Epiphany (pt I)

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"Estou tremendo e com medo, mas continuo seguindo em frente
Estou conhecendo seu verdadeiro eu, escondido na tempestade
Por que eu quis esconder meu precioso eu desse jeito?
Do que eu tinha tanto medo? Por que escondi meu verdadeiro eu?"

- Epiphany (BTS)

***

Lettie P.O.V

Abro os olhos com dificuldade, a luz forte atrapalha a minha visao. Minha cabeça dói como se eu tivesse levado uma pancada forte e o som irritante de um bip perfeitamente compassado só faz a dor piorar. Tento mexer os meus braços e pernas, mas tenho muita dificuldade, meu corpo está pesado e me sinto paralisada. Os mínimos movimentos que consigo fazer, causam dor por toda parte, especialmente uma forte fisgada em minha perna direita e na região das costelas, me impedindo de continuar me movendo. Repreendo um resmungo.

Com a dor, minha cabeça pende para o lado esquerdo da cama e então tenho uma surpresa. Uma garota loira está sentada em uma poltrona ao meu lado, com a cabeça baixa apoiada nas mãos. Ouço um soluço, como aquele que se dá quando tentamos segurar o choro.

- Nancy? - Pergunto para me certificar de que é ela. Minha voz soa mais rouca e fraca do que eu esperava.

Ao ouvir minha voz, a moça solta um longo suspiro e então se debulha em lágrimas, ainda na mesma posição em que estava antes. O chacoalhar de suas costas é tão intenso quando o seu choro, sinto um nó na garganta, só pode ser Nancy.

- Olhe pra mim, por favor. - Eu digo.

Enquanto encaro o seu corpo derrotado sobre a poltrona, percebo as paredes brancas atrás dela, associo com o bip que escuto e só então me dou conta de que estou em um hospital.

Fico tentando entender como foi que vim parar aqui mas não me lembro de muita coisa a não ser dele.

Will.

O que aquele desgraçado fez comigo?

Nancy levanta a cabeça lentamente e então posso ver seus olhos inchados e seu rosto manchado pela maquiagem escorrida. Ela está péssima, mas talvez não pior do que eu devo estar, afinal, sou eu quem está em uma maca.

- Nancy. - insisto. - Diga algo.

Ela tenta dizer algo mas é impedida por um novo soluço. Então ela se levanta subitamente da poltrona e vem em minha direção, se esgueirando sobre a maca sem me tocar. Nancy apenas encosta o seu rosto entre meu pescoço e meu peito. Sinto suas lágrimas quentes sendo absorvidas pela camisola hospitalar umedecendo minha pele.

Sem saber exatamente o porquê, eu choro também.

Permanecemos assim, imersas em nossas lágrimas, na companhia uma da outra, ouvindo apenas o bip do monitor ao meu lado e os nossos soluços que ecoam sobre a sala silenciosa. Me permito fechar os olhos buscando algum alívio do fundo da minha mente mas a única coisa que encontro é aquela maldita imagem dele.

Vi Will socando a porta do apartamento assim que subi as escadas. Nancy estava logo atrás de mim implorando e me puxando pela blusa, para que eu não me aproximasse, mas eu não conseguia pensar direito e nem atender a súplica dela, a única coisa que eu fazia era me impulsionar escada acima agarrada no corrimão.

The things I never knew | Tom Holland Onde histórias criam vida. Descubra agora