Capitulo 22 - Back to the Tower

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Se apoie em mim
Quando não está forte
Eu serei seu amigo
Eu te ajudarei a seguir em frente

🖤
Any Gabrielly

Ponho meus óculos de sol e a roupa que eu tinha separado para voltar para casa.

- Any, o Josh já ta lá embaixo - diz Sina se encostando no batente da porta. Pego minha mala de roupa e ela pega a mochila com as outras coisas. Descemos e entramos no carro de Josh.

- Oi, Any, como você ta? - pergunta ele enquanto ponho o cinto ao seu lado, depois de deixar tudo no porta-malas.

- Não sei... acho que só vou saber quando eu chegar lá.

- Sim... e como você tá, Sina?

Não ouço o resto da conversa deles, apenas observava o caminho que fazia quase um mês que não fazia, até que começo a ver a grande casa e uma aglomeração de repórteres no portão. Sina desce para abrir o portão com a senha que apenas eu e ela sabíamos agora. Os repórteres a seguem mas ela se mantém calada, apenas passando por eles e voltando para o carro. Alguns vem até minha janela, mas a mantenho fechada.

Quando o portão se abre, os mais insistentes nos seguem para dentro, até a porta da casa, me cercando assim que eu saio do carro, mas Sina e Josh me abraçam cada um por um lado e vamos juntos até a grande porta de mármore que se confundia com as paredes do lado de dentro da casa. Eu a abro, entrando na frente dos dois.

Tiro meus óculos de sol e deixo na bancada da cozinha, junto com meu celular e minha bolsa. Sina e Josh deixam minhas malas ao lado da porta enquanto eu ando lentamente observando a casa silenciosa. Passo meus olhos pela bancada da cozinha, a cafeteira que Josh quase quebrou, o armário onde eu e Sina pegávamos cobertas para fazer uma cabana no meu quarto, a lareira e o canto onde os sapatos eram jogados. Quando olho para a porta na parede ao lado da cozinha, meus olhos começam a marejar. Essa adega e o barulho dessa porta eram os indicadores do início da minha escuridão diária.

Sinto braços ao meu redor e sei que é Sina, então me viro para retribuir seu abraço e chorar no seu pescoço. Logo Josh me abraça pela por trás, me fazendo uma proteção completa entre os dois. Ficamos nessa posição por um tempo até eu me acalmar e levamos minhas malas para meu quarto. Como Josh está junto, conseguimos arrumar rápido, se dependesse de Sina, só eu estaria arrumando isso e demoraria mais.

Depois, decido lhes dar um tour pela casa, creio que agir como se a casa fosse novidade irá fazer com que as memórias ruins sejam algo que nunca existiu. Passamos pelo escritório, os quatro quartos de hóspedes e a sala de tv do primeiro andar. Sina já conhecia tudo, mas Josh estava espantado com todos os cômodos. Sei que é muito maior do que qualquer outra casa, então não o julgo, apenas continuo o tour para o segundo andar, que eu não visitava havia um tempo.

Sina segura minha mão. Ela sabe pelo o que eu passei aqui, ela presenciou. A grande sala de tv do segundo andar é a primeira coisa que vemos. Com suas janelas em todos os cantos e o carpete onde Sina me achou chorando quando meus pais brigaram naquele dia quando éramos mais novas.

Também tem o grande sofá onde meu pai dormia quando chegava bêbado ou chapado demais para alcançar sua cama. Isso quando ele tinha a capacidade de subir os dois lances de escadas. Sinto as lágrimas vindo, mas elas não descem, ficam apenas acumuladas nos meus olhos enquanto guio meus amigos até o escritório.

Mais um cômodo com memórias, mas essas são mais recentes. À direita, logo depois de entrarmos, vemos a porta para a sacada, de onde, segundo o laudo médico, minha mãe caiu. O local onde ela passava o dia trabalhando e ignorando minha existência, se tornando o local de seu fim. Não entrava naquele cômodo desde a morte do meu pai, então ansiava para ver se minha mãe tinha mudado alguma coisa, mas tudo estava intocado.

Head Under Water - NoshanyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora