Capitulo revisado [✔️]
A verdadeira lealdade leva anos para se construir
e apenas segundos para se destruir.
~Emily Thorne
**AMBER**
Antes...
— É a sua vez, principessa. — Jesus falou, chamando minha atenção de volta ao jogo de cartas à minha frente.
Ter Jesus aqui comigo trouxe mais do que discussões cansativas com Grayson, já que agora passo grande parte do tempo cuidando dos seus pontos e hematomas. Mas, nos nossos momentos mais profundos, consigo tirar algumas informações úteis dele.
Até agora, nada muito interessante: sei onde morava, algumas memórias que ele compartilhou comigo e algumas reflexões que ele faz quando estamos muito entediados. Coisas assim.
Sei também que Jesus recebe visitas regularmente, uma a cada duas semanas, pelo menos. Nunca perguntei quem vem vê-lo, e ele também nunca me disse. Mas, vez ou outra, já o vi voltando do bloco de visitação com os olhos vermelhos.
Aqui não acontece muita coisa e, quando acontece, normalmente é algo muito intenso. E nenhuma dessas vezes vi Jesus ficar emotivo, nenhuma sequer. Então não me sinto mal por estar curiosa para saber quem o deixa assim. Sei que não é da minha conta — e só por isso não pergunto —, mas, ainda assim, fico curiosa.
O lado bom das visitas misteriosas dele é que a pessoa que o visita traz presentinhos. Agora tenho livros, jornais, fotografias no canto da cela de Jesus. E o melhor de tudo: ele tem um baralho.
É claro que aqui no Saint Monica há uma sala de recreação, onde os detentos passam parte do dia, o pátio externo e a biblioteca. Mas estou tentando não sair muito do quarto à tarde com Jesus, principalmente depois da briga no refeitório. Meus pontos estão bons, mas Jesus é muito inquieto e acaba abrindo os próprios com uma facilidade incrível.
Não que eu saísse muito antes; sempre preferi ficar no meu quarto. Mas, com Jesus aqui, tudo mudou. Saímos algumas vezes, fingimos fazer vista grossa com os outros detentos — tudo para tentar enganar pessoas como Grayson.
— Sei sicuro di sapere come giocare a questo? (Tem certeza de que sabe jogar?) — perguntou Jesus, chamando minha atenção de novo. Revirei os olhos.
Ele tinha o maço de cartas em uma mão e um cigarro na outra.
Não sei como ele conseguiu aquilo, e também não sei por que o tem, já que, nesse tempo juntos, não o vi fumar muitas vezes. Apenas sei que há dias em que acordo já sentindo o cheiro da nicotina no quarto — e há dias em que não.
É — e não é — reconfortante sentir a brasa queimada nesses dias. De certa forma, a nicotina me lembra minha mãe.
Às vezes, pego um cigarro dele e imito o jeito que ela segurava, dou uma leve tragada para liberar aquela corrente de adrenalina do jeito que minha mãe me ensinava. Apenas pela adrenalina. Não pela nicotina.
— Stai zitto e guarda (Cale a boca e observe) — disse, baixando minhas cartas no chão. — Bati! — Jesus olhou desconfiado, verificando as cartas. Quando viu que realmente tinha perdido, jogou as cartas no chão, revoltado, o que me fez rir.
— Eu disse. Eu nunca perco. — Dei de ombros.
— É claro que você nunca perde, você rouba! — Ele acusou, apontando o cigarro para mim. Eu gargalhei, juntando as cartas para embaralhar de novo.
Puxei o que pensei ser mais uma carta debaixo da cama, mas o que veio à minha mão era uma fotografia. Ela devia ter caído da parede de Jesus. Era uma foto com um menininho e uma mulher muito nova. Que eu julguei ser Jesus e sua mãe, talvez. Devolvi a foto para ele.
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Os Segredos de Amber Lewis - 1ºLivro
Novela JuvenilVocê quer saber quem nós somos? Eu vou te dizer quem nós somos. Somos um grupo de assassinos. Somos uma gangue de metirosos. Somos uma alcateia de lobos traiçoeiros. Somos uma família de desajustados. O pior pesadelo daqueles que tem algo a perder...
