Capitulo 24

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Eu fico o olhando sem saber o que dizer, ele está com a cabeça baixa e parece irritado. Desvio meu olhar e tomo coragem para dizer algo.

- Como soube que estávamos aqui ? - questiono. - Alguém te ligou ?

Ele continua com sua cabeça baixa, vejo que aperta mais ainda suas mãos no volante com raiva. - Esqueceu que eu sou seu companheiro ? - questiona ríspido e eu encolho um pouco os ombros. - Esqueceu que eu posso te achar tão facilmente como arranquei aquele maldito de perto de você ? Consigo sentir seu cheiro a quilômetros e a nossa ligação facilita mais ainda as coisas. - me olha com raiva e percebo que seus olhos mudaram de cor para um alaranjado escuro, mas sombrio.

- Não, eu não esqueci. - respondo firme.

Ele respira fundo algumas vezes e passa suas mãos no rosto parecendo cansado. - Bellini você está me enlouquecendo e não percebe isso. - suspira novamente e suaviza sua expressão e seus olhos voltam a cor normal, o famoso verde hipnotizante.

- Como assim ? - questiono confusa.

Ele não me responde e isso me deixa ainda mais curiosa e irritada.

- Eu vou te levar para casa. - responde simplesmente e liga o carro.

- Porque você me chama de Bellini - insisto.

- Eu não sei, eu apenas gosto de te chamar assim. - responde pensativo.

Fico em silêncio o observando, ele parece tenso. Na dobradura de seus dedos está todo cortado e sangrando, mas ele parece não se importar, não parece estar com dor, pois aperta o volante com tanto força que a ponta de seus dedos ficam brancas. Seu maxilar está travado e ele contém um olhar duro e calculista na estrada escura e deserta.

Desvio meu olhar para seus cabelos ruivos e bagunçados, ele percebe que eu estou o olhando e levanta uma sobrancelha com curiosidade mas não me olha.

- Não esta doendo ? - levanto meu queixo e olho para suas mãos com cortes que parecem ser bem profundos.

- Com o tempo você se acostuma. - responde sem desviar seu olhar da estrada. - Antes eu sentia dor, costumava sempre deixar um saco de gelo pronto para quando isso acontecesse. Mas cura rapidamente de qualquer forma, então não me importo com isso. - completa e me encara por um segundo.

- Se metia muito em brigas ? 

Ele me olha e esboça um pequeno sorriso ladino. - Sim. Mas eu parei de me envolver em brigas a algum tempo. - diz e eu o encaro com os olhos semicerrados. - Mas acho que vou ter que voltar aos meus velhos costumes se você continuar indo a festas com esses vestidos. - completa e eu sorrio.

- Não se preocupe. Não pretendo voltar a uma tão cedo. - afirmo ainda sorrindo e ele solta uma risada contida.

Mesmo sabendo que esse bom humor dele provavelmente não dure por muito tempo, eu estou me sentindo bem de estar com ele. Assim conversando com ele, percebo que por mais difícil que seja, eu o quero comigo, quero conhecê-lo e entendê-lo melhor... Eu quero ser sua luna.

***

John estaciona o carro em frente a mansão e repousa suas mãos em seu colo, ele suspira e desvia seu olhar para mim, ficamos nos olhando por incontáveis minutos sem saber o que dizer e se deveria dizer alguma coisa. Só ficamos nos olhando sem se preocupar com mais nada, com mais ninguém.

O efeito da bebida sumiu quando a briga começou, então não preciso me preocupar.

Sua expressão é suave e tranquila, está de noite e tudo bem calmo, exceto meu coração que está batendo com força no peito. Me sinto nervosa e ansiosa, me lembro do nosso quase beijo mais cedo, de como ele segurou meu rosto e minha cintura, como olhou em meus olhos pedindo permissão para tal ato, de como ele se aproximou lentamente de meus lábios que se não fosse interrompido teria os tomado para ele.

Esse pensamento faz com que eu sinta um frio na barriga e minha bochechas corarem, ele logo percebe e curva um sorriso ladino no rosto e se aproxima um pouco mais de mim, fico imediatamente nervosa com a sua proximidade, mas não me afasto e não consigo pensar em mais nada que não seja nele nesse momento.

Ele se aproxima mais ficando bem Perto do meu ouvido, vejo pelo canto do olho ele sorrindo. - Eu não posso ouviu seus pensamentos Hope. - sussurra. - Mas eu posso sentir o seu nervosismo e ansiedade, e pelo jeito que está corada agora, posso imaginar no que esteja pensando. - sussurra no meu ouvido fazendo um arrepio percorrer todo meu corpo.

Não sei o que falar ou o que fazer, apenas fico parada sentindo sua respiração abaixo na minha orelha causando um arrepio atrás do outro pela sensação boa de estar tão perto dele.

Ele volta a me encarar esperando por uma resposta, mas não digo nada. Então ele se aproxima mais, se eu me mover mais um milímetro vamos acabar nos beijando, penso que ele vai acabar com essa pequena distância, mas não. Ficamos respirando o ar um do outro, vejo em seus olhos o quanto ele me deseja assim como eu o desejo.

Então ele da um pequeno sorriso ladino, segura meu queixo entre seu polegar e o dedo indicador, me olha pela última vez e então acaba com aquela terrível e torturante distância selando nossos lábios. Solto um suspiro pela a sensação que me atinge em cheio.

Ele me beija com calma e carinho, sinto seu gosto de menta e fico meio extasiada pelo seu perfume embriagante e viciante.

Nos afastamos um pouco por falta de ar, ele encosta nossas testas e tento recuperar o fôlego, fecho meu olhos e esboço um sorriso singelo.

- Isso foi ... - tento formular alguma frase, mas é em vão.

- Foi mesmo. - ele sorri e se afasta de mim para me olhar melhor.

- Eu sei que tenho sido um babaca nesses últimos dias. - fala baixo. - Mas eu vou tentar ser melhor de agora em diante, melhor para você. - continua e me olha. - Está na hora de eu crescer e assumir minhas responsabilidades, esta na hora de tentar te conquistar e não fazer com que me rejeite pelo meu péssimo humor... Eu não quero que isso aconteça, por mais que eu não demostre as vezes e seja difícil.

Não consigo conter meu sorriso bobo após ouvir isso, era tudo que eu precisava ouvir dele. Acho que é tudo o que uma garota precisa ouvir de seu companheiro, que vai tentar ser melhor por ela e vai fazer com que de certo mesmo sendo difícil as vezes.

Eu não sei o que dizer, ele faz com que as palavras fujam da minha boca, eu nunca sei o que dizer ou que fazer quando estou perto dele.

Então eu simplesmente o puxo para um abraço apertado, ele fica surpreso mas logo envolve em seus braços ao meu redor e me aperta mais contra ele, enterro minha cabeça da curva de seu pescoço e fecho meus olhos. Isso é muito bom e reconfortante, me sinto protegida em seus braços, é tão bom...

É tão bom ficar assim com ele!


***

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Obrigada por ter lido mais um cap!
Bjs e até a próxima 🌹


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