Voltando pra casa

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Junto as teclas do piano a saudade me invade, lembro do dia em que disse que queria fazer música e meu pai me apoiou. Lembro de como ele e minha mãe amava gritar pela casa pedindo para mim não fazer tanto barulho.

Saudade! Sentimento que te rasga a alma e que é bom e ruim ao mesmo tempo, te faz lembrar de bons momentos, mas também te mostra que eles podem nunca mais se repetir.

Eu sinto uma saudade tão grande e medo também, mas eu sabia que logo poderia matar toda essa saudade. Ao tocar eu deixava todo esse sentimento transparecer e eu me sentia em paz. Até que eu senti um medo absurdo e uma sensação de perda, era como se eu fosse perder alguém importante. Meu coração estava angustiado e ao escutar meu nome ser pronunciado baixinho eu entendi o porquê. Meu pai estava me olhando com lágrimas nos olhos. 

Saudade. Como eu estava com saudade, ele não havia mudado nada. Continuava com o mesmo olhar forte e protetor, meu coração estava em um misto de emoções, eu estava feliz, mas ao mesmo tempo preocupada. Eu tinha medo.

Um sorriso invadiu meu rosto, mas foi desaparecendo a medida que meu pai ia caindo. 

Não!

Fui ao seu encontro e me abaixei ao seu lado, eu não podia o perder. Lembro de ter gritado pelo Thiago, minhas mãos tremiam e o medo me dominava. 

Fechei meus olhos pedindo baixinho para que ele ficasse bem, eu não podia perder meu pai. Eu tinha acabado de vê-lo, isso não podia acontecer.

Eu não conseguia expressar o que sentia, eu não conseguia fazer nada. Vi o Thiago se abaixando ao meu lado e me olhar. Eu me sentia tão culpada. 

Thiago: Não se culpe Ana – ele sabia o que se passava na minha cabeça – Ele vai ficar bem!

Eu não tinha essa certeza!

Em estado de choque, era assim que eu estava nesse momento. Pietro se aproximou de mim me consolando e ao escutar a sirene da ambulância eu me desesperei.

Eu não podia perde-lo. 

Pietro me abraçou dizendo que tudo ficaria bem e o Thiago conservava com os paramédicos, eu olhava meu pai e só queria que ele abrisse os olhos. 

Thiago: Ana? – ele se aproximou de mim e fez um carinho no meu rosto – Eu vou na frente – ele me abraçou – Pietro vai te levar – ao me soltar ele segurou minha mão – Preciso que seja forte flor do dia!

Ana: Eu não consigo.

Thiago: Consegue! 

Ele me deu um beijo na testa e saiu com os paramédicos, Pietro me chamou e eu fui com ele. Não reparei em como cheguei ao hospital, eu só pensava na saudade que eu sentia dos meus pais e em como hoje era pra ter sido diferente. Eu me sentia tão mal, meu pai estava assim por minha culpa. 

“Não se culpe Ana.” 

Eu escutava a voz do Thiago falando na minha cabeça, então eu passei a dizer também, uma hora eu acreditaria.

No hospital eu via o vai e vem das pessoas, algumas pessoas estavam preocupadas assim como eu, outras tentavam demonstrar que estavam bem. Tinha pessoas felizes, pois venceram o que tinha pra vencer.

Eu procurava o Thiago desesperada e quando eu o vi, corri ao seu encontro.

Ana: Sabe como ele está? – minha voz saiu trêmula – Thiago?

Thiago: Temos que esperar – ele fez um carinho no meu cabelo – Vem cá – fui para os seus braços – Temos que ter fé flor do dia!

Por mais que o hospital tivesse uma correria, tudo pra mim era silêncio. O silêncio da espera. 

Déjame dicerte Histórias para pegar e não largar. Descubra agora