Poema 23 - Sobre o primeiro amor

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Você se foi como todos os outros, mas você era diferente.
Você ficaria pra sempre.
Você disse que não iria. Nunca.

Eu te dei tudo que eu tinha, tudo que eu era.
Cada pedacinho.
Não havia nada que fosse meu.
Éramos apenas um.
Eu te contei tudo, sobre tudo que eu era, que eu sempre fui, que eu queria ser.

Nós crescemos como uma coisa só.
Nos moldamos com tal simetria que não sabíamos onde um começava e outro terminava.
Nós fomos o mundo.

Você sabia coisas sobre mim que eu nunca disse a ninguém.
E você, bom,
Não havia nada no mundo que fosse melhor que você.
Até que você se foi, como todos os outros depois.

Você me partiu em tantos pedaços que até hoje eu não me encontrei.
Eu tentei, tanto e tantas vezes, mas não consegui.

Hoje você tem alguém que está ao seu lado, provavelmente, agora.
Vocês se amam, você nem lembra de mim, como eu não lembro de você.

Eu te dei cada pedaço de mim, foram tantos que quando você se foi,
Não restava nada de mim.
Desde então
Tenho procurado minhas partes por aí.
Uma a uma o mundo tem me devolvido.
Eu venho me reconstruindo desde então.

Você nem me reconheceria, acredite.
Você não faz ideia do quanto eu (me) mudei.

Quando eu acabar, quando o mundo tiver me ajudado a me refazer, eu serei uma nova pessoa.
E você estará em mim, nos pedaços seus que ficaram aqui, assim como de todos os outros.

Toda Poesia Que Me Brota Do PeitoOnde histórias criam vida. Descubra agora