𝙲 𝚊 𝚏 𝚎́ 𝚍 𝚊 𝚜 𝚜 𝚎 𝚒 𝚜

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" 𝙶𝚊𝚛𝚘𝚝𝚊, 𝚗𝚊̃𝚘 𝚙𝚛𝚎𝚌𝚒𝚜𝚎𝚒 𝚍𝚎 𝚖𝚞𝚒𝚝𝚘 𝚝𝚎𝚖𝚙𝚘 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚜𝚊𝚋𝚎𝚛 𝚚𝚞𝚎 𝚟𝚘𝚌𝚎̂  𝚖𝚎 𝚝𝚒𝚗𝚑𝚊."

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Desde criança, Jimin sonhava em ser alguém para alguém, ele sempre teve um sentimento puro em seu coração que aguardava ansioso por alguém. Tão jovem mas tão sábio, ele era como um anjo caído cujo as asas foram cortadas no momento em que pisou na Terra, as vezes triste e confuso mas sempre com seu lindo sorriso no rosto. No fone tocava uma de suas músicas favoritas da banda japonesa One ok Rock, We Are era uma espécie de conforto para Park quando corria pela cidade. No passado, tivera momentos realmente dolorosos. Seu lindos olhos escondiam tantas coisas as quais ninguém jamais imaginaria.
O sol se pondo o fez se recordar de bons momentos de sua vida, de seu aniversário de dezoito anos junto dos velhos amigos os quais acabou por deixar para trás na capital Sul coreana.

A mente do rapaz agora vagava para longe dele, mais especificamente para a forma como Aza o tratava, como se os dois se conhecessem a anos.
Quando a viu, logo soube de que não seria algo simples, mas sim complexo, duradouro e perfeito, talvez intenso demais para ser suportado pelos dois. Park realmente sentiu algo pela garota assim que a viu no elevador, como se o seu coração dissesse "É ela cara! Se a deixar escapar eu mato você!". Seus pensamentos em relação a nova amiga eram os mais sinceros possíveis assim como os sentimentos sobre ela que agora ocupavam uma parte considerável de seu pobre coração. Retirou o celular do bolso e fotografou aquele lindo pôr do sol, sorriu olhando para a foto que acabara de tirar, um momento tão aleatório acabou tendo uma enorme significância para ele. Mudou o título da foto para O dia em que te conheci. Ele agia como um adolescente apaixonado pela garota novata.
Quando olhou para o outro lado da rua, percebeu que era a noite de inauguração de um pequeno café.

Seus pensamentos automaticamente foram direcionados a Aza, sem hesitar abriu o chat do Instagram a chamando.

𝙾 𝚚𝚞𝚎 𝚊𝚌𝚑𝚊 𝚍𝚎 𝚝𝚘𝚖𝚊𝚛𝚖𝚘𝚜 𝚞𝚖 𝚌𝚊𝚏𝚎́?

𝚅𝚘𝚌𝚎̂ 𝚎́ 𝚊𝚙𝚛𝚎𝚜𝚜𝚊𝚍𝚘. 𝙽𝚘𝚜 𝚌𝚘𝚗𝚑𝚎𝚌𝚎𝚖𝚘𝚜 𝚑𝚘𝚓𝚎 𝚍𝚎 𝚖𝚊𝚗𝚑𝚊̃!

𝙽𝚊̃𝚘 𝚎́ 𝚞𝚖 𝚎𝚗𝚌𝚘𝚗𝚝𝚛𝚘, 𝚚𝚞𝚎𝚛𝚘 𝚊𝚙𝚎𝚗𝚊𝚜 𝚌𝚘𝚗𝚑𝚎𝚌𝚎𝚛 𝚖𝚒𝚗𝚑𝚊 𝚗𝚘𝚟𝚊 𝚊𝚖𝚒𝚐𝚊, 𝚌𝚛𝚎𝚒𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚗𝚊̃𝚘 𝚜𝚎𝚓𝚊 𝚊𝚕𝚐𝚘 𝚎𝚛𝚛𝚊𝚍𝚘...

...𝙾𝚔𝚊𝚢, 𝚜𝚎𝚒 𝚘𝚗𝚍𝚎 𝚎́, 𝚎𝚜𝚝𝚊𝚛𝚎𝚒 𝚎𝚖 𝚏𝚛𝚎𝚗𝚝𝚎 𝚊𝚘 𝚌𝚊𝚏𝚎́ 𝚍𝚊𝚚𝚞𝚒 𝚝𝚛𝚒𝚗𝚝𝚊 𝚖𝚒𝚗𝚞𝚝𝚘𝚜.

Park sorriu para a tela luminosa e bloqueou o aparelho correndo o mais rápido que conseguia para o pequeno apartamento em que morava.
Ele disse que não se tratava de um encontro mas lá no fundo eles sabiam que era isso sim, tudo o que Jimin queria era passar mais tempo com Aza, conhecer a dona dos belos poemas e da picape velha vermelha, a dona daqueles olhos um tanto caidinhos por conta do sono. Uma música do Elvis Presley preenchia o quarto de Jimin, dançava sozinho enquanto colocava roupas apresentaveis para a ocasião. Era apenas uma saidinha entre amigos, saidinha essa que já o deixava ansioso demais, fala sério ninguém fica tão ansioso para sair com uma amiga. Olhou-se no espelho ajeitando os fios de cabelos rebeldes, buscaria Aza se soubesse exatamente qual era a casa da garota, mas não sabia nada além de que ela morava algumas esquinas a frente do mercadinho em que trabalhava.
Pegou as chaves do carro e saiu feliz até o estacionamento do prédio onde morava.

Nunca esteve tão animado para encontrar alguém, o café não estava muito cheio para o dia da inauguração. Ele então a viu, muito diferente de antes. Vestia um lindo vestido florido que ia até alguns dedos acima do joelho, o cabelos soltos voavam com a pouco brisa que batia em seus fios. Park estacionou e saiu do carro sorrindo indo ao encontro de Aza.
─ Demorei muito?─ perguntou se aproximando da garota.
─ Não eu havia acabado de chegar.
─ Está bonita neste vestido Aza.─ falou ele sorrindo fazendo as bochechas da garota esquentarem.
─ Obrigada Jimin, você também está bonito. Vamos entrar?─ Park sorriu e agradeceu pelo elogio.
Sentaram em uma mesa no centro do café recebendo alguns olhares, na verdade, Jimin era quem atraía grande parte dos olhares. Afinal quem não olharia? Era tão lindo que as pessoas poderiam até ficar tontas.
Não demorou para que fossem atendidos.
─ Bem vindos ao café da seis, já decidiram o que
querem?─ perguntou uma senhora sorridente.

─ Eu quero uma fatia de bolo de cereja e um café cremoso por favor.─ disse Aza.
─ Uh eu gostei disso, irei querer o mesmo por favor.─ Jimin disse enquanto sorria para a senhorinha.
─ Como consegue sorrir tanto?─ perguntou Aza.
─ Eu não sei, minha mãe diz que eu nasci sorrindo.
A conversa em Aza e Jimin fluía naturalmente, era difícil no dias atuais fazer algo do tipo já que todos nascem alienados a uma tela brilhante. Tantas coisas se tornaram tecnológicas, até mesmo o amor se tornou um sentimento avulso entre milhares de outros.
─ Eu pensei que esse café seria doce!─ falou Jimin.
─ O veja como uma pequena porção do lado amargo da vida, como se fosse um preparativo para pequenos conflitos, logo se trata da realidade.─ Jimin ficara surpreso com as palavras de Aza.
─  Wow, não sabia que a Aza poetisa viria.
─ Ela esteve trancada naquele porão por um bom tempo, acho que agora ela está começando a se sentir mais segura.─ disse Aza antes de beber um gole do café amargo repleto de espuma por cima.

─ Como assim, trancado no porão?
─ Eu passo mais tempo na parte de baixo da minha casa para evitar encontrar meu pai. Ele odeia tudo o que envolva poesia.─ Jimin logo percebeu em que situação Aza estaria.
O apoio dos pais em momentos decisivos é crucial para que uma boa tarefa seja realizada, e Aza não possuía todo o apoio que necessitava.
─ Não querendo ser invasivo mas, por quê?
─ Eu não sei direito, desde a morte do meu avô ele ficou assim com o coração frio como gelo. Minha mãe é quem aguenta o humor maravilhoso do meu pai, e eu de qualquer forma sou a filha pesadelo dele.─ falou Aza retirando um pequeno peso das costas, ela não sabia que precisava falar aquilo para alguém até falar.
Jimin percebeu ali que Aza era apenas um anjo caído, a conhecia, literalmente, por apenas algumas horas. Ficou com certo medo de ser algo rápido demais e temporário, ela era incrível demais para ser apenas algo passageiro.

Aquele café, simples e acolhedor deu aos dois um motivo para conversarem por horas e horas a fio. O nome criativo e ao mesmo tempo sincero arrancou de Aza e Jimin boas risadas, literalmente abria as seis da tarde e fechava as seis da manhã, como se fosse algo escondido.
Ambos poderiam passar muito mais tempo naquele local, mas Aza nunca foi de passar a madrugada fora, a mãe as vezes reclamava por ela quase nunca sair de casa, qualquer oportunidade de a chutar para fora ela o fazia.
─ Sou digno de ter seu número de telefone agora?─ perguntou Jimin ao estacionar na frente da casa de Aza.
─ Ainda há alguns assuntos pendentes. Até qualquer dia Jimin.─ ditou sorrindo fraco.
Saiu do carro e entrou dentro da casa animada, agradeceu por não encontrar o pai sentado na velha poltrona enquanto assistia a um jogo de futebol qualquer.
Ao passar pelo quarto dos pais, ouviu uma curta conversa.

─ Glória, sei que não tenho sido um bom marido e nem um bom pai. Me desculpe por ser assim minha querida.─ ela acabou travando na hora.
A mãe de Aza não o respondeu, provavelmente por estar dormindo. A garota sentiu uma ponta de esperança emanar de seu peito, vai ver seu pai ainda tinha salvação.

" 𝙷𝚊́ 𝚊𝚕𝚐𝚘 𝚎𝚖 𝚖𝚒𝚖 𝚚𝚞𝚎 𝚖𝚎 𝚒𝚖𝚙𝚎𝚍𝚎 𝚍𝚎 𝚜𝚎𝚛 𝚚𝚞𝚎𝚖 𝚜𝚘𝚞."

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