CAPÍTULO DOIS

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╔╦══ ⋆ ⋆ ⋆ ✦ ⋅ ✩ ⋅ ✦ ⋆ ⋆ ⋆ ══╦╗
ᵃ ˢᵗʳᵃⁿᵍᵉʳ ᶦⁿ ᵗʰᶦˢ ʰᵒᵐᵉ
ᶜᵃⁿ'ᵗ ᵉᵛᵉʳ ᵇᵉ ᵃˡᵒⁿᵉ
'ᶜᵃᵘˢᵉ ᶦⁿ ᵗʰᵉ ˢʰᵃᵈᵒʷˢ ᵒᶠ ᵗʰᵉ ˢᵘⁿ,
ᵗʰᵉʳᵉ'ˢ ˢᵒᵐᵉᵗʰᶦⁿ' ᵍᵒᶦⁿ' ᵒⁿ
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Acordei com um cheiro maravilhoso de comida vindo da cozinha. Abri os olhos rapidamente e saltei da cama. Olhei para o relógio no criado-mudo: dez e vinte e sete. Era sábado. Não tinha aula.

Agradeci aos céus por isso. A última coisa que eu queria depois de ontem era ter que aturar professores e alunos insuportáveis daquela escola.

Eu estudava na Camsville High School. Praticamente todos os jovens da cidade estudavam ali, considerando que a única outra escola ficava a dez quilômetros da entrada de Camsville. Por isso, todo mundo se conhecia ao menos de vista - o que não era difícil, levando em conta que a cidade tinha exatamente 10.478 habitantes.

Enquanto ainda agradecia mentalmente por ser sábado, fui até o armário e peguei uma calça jeans velha e surrada, junto do meu suéter verde-acinzentado. O dia não estava tão frio quanto o esperado, o que era estranho, já que estávamos em novembro. Eu gostava de dias frios. Significava poder usar roupas compridas sem que ninguém se metesse.

Com o calor, eu já me preparava mentalmente para os olhares estranhos da minha mãe. Era isso ou deixá-la ver meus cortes - e eu realmente não queria dar a ela o desgosto de descobrir que tinha uma filha fraca e suicida.

Você deve estar se perguntando, neste exato momento, por que eu não conto tudo para a minha mãe.

Eu poderia listar milhares de motivos, mas os principais são vergonha e medo. Medo do que Anthony poderia fazer se eu trouxesse o assunto à tona. Medo de minha mãe não acreditar em mim e eu acabar virando a vilã da história.

Estou presa numa situação da qual não existe saída fácil. Se eu não contar nada, continuo sendo abusada física e emocionalmente por Anthony. Se eu contar, não faço ideia do que esse psicopata pode fazer comigo - ou com a minha mãe.

Quando estava prestes a entrar na cozinha, afastei esses pensamentos e coloquei um sorriso falso no rosto.

— Bom dia, dorminhoca. Dormiu bem? — minha mãe perguntou, com o sorriso bonito de sempre.

— Sim… maravilhosamente bem — menti, devolvendo o sorriso. — Hum, isso são cookies? Posso pegar um?

Antes mesmo de ela responder, roubei um da cesta sobre a bancada. Mamãe deu um tapinha na minha mão, fingindo estar brava.

— Esses cookies são para os novos vizinhos que chegaram ontem. Nada de ficar roubando — explicou, afastando a cesta de mim.

Assim que ouvi aquilo, a lembrança da noite anterior e da garotinha na janela voltou com força. Então ela não era um espírito. Era só… uma criança muito estranha.

Dei de ombros e peguei uma jarra de suco na geladeira, enchendo um copo.

— Como eles são? — perguntei depois de um gole de suco de morango.

— Não sei. Só vi o caminhão de mudança na frente da casa e deduzi que alguém tivesse se mudado.

— E se forem um bando de traficantes ou assassinos em série? — questionei, erguendo uma sobrancelha.

𝗖𝗥𝗔𝗭𝗬 𝗜𝗡 𝗟𝗢𝗩𝗘 ᵐᶦˡᵉˢ ᶠᵃᶦʳᶜʰᶦˡᵈOnde histórias criam vida. Descubra agora