-Disneylândia.

241 30 21
                                        

Minho ficou sabendo da internação de Jisung, se sentiu péssimo, queria se jogar na frente de um caminhão, mas não faria, por que tinha medo, não medo da morte, a morte chega pra todos, mas medo de deixar Félix sem um pilar, Minho era o pilar de Félix, era onde o mais novo tinha abrigo.

Quando se sentia mal, Félix ia pro quarto do mais velho e ficava lá, ouvindo música e contando as estrelas do céu do mundinho do seu irmão.

Ele se sentia em casa quando estava no quarto de Minho.

Mas não se sentia em casa quando estava realmente em casa.

Era como se o quarto do Lee mais velho fosse separado do resto do lugar, o quarto do ruivo passava tranquilidade, era alegre, as gatas davam um ar feliz ao ambiente, as luzes de neon roxas deixavam o local mais aconchegante.

Ele se sentia na Disneylândia.

Félix tinha tantos segredos quanto Minho, pode ser o mais novo, mas isso não o impedia de cair no mundão.

E ele sabia o que Minho escondia embaixo da cama.

Uma caixa com algumas drogas e cigarros, e ele sabia que o irmão usava aquilo com frequência, e sabia que não era porra nenhuma de infecção alimentar.

Ele sabia de tudo.

Ele sabia que Minho precisava de acompanhamento médico, mas se recusava a ir.

E isso era uma merda, por que além de Minho foder com o próprio corpo e psicológico, ele fodia com o de Félix.

Por que Minho era o pilar do mais novo.

A porra do pilar.

Dois dias atrás...

Minho chegou em casa após o passeio, e já previa algo ruim ao ver as luzes da sala ligadas, viu Félix assistir algum desenho na TV, então andou até a garagem, deixou a bicicleta lá e entrou, dando de cara com Irene na sala, o ambiente tenso e sem cor assustava Félix.

E Minho.

-Aonde você estava?-Irene perguntou em um tom frio.

-Eu fui andar de bicicleta.- respondeu no mesmo tom da mãe.

-Mentira, eu não confio em você, acha mesmo que eu não sei o que tem embaixo da sua cama?-Minho olhou para Félix que não tinha mais o foco na TV, agora o moreno olhava para o chão, nervoso.

-idai? Desde quando você liga?-Ele sabia que aquilo iria dar errado, mesmo assim, continuou.

-Cala a boca Minho, eu sou sua mãe.

-foda-se.-Ele se virou para subir as escadas, mas sua mãe pegou em seu braço e puxou para fora de casa, o jogando no quintal.

-Para mãe! Por favor!-Félix tentava parar a Lee, mas era tarde demais.

-PORRA, VOCÊ É A PORRA DE UMA FILHA DA PUTA, VAI SE FUDER!-Minho gritou e se levantou, aproximando-se da mãe com furia, essa que olhava fixamente nos olhos do ruivo.

-O que é Minho? É fraco demais pra bater em mim? Mete a mão, anda porra.-aquilo estava ficando intenso demais, e Félix estava com medo.

Minho olhou para a mãe e engoliu o choro.

-você é a porra de uma filha da puta que só da atenção para o seu trabalho e nem olha pro seus filhos, eu te odeio.

-Você me odeia? Eu ponho comida nessa casa todo mês, sozinha, por que você não tem capacidade de arrumar um emprego e me ajudar, então cala a merda da sua boca garoto!

-foda-se se você poem dinheiro na casa ou não, a gente poderia morar na rua, mas se tivéssemos seu carinho e amor, estaria tudo bem, mas olha só, a gente vive bem, não nos falta nada, e mesmo assim você implora pra mim ir ao médico, e minha capacidade reflete no meu psicológico, eu não vou dizer que estou bem, por que eu não tô.- então ele saiu dali.

Correu até seu quarto, com as mãos raladas e com o psicológico quebrado em pedacinhos.

Félix viu a mãe olhar o céu e deixar uma lágrima escapar.

Aquela merda estava intensa demais.

Ali era a Disneylândia invertida.
...

❛❛𝐌𝐄𝐃𝐈𝐂𝐈𝐍𝐄❜❜ ˢᵗʳᵃʸᵏᶤᵈˢOnde histórias criam vida. Descubra agora