CAPÍTULO 8.5

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**AMBER**

Meu tio. Meu tio. Meu tio. Meu tio.

Meu tio quer vir me ver, aqui. Eu não sei nem como reagir a isso. Meu tio.

Eu cheguei a vê-lo apenas uma vez, eu tinha 8 anos de idade e só o vi uma vez, por um dia.

Como ele me achou aqui, nesse buraco? E por que, por que ele quer me ver? Como ele pode querer ver alguém que só viu uma vez?

Será que ele estaria com a minha mãe?

Eu me afastei do guarda Thompson sem ligar se havia algo mais que o guarda gostaria de falar. Tantas coisas aconteceram hoje, tantas coisas ainda podem acontecer.

O que será que meu tio quer? Será que ele vai apenas esfregar na minha cara o quão ferrada estou? Ou talvez ele esteja aqui porque realmente se importa comigo e queira me ver.

Eu realmente não sei, e eu odiava isso. Odiava essa situação e odiava o que ela me causava, esperança.

Aqui qualquer tipo de esperança é um risco, ela pode te destruir em questões de minutos. A esperança preenche o vazio que há dentro de nós, nos preenche com sonhos e hipóteses do que pode acontecer. Mas quando a esperança é perdida o vazio que ela deixa, é muito maior do que foi preenchido, e muito mais profundo também.

Uma mão agarrando meu pulso me tirou dos pensamentos autodepreciativos que eu estava para ter, e me deu um puxão me jogando dentro de uma cela qualquer que estava com a porta aberta.

De alguma forma, com aquele puxão, eu acabei com uma mão tampando a minha boca e com as costas colada na parede com força o suficiente para me fazer fechar os olhos e arrancar todo o ar de meus pulmões. Por um instante senti meu coração batendo forte dentro de mim, um instante foi o suficiente.

Um segundo depois meus dedos se encontravam ao redor da mão posta na minha boca. O detento seja ele quem for retirou a mão como um vulto de perto de mim, gruindo. Eu abri meus olhos e me espantei com o que via.

- Grayson? - eu disse espantada enquanto Grayson levava a mão que eu mordi de volta para si.

Ele estava perigosamente perto de mim, e eu estava perigosamente sem um ponto de equilíbrio para tentar impedir ou agir sobre qualquer golpe dado por ele.

- Nunca pensei que você fosse do tipo que mordesse, amor. - ele me olhou maliciosamente ainda perto o suficiente para me manter presa entre ele e a parede.

- Pare de me chamar de amor. - eu rugi tentando empurrar seu corpo para longe para que eu pudesse passar, mas mesmo fazendo esforço não consegui empurrar seu peito um centímetro mais longe do que o meu.

- Por que, amor? Não gosta quando eu sou carinhoso? - ele ironizou novamente, me fazendo revirar os olhos.

Sinceramente, Grayson vai acabar perdendo um membro até o final do dia se continuar me importunando dessa forma.

Eu bati as mãos no seu peito zangada, mas tudo que Grayson fez foi afastar minhas mãos de seu peitoral e colou nossos corpos com força. A surpresa me fez recuar para trás, fazendo minhas costas se encontrarem com o concreto gelado da parede.

Ele tem sorte, muita sorte, de ser uma das poucas pessoas das quais não me importo com o toque. Caso contrário....

- Devo perguntar onde sua mente conturbada e diabólica quer chegar com essa conversa, Grayson? - questionei levantando minha cabeça para cima, evitando deixar meu rosto muito perto do seu quando ele se aproximou mais. Mas mesmo olhando para teto, eu sabia que as sobrancelhas de Grayson estavam levantas e ele estava com aquele sorriso sínico no rosto.

Os Segredos de Amber Lewis - 1ºLivroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora