CAPÍTULO 9

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**MICAELA**

Acordei ainda meio atordoada pelos barulhos do lado de fora da porta do meu quarto.

Levantei sonolenta e caminhei até a porta do meu quarto a abrindo. De primeira não vi ninguém no corredor que se estendia a minha frente. Mas os barulhos não vinham do corredor como eu pensei, eles vinham do quarto do meu irmão.

Revirei os olhos. Deve ser só mais uma das pobres coitadas que são afim do meu irmão. Pelo menos foi isso que eu pensei antes de ouvir um urro de dor vindo de trás da sua porta, na verdade um não, mas dois.

~ Está doendo muito? - a voz do meu irmão ressoou pela porta. Cruzes eu preferiria nunca ter ouvido isso. Comecei a me afastar quando uma segunda voz disse:
~ Você sabe que sim, fottuto bastardo. Provavelmente o mesmo que está para você. - A voz de Jesus surgiu em seguida. Revirei os olhos de novo.

Ignorei o diálogo estranho dos dois e os xingamentos de Jesus, que mais uma vez está aqui em casa, pelo visto.

Jesus e Jonas se tornaram melhores amigos desde que se conheceram no reformatório. E essa amizade continuou depois que saímos de lá, apesar depois que saímos de St. Monica, Jonas e Jesus só conversavam por mensagem.

Eu e Jonas sempre morávamos aqui em Estes Park, mas Jesus não ele morava na Califórnia antes de entrar no St. Monica e acredito que voltou para lá assim que saiu. Mantivemos conversas diárias com ele desde então, na verdade tentamos manter conversar com os dois, ele e a Amber, mas bem... Sabemos que a Amber não estava tão disponível na época.

Jesus acabou nos fazendo uma surpresa quando apareceu na cidade, dizendo que havia se mudado com sua mãe, alguma coisa envolvendo o trabalho dela, na verdade. Mas isso é uma história que pode ser contada em outra hora.

Eu coloquei minha mão na maçaneta pronta para entrar, afinal eram apenas os dois, e não meu irmão com uma garota. Apesar de que não seria a primeira vez que eu pegaria os dois dividindo uma garota.

Pensar na imagem me fez torcer o nariz, era melhor eu entrar logo e acabar logo com isso.

Eu abri a porta sem muita cerimônia entrando pelo quarto de Jonas até que os encontrei deitados de bruços, Jesus no colchão no chão e o Jonas na cama, os dois sem camisas. As costas deles...

Acho que isso é algo que nunca vou conseguir me acostumar, não importa quanto tempo passe.

Aquelas horrorosas cicatrizes. Marcas.

Aquelas marcas horrorosas, elas dizem onde estivemos e o que passamos. Não sei se um dia conseguirei olhar para as costas dos dois sem me sentir culpada por parte das cicatrizes que carregam.

- As maritacas já pararam de tagarelar? - eu preguntei cruzando os braços, ficando na frente da cama e o colchão em que os dois estavam.

Jonas levantou de leve a cabeça do travesseiro e me encarou por cima dos ombros, com um olhar frigido e sofrido, depois voltou a colocar a cara no travesseiro. Jesus por outro lado nem sequer levantou a cabeça ou disse alguma coisa, na verdade ele até chegou a falar algo, mas eu não entendi direito porque ele não tirou nem a cara do travesseiro antes.

Isso é muito estranho, Jonas normalmente odeia que eu entre no quarto dele assim, de supetão. E Jesus normalmente odeia deixar uma zoação no ar assim.

- O que a de errado com vocês? - eu perguntei me sentando na beirada da cama do Jonas, colocando minha mão na sua perna. Tem alguma coisa errada com meu irmão e eu não gosto disso.

- Entramos inverno, Micaela - Jonas resmungou seguido de um gemido de dor quando fez uma tentativa falha de se levantar. Ah.

- Ah. - foi tudo que eu consegui dizer.

Os Segredos de Amber Lewis - 1ºLivroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora