Eu estava disposto

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Olho para a quadra de basquete vazia e vou até o centro pegar a bola, respiro fundo tentando acalmar meu coração e isso é algo que está sendo difícil nesses últimos dias. Desde que a Ana decidiu falar a verdade tudo em mim virou confusão e medo. 

Eu me sentia assustado e inseguro, tinha a sensação que a perderia, como a perdi a anos atrás. Com a bola na mão começo a fazer algumas manobras em meio ao silêncio só podia se ouvir o barulho dos meus pés em encontro ao chão e o barulho da bola indo em direção ao aro. A cada tentativa de acertar, eu errava cada vez mais e isso estava me irritando, eu sentia que algo não estava certo.

Não sei quanto tempo fiquei ali jogando e tentando esquecer de tudo, mas não tinha como. Ana estava em todos os lugares, com sua voz ao cantar gritarle al mundo, era como se ela tivesse algo pra dizer e tinha medo, eu sabia que ela queria gritar ao mundo sua verdade.

Sorrio ao lembrar da força da sua voz e em como ela estava linda, forte, mas ao mesmo tempo com receio, perdida em si mesma. Quando ela cantava, ela se tornava completamente transparente e ali eu sabia que tinha algo. 

O sorriso do meu rosto vai sumindo enquanto eu vou lembrando do que aconteceu, ao escutar sua voz, eu sabia que a Bia a reconheceria e quando as vi juntas e vi o estando da Bia eu me senti culpado. 

Eu ainda me sentia um pouco mesmo ela me dizendo que tudo aconteceu como tinha que ser, respiro fundo enquanto pego a bola do chão e vou guarda-la. Ao chegar perto de um dos bancos a lembrança do Victor me contando a verdade me invade.

Saber a verdade que eu já sabia doeu, eu não sabia o que sentir, escutar ele falando que se eu conhecesse a Helena eu saberia como ela era única me magoou. Eu sabia quem ela era e sim ela não usava mais esse nome, mas para mim Ana ou Helena, ela era especial.

Ao ir para o vestiário tomar um banho e me arrumar para poder resolver algumas coisas com a Pixie, eu só conseguia pensar na voz do Victor dizendo “Helena, ela se chama Helena!”

Eu me senti estranho e vazio, como se zombasse da nossa história. Quão dolorido foi escutar ele dizendo que eu voltava para casa e seduzia ela, eu sempre tentei ao máximo esconder meus sentimentos. Eu sempre a ouvi falar dele e mesmo me machucando, eu sempre a apoie em tudo, pois sempre fomos amigos antes de mais nada.

Ao sair da quadra, eu passei a caminhar em direção a onde encontraria a Pixie e tentava a todo custo esquecer a sensação de ter perdido algo e não demorou muito para encontrar a Pixie.

Pixie: Thiago – ela me cumprimentou com seu jeitinho único – Acha que tudo está certo?

Thiago: Com certeza – eu ri do seu jeito nervoso – Pixie quero te contar uma coisa – ela me olhou interessada – Marcos Golden falou comigo na festa e ele não parecia muito contente não.

Pixie: Isso não é bom – ela disse nervosa – O que ele disse?

Thiago: Ele disse algo como você pode ter problemas se continuar ajudando o pessoal do fundon – me lembro da cara que ele fez – Mas não se preocupe vamos fazer dar certo ok?

Ela assentiu e passamos a conversar sobre as coisas que precisava ser feita, a festa tinha sido um sucesso e poderíamos fazer muitas coisas. O pai da Bia iria na República ver como poderíamos começar com as obras e eu estava bem contente em ver como todos estavam empolgados,  a verdade era que fazer parte de um projeto tão incrível como o BeU me deixava feliz. 

Pixie: Ei Thiago como está a Ana? – a olhei sem entender – Ela estava tão abalada quanto a Bia!

Thiago: Agora ela está bem não preocupe – disse para acalma-la – Ela estava um pouco assustada, mas agora está mais tranquila.

Ela concordou e olhou para o seu celular, eu me concentrei em uns papéis que teria que entregar para o pai da Ana e pensar nisso me fez lembrar de como a Ana ficou ontem.
 
Ao ouvir que sua mãe estava vindo ela se assustou muito e eu sabia o que viria a seguir, não era a primeira vez que eu via a Ana começar a ter um ataque de pânico e foi por isso que me aproximei  e segurei sua mão tentando lhe passar força. 

