Arte

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Às vezes o que penso
É tão denso que me deito no papel
E pinto com arte
Misturada em minha face

Tinturas e cores que brilham
No tom dos meus olhos
Que se perdem no desenho
Borrado e delineado em minha frente.

Ando de um lado para o outro
Deixando o rastro no piso fosco,
Andar sozinha na tintura
Livre de roupas, tecidos e costuras.

Silhueta nua, envolta de poemas
Suspiros dispersos pelo ambiente.
A sombra na folha molhada
Traça o delírio feliz

De um corpo puro e vivo

Tão vivo quanto o pulsar
De meu coração por dentro,
Tão leve quanto o ar
Que sobe e desce o peito,

Tão forte e fugaz
Quanto as pernas que me seguram.

E o peso me mantém sob a gravidade
Da existência humana
E da virilidade que se assanha

Nascente de um rio
Melado, doce e febril
Ao ver um traço, dois braços
A envolver minha alma...

Às vezes meu pensamento
É tão denso que nem entendo
Como posso gozar e deliciar
O meu próprio sexo,

Afrontar os lábios molhados
De desejos e segredos
Banhados na insanidade...

Plumas & Versos - Suave e ArdenteOnde histórias criam vida. Descubra agora