CAPITULO 11

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Muitos humanos são monstruosos
e muitos monstros sabem se fazer de humanos
~ V. A. Vale

**AMBER**

Não sei a que ponto chegamos a isso, mas esse já é o terceiro sinal vermelho que ultrapassamos e o ponteiro do relógio da velocidade no painel do carro não para de subir.

- Amber, você sabe que sempre apoiei você sem pestanejar, de olhos vendados até! - ele exaltou tencionando as mãos envolta do volante - Mas, eu acho que eu preciso saber o motivo de já ter ultrapassado três sinais vermelhos e de ter tomado pelo menos uma multa de velocidade no carro da Micaela.

Ele está nervoso, eu posso ver isso. Eu acho que eu também estaria, se algum amigo maluco meu mandasse eu dirigir como um raio até um asilo no subúrbio da cidade sem me dizer nem uma palavra sobre isso.

- Estamos indo ver minha mãe. - eu respondi virando minha cabeça em sua direção.

Ele pareceu paralisar toda aquela corrente de nervosismo na mesma hora, ele afrouxou as mãos no volante quando voltou a me encarar. Seus olhos estavam arregalados, e eu sabia muito bem o que dúvidas eles traziam com eles.

- E-eu ouvi a primeira vez, mas achei que estava brincando. Ela- ela, achei que ela estivesse desaparecida, até mesmo morta. Como assim, estamos indo vê-la?

Para todos, a minha mãe tinha sumido depois que eu fui para o reformatório, e na verdade foi isso mesmo que aconteceu.

Mas eu não deixei essa ser a única explicação para o sumiço da minha mãe.

Não.

Eu procurei por ela, logo depois que sai do St. Monica, na verdade. E felizmente eu a achei, só não do jeito que eu esperava. Talvez isso servisse para meu bel prazer.

Minha mãe de longe era umas das pessoas que mais me feriu. Ela só perdia para eu mesma.

- Eu não consegui aceitar o fato dela ter simplesmente desaparecido, não depois de tudo. Resolvi procurar por ela, logo depois que eu fui embora. - eu comentei voltando a encarar a rua, que nenhum de nós dois estávamos olhando a um bom tempo, mesmo estando em um carro em movimento. Jesus vez o mesmo que eu.

Essa não era toda a verdade, mas era a que eu precisava ouvir.

Eu amava minha mãe, amava mesmo. Mas depois do reformatório tudo que eu queria era fazer ela sofre por tudo que tinha me causado. Mas quando eu a encontrei, entrei num buraco maior ainda do que orquestrar a sua morte.

Eu a ofereci cuidado.

Esse era o melhor jeito de punir nós duas. Cuidar de quem te destruiu cria um buraco profundo dentro da alma. E ser cuidado por uma pessoa que sempre odiou, cria um medo maior ainda, mesmo que ela não saiba disso.

- De qualquer forma eu não a encontrava de jeito nenhum. Eu precisei cobrar alguns favores para encontrá-la. E só consegui achá-la seis meses depois. Do outro lado do país! - minha cabeça pendeu para lado só de lembrar como foram estressantes todos aqueles meses.

- Me diga que esses favores não são o que eu estou pensando. - fechei os olhos com pesar
É claro que são.

- Eu tive que cobrar muitos favores de alguns informantes que eu conheci nos meus tempos de reformatório. - eu disse receosa, porque eu sabia a reação que Jesus teria.

- Você disse que nunca mais ia mexer com isso! - ele esbravejou batendo na lateral do volante enquanto mudava a marcha do carro.

E eu entendia isso. Eu realmente tinha prometido nunca mais cobrar os favores das pessoas que me deviam. Jesus achava que não era bom para mim continuar mexendo com aquelas pessoas. E ele estava certo, a certo ponto. Mas era da minha mãe que estávamos falando! A mulher que me criou com tudo que tinha, mesmo sendo pouco.

Os Segredos de Amber Lewis - 1ºLivroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora