não sou obrigada a acreditar — seu avô ele era o dono e a intenção era seu tio mais velho ficar com tudo, eu ficaria com alguns negócios de família, mas nem tudo foi como o planejado — fico paralisada com a informação tentando assimilar cada palavra dita — seu tio, ele — deu uma pausa engolindo em seco — ele foi morto em uma guerra contra um morro lá no Rio de Janeiro, desde aí eu tive que tomar o posto, você só tinha 7 anos e o Pietro tinha 10, eu nunca soube como contar para vocês, contei isso a Pietro quando ele tinha sua idade. Como esperado ele ficou contra mim, mas com o tempo ele entendeu que não era culpa minha e... — o interrompo.
— Ele foi trabalhar com você — vejo assentir com a cabeça — foi por isso que ele não foi pra faculdade que tanto queria. Foi por isso que ele se afastou, tudo por isso — sem que ao mesmo percebesse estava bem nervosa. Era muita informação de vez na minha cabeça.
— Não — me interrompe — não foi por isso, ele decidiu tudo, percebeu que ficar contra mim não ia adiantar nada — o encaro.
— Você não quer que eu me envolva nisso — ele mantém seus olhos no meu — né?
— Essa é uma decisão unicamente sua e eu não vou ficar contra você qualquer que seja a decisão — o homem se levanta e sai me deixando sozinha.
Ainda no balanço fico pensando, meu pai é um criminoso, quantas vidas ele já deve ter tirado? Quantas pessoas ele deve ter machucado? Foi por isto que ele deixou de ser presente desde que eu tinha 7 anos? Por isso que Pietro tem se afastado mais. Será que eu realmente tenho escolha?
Esse segredo de meu pai tinha respondido tantas perguntas que eu sempre me fiz. Na verdade mais ou menos, ainda não sabia o porque que minha mãe era tão fria comigo, mas isso não levava ao caso, naquele momento aquilo tinha se tornado tão irrelevante.
Entro dentro de casa e subo direto pro quarto da Luiza, esperava que aquilo só fosse um sonho qualquer para acordar, ela estava com a Alice olhando para o nada. Estavam sem expressão, como se tomassem choque.
— O que foi? — elas me encaram.
— Você sabia que nossos pais eram mafiosos? — Alice me olha com os olhos marejados.
— Soube agora — respondo sentando-me na cama — então quer dizer que...
— Sim, nossos pais também estão no meio — Luiza toma a voz encarando o chão, ela de nós ainda era a mais séria — são como uma espécie de braço direito do seu pai.
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A Condenada [REVISANDO]
Genç KurguSim. Eu estou aqui prestes a ser condenada pelos meus erros, pelos meus acertos, pelos meus amores do passado, a única condenada não será só eu, e sim, tudo e todos aqueles que estão ao meu redor! DESCRIÇÃO. Bruna Caron é uma mulher de 22 anos que...