CAPÍTULO 3.5

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Capitulo revisado [✔️]

A verdadeira lealdade leva anos para se construir
e apenas segundos para se destruir.
~Emily Thorne

**AMBER**

Antes...

— É a sua vez, principessa. — Jesus falou, chamando minha atenção de volta ao jogo de cartas à minha frente.

Ter Jesus aqui comigo trouxe mais do que discussões cansativas com Grayson, já que agora passo grande parte do tempo cuidando dos seus pontos e hematomas. Mas, nos nossos momentos mais profundos, consigo tirar algumas informações úteis dele.

Até agora, nada muito interessante: sei onde morava, algumas memórias que ele compartilhou comigo e algumas reflexões que ele faz quando estamos muito entediados. Coisas assim.

Sei também que Jesus recebe visitas regularmente, uma a cada duas semanas, pelo menos. Nunca perguntei quem vem vê-lo, e ele também nunca me disse. Mas, vez ou outra, já o vi voltando do bloco de visitação com os olhos vermelhos.

Aqui não acontece muita coisa e, quando acontece, normalmente é algo muito intenso. E nenhuma dessas vezes vi Jesus ficar emotivo, nenhuma sequer. Então não me sinto mal por estar curiosa para saber quem o deixa assim. Sei que não é da minha conta — e só por isso não pergunto —, mas, ainda assim, fico curiosa.

O lado bom das visitas misteriosas dele é que a pessoa que o visita traz presentinhos. Agora tenho livros, jornais, fotografias no canto da cela de Jesus. E o melhor de tudo: ele tem um baralho.

É claro que aqui no Saint Monica há uma sala de recreação, onde os detentos passam parte do dia, o pátio externo e a biblioteca. Mas estou tentando não sair muito do quarto à tarde com Jesus, principalmente depois da briga no refeitório. Meus pontos estão bons, mas Jesus é muito inquieto e acaba abrindo os próprios com uma facilidade incrível.

Não que eu saísse muito antes; sempre preferi ficar no meu quarto. Mas, com Jesus aqui, tudo mudou. Saímos algumas vezes, fingimos fazer vista grossa com os outros detentos — tudo para tentar enganar pessoas como Grayson.

— Sei sicuro di sapere come giocare a questo? (Tem certeza de que sabe jogar?) — perguntou Jesus, chamando minha atenção de novo. Revirei os olhos.

Ele tinha o maço de cartas em uma mão e um cigarro na outra.

Não sei como ele conseguiu aquilo, e também não sei por que o tem, já que, nesse tempo juntos, não o vi fumar muitas vezes. Apenas sei que há dias em que acordo já sentindo o cheiro da nicotina no quarto — e há dias em que não.

É — e não é — reconfortante sentir a brasa queimada nesses dias. De certa forma, a nicotina me lembra minha mãe.

Às vezes, pego um cigarro dele e imito o jeito que ela segurava, dou uma leve tragada para liberar aquela corrente de adrenalina do jeito que minha mãe me ensinava. Apenas pela adrenalina. Não pela nicotina.

— Stai zitto e guarda (Cale a boca e observe) — disse, baixando minhas cartas no chão. — Bati! — Jesus olhou desconfiado, verificando as cartas. Quando viu que realmente tinha perdido, jogou as cartas no chão, revoltado, o que me fez rir.

— Eu disse. Eu nunca perco. — Dei de ombros.

— É claro que você nunca perde, você rouba! — Ele acusou, apontando o cigarro para mim. Eu gargalhei, juntando as cartas para embaralhar de novo.

Puxei o que pensei ser mais uma carta debaixo da cama, mas o que veio à minha mão era uma fotografia. Ela devia ter caído da parede de Jesus. Era uma foto com um menininho e uma mulher muito nova. Que eu julguei ser Jesus e sua mãe, talvez. Devolvi a foto para ele.

Os Segredos de Amber Lewis - 1ºLivroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora