Capitulo 14 - Charity

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"Quando você não aguenta mais a vida
E toda a esperança se perdeu
Estenda sua mão
Pois amigos serão amigos
Até o final"
- Freddie Mercury, Queen

🖤
Any Gabrielly

Acordei com meu despertador às 08:00 e não estava com nem um pouco de sono. Subo em cima de Sina para acordá-la e, mesmo resmungando, funciona. Ponho uma roupa rapidamente e vou apressar Sina.

- Any, a casa dela não vai sair andando, respira.

- Primeiro: não é apenas "casa" é "casa da Anne Frank", respeita o ícone. Segundo: eu quero ir logo pra ser a primeira a entrar nos cômodos.

- Você vai ver tudo de qualquer jeito, não importa a ordem.

- Importa sim, como eu vou realmente sentir o que ela sentiu se tiver um monte de pessoa obstruindo a visão?

- Você nunca vai sentir o que ela sentiu porque ela ficou lá por mais de dois anos, Any Gabrielly - diz já impaciente.

- Ta bom! Ta bom! Mas ja ta pronta?

- Só vou pegar uma jaqueta e vamos.

- Ok.

Assim que a princesa termina de se arrumar, saímos pelas ruas de Amsterdã até a Prinsengracht, 263. A cada passo eu fico mais nervosa e todos os ventos frios do fim do outono não conseguem acalmar meu coração amante de história e de livros. Assim que chegamos, pegamos uma pequena fila até a recepcionista, uma idosa, Guusje, que nos recebe com um sorriso no rosto.

- Hallo! Bem vindas à "Anne Frank Huis"! Qual o horário de vocês?

- 10:00 - respondo enquanto Sina pega o papel e mostra para ela.

- Ok, fiquem aqui nessa fila, meu irmão Johan irá ser o guia de vocês - diz apontando para um senhor que aparenta ser um pouco mais velho do que ela na frente da fila.

- Viu, Sina? Não vamos ser as primeiras a entrar.

- Any, supera, prefere entrar depois na casa da Anne Frank ou nunca entrar?

- Ok, você tem um ponto.

- Sempre tenho, agora vamos - diz pegando um programa em alemão para ela e outro em português para mim. Sim, ambas sabemos inglês, mas gostamos de usar essas coisas menores pra treinar nossas línguas natais.

Entramos na fila e nem estávamos tão atrás mesmo, mas poxa esse livro é icônico. Sina levanta a mão e Johan vem até nós.

- Posso ajudar? - pergunta em português.

- Você fala português? - devolvo a pergunta enquanto Sina nos olha confusa.

- Falo, minha segunda mulher era brasileira e eu ainda tenho contato com os filhos dela, que eu criei.

- Mas como você sabia que eu sabia falar português?

- Seu programa tem a bandeira do Brasil em cima - diz apontando para o lugar.

- Ah sim, claro, bom, eu não tenho uma pergunta mas sim minha amiga, ela fala inglês e alemão.

- Ah, desculpa - diz em inglês, fazendo Sina desfazer a cara confusa - o que deseja?

- Queria saber se são permitidas fotos, meu namorado adoraria isso aqui - iti, ela ja ta chamando ele de namorado, ela se rendeu.

- Claro que pode, só sem flash porque a estrutura do prédio é original, então bem antiga, pode ser danificada pelo flash.

Head Under Water - NoshanyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora