quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho é uma opção

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Yeonjun acordou cedo e Soobin ainda estava deitado. Entendia que deveria voltar ao seu quarto antes que o vissem, depositou um beijo na testa do mais novo e saiu pela passagem secreta.
Não haviam muitas coisas nesse mundo capazes de o fazer sentir tantas emoções ao mesmo tempo, mas seu namorado tinha a habilidade de conseguir isso facilmente. Seu coração se contorcia em seu peito num misto de alegria, revolta, medo e tristeza.
Era absurdo saber que enquanto outras pessoas podiam viver algo tão bonito como o amor sem se preocupar, ele viveria sempre à sombra do pecado.
Sentou-se na cadeira que havia em seu quarto e resolveu escrever uma carta para Soobin. Precisava voltar antes que sua noiva chegasse até seu castelo e despedidas demoradas não eram uma opção naquele momento.
"Meu bem,
Infelizmente estou usando um mero pedaço de papel para me comunicar. Você parecia tão tranquilo dormindo e seria injusto te acordar cedo, já que seu dia seria usualmente cheio. Tenho que ir embora mais cedo, minhas obrigações me aguardam. Estou contando os segundos para te ver de novo. Eu te amo.
Com amor, Yeonjun".
Juntou suas coisas e saiu do local, pediu que Hueningkai entregasse o bilhete à Soobin. Seus comandantes haviam ido embora mais cedo e já o esperavam no seu castelo.
Enquanto Yeonjun avistava arbustos secos pela janela da carruagem, imaginava o quanto sua posição exigia tanto de si. Se fosse apenas um camponês não teria que se preocupar com a visão do Vaticano em relação ao seu relacionamento com Soobin.
Poderiam viver tranquilamente escondidos em algum bosque longe de todos, mas o destino havia reservado outro caminho para eles. Um mais doloroso e realista.
O problema da realidade é que nem sempre nós queremos vive-la como ela é. Se sonhos pudessem ser manifestados instantaneamente as coisas seriam mais simples.
Logo que chegou em "casa" suspirou profundamente e caminhou até o salão. Casa para Yeonjun não era um lugar, era alguém. Era Soobin e qualquer ambiente que não fosse os braços do mais novo, era inóspito.
Sua noiva o esperava enquanto observava os quadros dispostos na imensa parede.
"Finalmente chegou" a voz da garota era delicada mas o tom de suas palavras era forte. Yeonjun já contava seus arrependimentos em sua cabeça a medida que caminhava para se aproximar mais dela.
- Perdoe a demora, tive compromissos urgentes em um reino vizinho - disse beijando a mão dela
- Tudo bem, a realeza tem muitos deveres a serem cumpridos. Estive um tanto entediada, devo admitir. Andei por todos os jardins do castelo..
- Gostou do que viu? Cultivo rosas amarelas, são especiais para mim
- Por qual motivo?
- Hmm, um amigo meu gosta bastante delas, é o símbolo da nossa amizade..
- Entendo..
O silêncio ali estava ficando cada vez mais constrangedor. Claramente nenhum dos dois sabia como agir.
- Gostaria de conhecer o restante do castelo?
- Adoraria. Afinal, morarei aqui. Se tudo ocorrer como esperado, certo?
O rapaz engoliu a seco a frase dita, sua ficha estava caindo aos poucos. A vontade era de fugir sem rumo, mas constantemente se lembrava de que era Rei e Reis não fogem.
Passou por cada sala que existia. Explicou o significado de cada quadro pregado em suas paredes. Apresentou seus antepassados e até as lendas que cercavam o reino.
Só faltava um lugar que Yeji não havia conhecido ainda, o quarto de Yeonjun. Ambos estavam parados em frente à porta e enquanto a garota o encarava de olhos cerrados, ele procurava maneiras de evitar o que poderia vir pela frente.
Martelou todos os possíveis cenários em seu cérebro e decidiu apenas fazer o que deveria fazer. Uma hora ou outra iria acontecer, não é? Não havia para onde fugir.
Ele se casaria com a garota na sua frente e ela reinaria ao seu lado. Se filmes de terror existissem em 1532 seria exatamente esse o enredo perfeito para Yeonjun.
- Não vai me chamar para conhecer o seu quarto?
As palavras proferidas por Yeji fizeram o garoto acordar de seu transe. Não esperava que ela fosse sugerir algo desse tipo, mas estava contente que não seria ele o escolhido a fazer tal coisa.
- O quê?
- Desculpe. Estou sendo muito apressada? Vossa Alteza pode ignorar o que acabei de dizer!
- Não, não. Eu só fui pego de surpresa..
- Então? Podemos?
- Claro!
Yeonjun abriu a porta dando entrada ao cômodo gigante, as janelas estavam abertas exatamente como ele havia deixado. A luz que invadia o ambiente era capaz de cegar, mas se contrastava bem com as paredes escuras.
- Você disse que cultivava rosas amarelas, certo?
- Sim
- Isso por acaso tem a ver com este rapaz aqui? - Yeji segurava uma pintura pequena de Soobin. Ela ficava posicionada próximo a cama de Yeonjun, ele sempre a guardava em sua gaveta, mas por um descuido ela havia ficado ali.
Os seus olhos se arregalaram de forma que poderiam sair da órbita. Quando ele pensou em tomar o objeto da mão da garota, ela estava lendo as pequenas frases escritas atrás.
"Um pequeno símbolo dedicado ao meu amor, Choi Soobin"
Sua cabeça girava e se ele não estivesse tão apavorado com o que estava acontecendo na sua frente, certamente desmaiaria.
- As rosas amarelas e esse quadro...Eu deveria ter desconfiado antes. Rosas amarelas são o símbolo do reino do Rei Soobin, cujo mesmo reino era pra ser inimigo do seu, não é? Obviamente a vida sempre nos prega peças e o amor nasce nos ambientes mais impossíveis. Vocês nunca se odiaram..
- Princesa Yeji...
- Não
- Me escute, por favor. Eu me casarei com você, te darei metade do meu reino, te darei herdeiros mas você deve me prometer que não falará disso com ninguém!
- Yeonjun, preste atenção - agora não havia mais distância alguma que pudesse separa-los. O garoto se sentia intimidado pela presença alheia e não conseguia esconder - Eu sei que você o ama. Posso ver em seus olhos o quão assustado está, também sei que jamais se casará comigo por amor. Assim como eu não me casarei com você por amor, é puro jogo de interesse.
- Você ama outra pessoa?
- Eu e você estamos no mesmo barco. Amo alguém que não posso ter e estou condenada a viver no pecado e casar com alguém que irá satisfazer as necessidades da igreja e do meu reino..
- Quem é essa pessoa? Desculpe perguntar, você não precisa me dizer se não quiser.. - Yeonjun que antes estava em pé agora sentou-se ao lado de Yeji na cama
- Minha amiga de infância e também minha servente, Ryujin. Entende o motivo pelo qual eu também não quero casar com você? Eu sei que você pensa que como um Rei é tudo mais difícil, mas para mim é ainda pior. Desde criança fui ensinada que minha vida jamais pertenceria à mim e sim a um Rei, meu futuro marido. Não posso ter escolhas próprias pois meu papel nessa sociedade é de ter herdeiros e não importa quantos feitos eu tenha como rainha, continuarei vivendo à sombra de um homem. Um Rei. A realeza nos tirou mais do que ela pôde nos dar, mas não por muito tempo..
- O que quer dizer com isso? Está planejando abdicar do seu reino ou do nosso casamento?
- É mais complexo que isso. Estou planejando fugir da minha realidade..
- Yeji, você não está falando coisa com coisa!
- Ryujin é neta de bruxas, ela me disse que há um ritual que pode ser feito para unir duas almas. Você troca sua realidade aqui por outra, assim você e a pessoa que você ama podem tentar ficar juntas..
- É isso que você vai fazer para ficar com Ryujin?
- Sim. Eu nem ia te contar, mas vi que você e eu não somos tão diferentes assim. Talvez você possa convencer Soobin a se juntar a nós!
- Isso é loucura! Desistir do reino, do meu papel como rei!
- Por amor, Yeonjun! Nós sabemos que essa é a nossa única opção! Não vale a pena?
O garoto que desabava em lágrimas agora era consolado pela então noiva. Sempre disse que iria até o fim do mundo para ficar com Soobin e agora que essa era uma opção viável se questionava se conseguiria convence-lo de fazer o mesmo. E

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