Capítulo 6.

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Eu voltei, e agora é para ficar!

Música: If You Want Love - NF

Devaneios.

Era apenas nisso que a mente de Natasha focava quando a mais nova da família Maxi-Romanoff entrou em seus aposentos naquela noite. Em sua mente diversas deduções ''lógicas'' eram repassadas de forma repetitiva, na tentativa de explicar o que havia ocorrido naquele camarim. Estava sozinha, e depois não estava mais. Havia uma mulher, ela era loira. Explicar o que Natasha havia sentido ao ser tocada por aquela estranha que lhe era tão familiar.

Não haviam trocado uma só palavra. Natasha estava na parede. A mulher lhe beijava. Sentia tesão, desejo. Se afastaram. Natasha a mandou embora. Que porra havia acontecido?

No fundo de alma, Natasha sabia que a moça que a havia beijado não era uma desconhecida qualquer. Sentiu no encaixe de seus corpos o quanto haviam sida feitas uma para a outra. O sentimento de pertencimento que aterrorizava a loira era o mesmo que fazia tantas outras pessoas felizes.

Natasha tinha medo de amar, e acima de tudo, tinha medo de ser amada.

Havia em si tanto medo do amor, que a possibilidade de que poderia estar vivendo algo do tipo a fez paralisar sentada em sua cama. Mesmo sem nunca ter experimentado, a loira sabia que o amor era a força motriz da humanidade. Sabia que o sentimento envolvia corações e almas, os levando a tomar decisões que os marcariam para sempre. Pois o amor, diferentemente de qualquer outro sentimento, era impossível de ser apagado.

Conhecia o amor de seus pais, de seus irmãos, sobrinha e amigos, mas não conhecia o amor carnal. Natasha Maxi-Romanoff nunca havia se apaixonado. E embora muitas foram as que passaram por sua cama, nunca alguém havia feito a loira desejar mais do que uma noite. Natasha era uma virgem no amor. Conhecia o prazer físico, e por muito tempo aquilo lhe bastou, mas dentro do seu beijo com uma completa desconhecida, Natasha conheceu o prazer da alma.

E para bagunçar ainda mais a sua mente, a loira sentia que não conseguiria viver sem aquilo. Aquela sensação. Aquele toque. Aquela mulher.
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31 de outubro de 2019.

Samhain.

O ano novo bruxo.

Para os Eldianos o Samhain marcava o início do inverno. De acordo com a lenda, neste dia o véu que separa o mundo dos vivos e o mundo dos mortos encontra-se, possibilitando que os espíritos celtas ancestrais retornassem à terra para visitar seus familiares. O Halloween popularizado pelo americanos advém de ''All Hallow's Eve'', véspera do dia de todos os Santos, que ocorre no dia 01 de novembro de todos anos.

Samhain era também aniversário de Wanda, Steve e Natasha.

Natasha acordou em seu quarto completamente desnorteada. Imagens do desfile e do que havia acontecido no camarim surgiam em sua mente sem que a loira tivesse controle. E Natasha odiava perder o controle. Sentia-se de ressaca, e não havia colocado uma só gota de álcool em sua boca. Estava com ressaca sentimental.

Sentou-se em sua cama, colocando as mãos em sua cabeça, pedindo internamente para que a guerra que travava mentalmente se findasse. Não entendia como em menos de 24 horas seus sentimentos e pensamentos haviam ficado tão desordenados e rebeldes a ponto de deixá-la transtornada. Permaneceu nessa posição por alguns minutos, até que os toques leves em sua porta a despertaram.

- Posso entrar? - Maria pediu, de forma educada.

- Claro, bom dia. - a loira esboçou um meio sorriso nada convincente.

- Bom dia. - Maria disse, depositando um beijo no topo da cabeça da mais nova. - Como você se sente? Ontem parecia transtornada.

- Para lhe ser bem sincera, eu ainda estou transtornada. Eu não sei lhe explicar o que houve ali, Maria. Eu a vi, ela se aproximou e eu só precisei dela. Eu precisei dela mais do que jamais precisei de qualquer coisa na vida. E você bem sabe que eu não preciso de absolutamente ninguém. - Natasha falou, deitando no colo da amiga.

Inner Circle - Season IIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora