Palavras precisam ser ditas

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Sinto minha cabeça doer ao me levantar, dormir está sendo praticamente impossível. 

Respiro fundo tentando limpar a mente, mas é em vão, essa sensação de estar perdendo tudo não me deixa em paz. 

Me arrumo pensando em tudo que tenho que fazer hoje. Fora o treino de basquete, eu ainda preciso falar com o advogado e apresentar os papéis com todas as modificações que serão feitas, para que tudo seja legalizado.

Ao terminar de me arrumar, desço para comer alguma coisa e ao chegar, sinto como todos ficam diferentes e isso me machuca. Não paro pra falar com ninguém, a verdade era que eu estava cansado de tudo isso.

Pego uma fruta e me sento e vejo a Ana entrar, porque ela tinha que ser tão linda? Tão especial? Porquê eu não ia lá e perguntava tudo? Era simples, eu ainda tinha medo. Medo do que ela poderia me dizer. 

Ana: Bom dia – eu podia ver a tristeza em seus olhos. 

Thiago: Está bem? – ela disse que não com a cabeça e isso era novo, pois ela sempre escondia tudo – Precisa de alguma coisa?

Ana: Preciso de café – eu ri um pouco – E você também – a olhei indignado – Não me olhe assim!

Thiago: Ok – rimos – Vamos comer!

Ela sentou na bancada e começamos a comer, eu olhava para ela e queria tanto segurar a sua mão. Eu notava o quando ela estava preocupada.

Thiago: Vai falar o que te preocupa? – ela fez uma cara emburrada – O quê?

Ana: Isso é irritante sabia? – eu ri – Não vou contar o que está acontecendo!

Thiago: Não?

Ana: Não! – rimos, depois ela voltou a ficar séria – Meu pai vai vim aqui Thiago – eu sabia que isso a deixaria assim nervosa – Eu tenho medo.

Thiago: Não devia – segurei sua mão – Está na hora de todos saberem a verdade – ela olhava nossas mãos unidas – A sua verdade!

Ana: Tenho medo de não aceitarem Thiago. 

Thiago: Ninguém é obrigado a aceitar – nos olhamos tristes – Você fez o que podia e não deve pensar assim – apertei sua mão – Só você sabe o que viveu.

Ana: Você tem razão.

Não reparamos em quem estava na cozinha, a verdade era que eu estava cansado de tentar entender, se ninguém queria entender o nosso lado, porquê eu precisava entender eles também?

Mas, tinha algo que estava me incomodando também e era a forma que todos estavam tratando a Ana, nesse momento a Bia e o Manuel chegaram e não demorou muito para a Ana sair. E olhando para todos ali, eu sabia que palavras precisavam ser ditas.

Eu olhei por onde a Ana saiu e queria fazer o mesmo, mas também queria falar algumas coisas e foi por isso que eu olhei para todos que estavam ali. 

Eu estava cansado de ficar calmo, cansado de tentar entender, palavras precisavam ser ditas. 

Então não me importei com ninguém ali, não me importei com nada. Era a história da Ana, a minha história também. 

Thiago: Sabe? – eles pararam o que estavam fazendo e prestaram atenção – Foi errado a mentira da Ana da Silvo – eu ri um pouco – Embora tenha sido bem engraçada!

Pietro: Engraçada?

Thiago: Sim! Seus planos são geniais! – ri, mas voltei a ficar sério – Mas tem muita gente machucada nessa história – respirei fundo – Nenhum de vocês perguntou porque mentimos – eu olhei cada um – Vocês não tem ideia de como mentir machucou a Ana – eu olhei diretamente para uma pessoa – Sinto muito pela história da Ana da Silvo e peço desculpa por isso, mas eu não vou pedir desculpas por esconder quem ela realmente é – o clima ficava cada vez mais pesado – Eu a conheço muito bem e isso que estão fazendo só está fazendo ela se sentir mais culpada e ela já carrega culpa demais – eu estava nervoso – Se vão ficar bravos, pelo menos descubram o que aconteceu e veja se vale a pena tanta mágoa – eu olhei de novo para todos e em especial para a Bia – Ela está mal, assim como eu estou. Nos magoamos e nos machucamos e mesmo assim eu não vou permitir que a machuquem mais – tentei me acalmar – Só parem de fazer o que estão fazendo, se machucamos vocês, cada um de vocês também nos machucou e eu precisei de cada um de vocês nesse momento e não tive e não sabem como isso me magoou.