Ana estava mal e eu sabia que ela não teria forças para sair dali e foi por isso que fui até a Bia, eu não queria que ela pensasse que a Ana estava fugindo de tudo. Lembro das palavras que eu lhe disse ontem. 

Flashback on 

Eu me agachei e segurei sua mão, Bia me olhava sem entender. 

Thiago: Sua irmã não está bem Bia – ela sabia que eu conhecia a verdade – Eu preciso levar ela embora ok – ela baixou a cabeça – Mas ela não vai fugir de você, porque ela te ama e agora ela só está com medo Bia – eu ainda segurava sua mão – Não posso deixar ela tão mal aqui perto de todos – ela pareceu entender – Tudo vai se resolver você vai ver!

Flashback off 

Estava perdido em pensamentos que mal ouvi a Pixie falar.

Thiago: Desculpa o que disse?

Pixie: Disse que está tudo pronto com os papéis – eu assenti – Vamos?

Concordei e fomos embora, conversamos sobre as novidades que veriam sobre o BeU e Pixie era uma garota engraçada e dava pra notar o porque o Luan estava tão apaixonado por ela.

Pixie: Bom depois vemos o que falta – ela riu divertida – Mas sabe Thiago eu fiquei um pouco confusa ontem na festa – ela me olhou confusa – Porque eu não podia colocar a música? – a olhei um pouco nervoso – A voz era incrível!

Thiago: Porque a dona da voz tem muita vergonha – eu ri da cara de indignada que ela fez – Segredo em!

Me despedi de uma Pixie indignada e fui rumo a República, pensar sobre isso me fez lembrar do dia de ontem e em como eu me senti sozinho. 

Ana tinha me garantindo que iria e depois sumiu, eu me sentia pedido em tudo isso, como se algo faltasse e faltava. Faltava a Ana ali.

Eu sentia uma angústia tão grande e o medo não saia de mim, Luan sabia que eu estava mal e não era atoa que ele estava falando comigo no momento em que recebi aquela mensagem. 

“Aconteça o que acontecer, eu quero que você saiba que eu te amo!”

Quando eu ouvi essa mensagem, um medo absurdo tomou conta de mim, eu sentia uma tristeza e uma dor tão grande. Eu sentia que era uma despedida.

E eu odiava me sentir assim, com medo, com dor e insegurança. Eu sabia dos seus sentimentos, eu sabia que ela sentia o mesmo que eu, estava ali no seu jeito de me olhar, de sorrir, de cantar e de falar. Eu sabia. Mas o medo não me deixava pensar e quando eu ouvi sua voz me falando isso, eu senti que havia a perdido. 

Ana e eu sempre fomos cúmplices, sempre amigos e sempre unidos. Tínhamos prometido não guarda segredos e eu guardava um, eu guardava todo esse medo de perde-lá só para mim. Mas não éramos assim, éramos Ana e Thiago, amigos antes de tudo e eu queria tanto falar. 

Eu tinha que parar de ter esse medo e confiar no que sentíamos, eu tinha que conversar com ela e contar tudo sem medo porque nos conhecíamos e sabíamos que sempre podermos contar um com o outro.

Eu estava disposto a abrir meu coração e foi com essa coragem que eu entrei na República, disposto a dizer sobre meus medos.

Mas eu não estava preparado para o que veria, Ana estava ao piano.  Com o olhar perdido e sem foco, em busca de ar. Pálida, com medo e presa em si mesma. 

Corri ao seu encontro e segurei sua mão, ela não me olhava, eu via suas lágrimas descer sobre o seu rosto, então me sentei ao seu lado no banquinho do piano.

Thiago: Ana – ela me olhou perdida – Ei eu estou aqui – ela não disse nada e eu a abracei em silêncio – Tudo vai ficar bem!

Ana: Não solta minha mão por favor! – ela segurou de novo minha mão e se pois a chorar – Ela me odeia Thiago – eu a olhei – Eu me sinto perdida.

Thiago: Então vamos encontrar o caminho juntos Ana!

Beijei seu cabelo e fiquei ali com ela, eu estava disposto a falar e eu falaria, mas esse não era o momento e ali com ela tão frágil eu me calei, ela precisava de mim. Mas eu estava disposto. E eu contaria.

 

Déjame dicerte Histórias para pegar e não largar. Descubra agora