Nathaniel On
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Cheguei no prédio do Polo. Fiquei uns 10 minutos no interfone, o arrombado demorou pra caralho pra atender, até o porteiro se estressou com isso. Ele finalmente atendeu e me mandou subir. Subi com todo ódio do mundo, eu ia comer aquele garoto na porrada hoje. Como se não bastasse, fiquei 2 minutos na campainha. Desisti de ficar ali, dei meia volta e quando 'tava no meio do corredor ouço a porta abrir. Ouço os passos dele vindo até mim.
- Ei, ei, ei, desculpa. - ele pega no meu braço rindo e ofegante.
Faço cara de tédio 'pra ele e espero ele dar seus motivos.
- Tava preparando um negócio 'pra você. Vamo' entrar. - ele pede.
- Você sabe que eu não vou dormir aqui hoje, né?!
- Ah, sério? Mas enfim, do mesmo jeito, vamos.
Deixei ele me levar e entramos no apartamento dele. Era tudo organizado ali, estranhei, ele não parecia alguém tão organizado como está esse lugar. Coloco minha mochila no sofá dele e o olho.
- Então...?? - pergunto.
Ele estava com cara de ansioso quando eu entrei, mas quando eu perguntei vi a cara de ansiedade dele se apagar rapidamente.
- Sério, Nathaniel? - ele pergunta.
- Sério o que? - pergunto confuso.
- Eu arrumei a casa por você. Você sabe o quão é complicado isso? "Arrumar a casa", essa não me parece a frase que eu falaria. - ele diz.
Eu ri.
- Olha, eu estranhei, mas, você não faz isso 'pra todas as visitas?
- Que visita, caralho? Minha mãe queria que eu estivesse preso, ou talvez morto. Meus "amigos" não querem saber da minha existência. - ele começa a listar as coisas.
Eu olhei de deboche 'pra ele, sabendo que era drama.
- Enfim, o que você quer fazer hoje? - ele pergunta me olhando.
- Você me chama 'pra sua casa e não sabe o que eu vim fazer aqui?
- Um boquete? - ele pergunta.
QUÊ?
- To de 'zoa, desgraça. Eu sei que você veio fazer um almoço 'pra mim. - ele fala relaxado.
COMO ELE TÁ RELAXADO DEPOIS DO QUE ELE FALOU?
- Mas já está de noite. - digo.
- Então vai ter que ser o boquete mesmo. - ele diz sério.
A gente se olha e começa a rir. Percebi que não ficou um clima pesado depois dessa, eu talvez me acostumasse com as piadas do Polo uma hora ou outra.
21:30
Conversamos bastante, e ficamos discutindo enquanto assistimos sobre se eu dormiria ali ou não.
- Mas, por que você quer tanto que eu durma aqui? - pergunto sentado ao lado dele no sofá.
Ele me olha e fica uns segundos em silêncio.
- Sei lá, é sempre bom uma companhia né?! - ele diz e sorri voltando o olhar a TV.
- Vou ligar 'pro meu pai. - digo e me levanto.
Vou 'pra um lugar da casa mais afastado. Pego meu celular, repensando várias vezes se isso seria uma boa idéia.
Ligação On
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O Crime Confessado - ELITE -
Ficção AdolescenteE se a Carla confessasse o crime do Polo? "- Tudo que ela disse é verdade. - Me surpreendi com o fato dele ter assumido. Olhei para a cara dos meninos e os três sorriram para mim, olhei para a da minha mãe e ela também estava orgulhosa por eu ter c...