Capítulo 84

11.2K 1.1K 1.1K
                                        



Dois meses depois...

-Posso falar com você? – Any se assustou ao ouvir a voz de Josh logo nas primeiras horas da manhã em seu quarto; levantou rapidamente da cama, e sentiu uma leve tontura, que não passou despercebida pelo garoto. – Tudo bem?

-Sim, tudo ótimo – ela forçou um sorriso e ignorou o desconforto que a tontura lhe trouxe. – Pode sentar, se quiser.

-Obrigado – Josh coçou a cabeça, sem jeito, e adentrou o quarto após fechar sua mais recente obra de arte, a porta preta. Sentou-se na poltrona de cor vinho que ficava de frente para a cama, onde a garota agora estava sentada. – Desculpe vir tão cedo.

-Sem problemas, acordei há duas horas com a sua irmã surtando por ter se esquecido de comprar alguma coisa pra viagem – Any tentava não olhar diretamente nos olhos de Josh ao falar, decidiu então fixar os olhos nas dezenas de folhas de papel que estavam nas mãos do garoto. – Ainda não acredito que ela vai para Cambridge amanhã.

-Nem eu – Josh olhava desconfortavelmente a porta preta do quarto. - Nunca imaginei que ela tivesse um cérebro de verdade.

-Beauchamp! – Any exclamou sem perceber, arregalando os olhos quando o fez. – Desculpa... Eu, er... Ela é bem inteligente quando quer, sabe?

-É, parece que sim – Josh tentou conter o sorriso ao ouvi-la falar daquele jeito, fazendo-o lembrar dos velhos tempos; apertou os papéis em suas mãos, lembrando do motivo de ter ido até lá. – Hum... Tem alguém em casa? Está tudo tão quieto.

-Não. Foram pela milionésima vez comprar algo desnecessário, sinto pena da sua mãe por ter de aguentar a maluquices da Joalin. – Any deu de ombros ao arrumar a blusa roxa que usava.

-Er... Eu acho que você sabe por que vim aqui... – Josh disse sem jeito. – Eu li.

-Você leu... – ela respirou fundo, finalmente olhando o garoto nos olhos – tudo?

-Tudo – olhando a menina atentamente, ele pôde perceber como aquelas semanas separados a afetarem, como por exemplo, as sombras arroxeadas debaixo dos olhos e a evidente perda de peso que ela sofrera; Josh sentiu um aperto no coração, só de pensar que aquilo tudo era culpa dele. – A gente pode conversar?

-Josh... – ele sentiu os pelos da nuca se arrepiarem só de ouvir a voz da garota dizendo seu nome, hesitante. – Você não tem obrigação nenhuma de falar ou até olhar pra mim... Você tem na verdade, todo o direito de me odiar... Eu só mandei isso porque...

-Gabrielly – interrompeu, desdobrando as folhas e dando uma breve olhada no que estava escrito na primeira. – Eu tive cinquenta e seis dias pra sentir raiva, decepção e ódio de você – ele parou ao vê-la respirar fundo. – E depois de um turbilhão de sentimentos ruins... Eu li seu diário.

-Não é diário...

-É livro de memórias, eu sei – ele corrigiu prontamente. – Memórias basicamente sobre nós dois... Sobre mim – Josh viu a garota morder o lábio e assentir minimamente com a cabeça. – Minha irmã te contou sobre quando ela foi me entregar essas folhas?

-Não... Hum... Elas meio que evitam falar sobre você perto de mim – completou baixinho, olhando para o chão.

-Eu sei como é... – ele comentou distraidamente. – Acho que ela não te contaria de todo jeito, afinal ela nem conhecia a maioria dos palavrões que eu usei quando entrou no meu apartamento – não pôde deixar de abrir um pequeno sorriso ao ver um tímido no rosto de Any. – Ela não disse nada, só me deu um tapa na cabeça e deixou os papéis na mesa da cozinha. E daí... Eu joguei seu diário no lixo. O Lamar o colocou no sofá da sala. Eu espalhei todas as folhas pela casa. O Noah as organizou e colocou no minibar. Eu deixei cair vodca encima delas... O Krystian as secou, e as colocou no lugar onde eu não poderia ignorá-las...

A Garota da Porta Vermelha - BeauanyOnde histórias criam vida. Descubra agora