Não esperei ninguém falar alguma coisa, só sai rumo ao treino um pouco mais leve, eu estava começando a dizer tudo o que eu sentia.

O treino foi tranquilo e o encontro com o advogado também, tudo estava certo e agora era só começar as obras.
Eu me sentia muito feliz, no começo eu queria poder retribuir a ajuda que todos me deram, mas esse projeto se tornou muito importante para mim. Mas o que eu ainda não sabia era que por conta disso eu teria que enfrentar novos inimigos. 

Ao chegar na República eu dei de cara com uma garota, a mesma garota que estava com o Marcos Golden no dia da festa.

Mara: Sabe Thiago – ela falou debochada – Eu vou te dar um pequeno conselho. 

Thiago: Que seria? – perguntei sem paciência.

Mara: Devia parar de ajudar os luzers!

Thiago: Ou? 

Mara: Ou você vai perder – ela riu – Não vai nos querer como inimigos. Pensa bem.

E assim ela saiu e eu tentei deixar isso de lado ao entrar na República, ao entrar eu encontrei o Pietro a Dayse e o Manuel. 

Pietro: Podemos conversar?

Me aproximei do piano e os encarei, todos pareciam tristes e eu vi que nenhum deles conseguia falar. 

Thiago: Sobre o que querem falar?

Manuel: Sobre tudo que aconteceu – ele parecia desconcertado – Agimos errado. 

Dayse: Sim! Ficamos tão magoados que não vimos o quanto precisou de todos nós.

Pietro: E precisou a ativista ambiental jogar na cara o quanto fomos péssimos amigos!

Encarei todos incrédulos, eu não tinha ideia do que ela tinha falado com eles.

Thiago: Ela falou com vocês?

Luan: Praticamente gritou – ele disse ao chegar – Foi incrível e como diria a Celeste, Ana power na área!

Ninguém conseguiu ficar sério e todos caíram na risada. 

Pietro: Me desculpa por ser um péssimo amigo? – olhei pra ele – E por não estar aqui quando mais precisou?

Thiago: Estão aqui agora?

Todos: Estamos!

Thiago: Então estão perdoados!

Poder receber o abraço da cada um me fez me sentir melhor, mas ainda restava mais uma coisa.

Thiago: Falaram com a Ana?

Eles negaram e eu sorri, sabia que eles não tinham ideia de como perguntar. 

Luan: Ela está no espaço BeU.

Então convidei todos a subirem, Ana estava cantando baixinho enquanto mexia em algumas coisas.

Ana: Parece que o puxão de orelha deu certo – eu sorri para ela – Está tudo bem?

Thiago: Sim! Eles querem saber sobre sua história – eu vi ela ficar tensa – Ei! Está tudo bem flor do dia – a vi ficar mais calma – Está na hora de começar a contar a sua verdade.

Dayse: Pode contar o que aconteceu? – disse ela baixo. 

Me afastei e passei a ouvir uma história que eu conhecia bem, mas que era cheia de dor e culpa. Pietro tinha lágrimas nos olhos e segurava a mão da Ana com força, Dayse chorava e o Manuel tinha um olhar perdido e cheio de dor. E o Luan assim como eu relembrava essa triste história. 

Não demorou muito para o abraço de perdão vim e todos voltarem a ser como antes, uma família. 

Mas ao olhar para todos eles eu me dei conta de uma coisa, eu olhei para cada um e pedi para ouvirem a história da Ana.

Mas eu não ouvi o que ela tinha a dizer, eu não tinha feito isso por medo, raiva e rancor, por toda essa insegurança eu não queria saber e isso estava errado. 

Saber o porquê ela não me contou pode machucar, mas ficar sem saber, sem dar uma chance para uma conversa era muito pior. Eu também não tinha falado com ela, gritar minhas verdades em um momento de dor e raiva não era conversar. 

Palavras precisam ser ditas. 

E eu tinha medo, mas estava na hora de deixá-la dizer o que precisava ser dito. 







Não resisti hahahahah mais um cap pra vcs e agora sério..... até o próximo cap

Déjame dicerte Histórias para pegar e não largar. Descubra agora