Capítulo 2 - Fim do Começo

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Christian

Estou trancado no meu quarto pensando o que vai ser da minha vida agora, ou melhor, das nossas vidas, minha e dos meus irmãos. Hoje é o pior dia de nossas vidas e tenho que ser forte por eles.

Tanta coisa aconteceu desde os meus quinze anos quando recebi a melhor notícia da minha vida, meus irmãos deram outro sentido aos meus dias e hoje eles estão com doze anos. Claro que fiz de tudo pra ser o melhor irmão pra eles e agora terei que ser mais que um irmão, terei que ser pai, mãe e tudo o mais que eles precisarem. tudo aconteceu quando Taylor entrou na minha sala e falou de tudo o que aconteceu e tivemos que lidar com tudo isso da melhor maneira possível. 

- senhor Grey. – Taylor entra na minha sala chamando minha atenção.

- Pode falar Taylor. – respondi percebendo depois anos um tom diferente na voz do meu segurança.

- senhor Grey, seus pais sofreram um grave acidente de carro. – o senhor terá que ser forte porque eles não resistiram. – ele diz e vejo sua voz embargar e falhar, sinal de que jamais se trataria de uma brincadeira.

- Taylor isso não pode ser verdade? – eu não posso ficar sem meus pais, Eliot e Mia também não. – falei sentindo os olhos arderem e o pensamento voou direto para os meus irmãos.

- como isso aconteceu Taylor? – perguntei ainda sem acreditar.

- O que me passaram é que um carro furou o sinal vermelho em alta velocidade e jogou o carro do seu pai contra um muro de contenção prendendo os dois nas ferragens e provocando os ferimentos que ocasionaram a morte deles. Já coloquei meus homens para iniciar uma investigação e acompanhar todo o trabalho da policia e dos peritos. O homem que provocou o acidente também está morto, então não teremos um culpado para prender.

Pedi a Taylor pra sair um pouco e voltei a pensar nos meus irmãos, apesar da dor que estava me dilacerando naquele momento eu tinha que suportar por eles. Fiquei alguns minutos sozinho em minha sala, deixei as lágrimas rolarem por um momento, não sabia ainda o que fazer ou como agir numa situação dessas. Pra mim isso é uma inversão total da ordem cronológica das coisas, meus pais deveriam ficar velhinhos, ver seus filhos crescerem e lhes dar netos, enterrar seus pais e só então morrerem.

No entanto, eles foram tirados de nós prematuramente deixando seus pais e filhos desolados. Eu tenho que agir. Vou buscar meus irmãos no colégio e depois de contar pra eles, vou ter que falar com meus avós.

Chamo Taylor e seguimos em direção à escola dos meus irmãos. No caminho recebo uma ligação da coordenadora da escola dizendo que o pai de algum dos colegas de Eliot viu a reportagem na TV e ligou pra o filho que contou pra eles. Mil vezes droga, eu queria ter contado pra eles, queria estar com eles para abraça-los e dizer a eles que tudo vai ficar bem, que eu serei o melhor pra eles.

- Taylor, vamos rápido que algum idiota contou pra os meus irmãos antes de nós. – falei e ele bateu no volante em sinal de frustração. No fundo eu sabia que ele também estava sofrendo. Taylor trabalha comigo há cinco anos, desde que fundei minha empresa e me tornei o maior CEO da cidade de Seattle. Eu confiaria a ele minha vida e da minha família de olhos fechados.

Chegamos à escola e assim que entrei Mia correu ao meu encontro e peguei minha irmãzinha no colo, abracei os dois o mais forte que pude na tentativa de arrancar deles e de mim toda essa dor. Ei iria me permitir sofrer com meus irmãos pelo menos naquele momento. Eles precisavam saber que a dor era nossa, de nós três. Levei os dois para o meu apartamento e fiquei com eles até conseguir faze-los dormir. Eles tinham um quarto pronto pra eles e tê-los morando aqui não seria um problema. Deixei os dois com minha governanta Gail e fui ver meus avós enquanto Taylor e Ross se encarregaram do funeral. Contar pra eles que perderam seus filhos foi a pior coisa que tive que fazer na minha vida, minhas avós passaram mal quando falei e o vovô Theo também. Acabei levando eles também para o meu apartamento e mandei Taylor providenciar duas enfermeiras para o caso deles passarem mal outra vez. Patrick é avisado, mas diz que não poderá ir ao funeral. Eu prefiro assim, nunca gostei dele.

Dois dias depois...

Esses dois dias foram um verdadeiro caos. Meus irmãos estão inconsoláveis, Mia mais que Eliot e eu. Meu irmãozinho tem tentado ao máximo se segurar e ser forte, contudo, sei que ele está sofrendo igual ou mais que nós.

A vida parece tão injusta nesses momentos, ver meus avós enterrando seus filhos naquele mausoléu me fez enxergar tantas coisas, principalmente a fragilidade da vida. Hoje eu tenho vinte e oito anos e tudo o que eu mais queria era ser criança de novo pra poder deitar a cabeça no colo da minha mãe e somente chorar. Chorar pelo joelho ralado, pelo brinquedo que estragou, pelo que perdi e que não terei mais...

Olho pra os meus irmãos sentados de mãos dadas nesse sofá e sei que minha dor não pode ser comparada à deles. São apenas crianças, perderam seus pais e a injustiça do destino me parece ter sido bem mais cruel com eles. Uma vida inteira não é suficiente pra se ser amado por seus pais, doze anos apenas é tão pouco, parece ser um roteiro triste de um drama excessivamente doloroso. De uma coisa eu tenho certeza, farei de tudo pra que a vida deles seja a melhor possível. Eles agora são meus filhos e farei com que cresçam e sejam os filhos que os meus pais se orgulhariam de ter.

Minha vida daqui pra frente será voltada pra eles, as noitadas com Jack vão ter que parar. Só não vou virar celibatário porque aí já é pedir demais do gostosão aqui. Tenho certeza que meu amigo vai entender, ele ficou comigo esses dois dias e agora tá no sofá consolando meus irmãos. Não sei o que seria de mim se não fosse Jack e Taylor pra cuidar de tudo aqui em casa e de Ross pra assumir a minha empresa.

Vou tentar colocá-los pra dormir, já é tarde e eles precisam descansar. Avisei a Ross que essa semana não irei mais à empresa. Tenho umas coisas pra resolver sobre o testamento dos meus pais e depois vou levar meus irmãos e meus avós pra passarmos uns dias na casa de campo.

Meus avós decidiram ir pra suas casas e não consegui dissuadi-los da ideia. Consegui convencê-los a viajar comigo na semana seguinte depois da leitura do testamento. Sei que terei que ser mais presente na vida deles também.

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