Capítulo 5

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Não só eu, mas todos na recepção do edifício pararam para ouvir a notícia no monitor.

"A bactéria Streptococcus evoluiu e tornou-se imune a antibióticos. — um jornalista de terno anunciou austeramente. — Nesta terça-feira foi descoberta uma nova doença bacteriana. A espécie pyogenes, causadora de inúmeras enfermidades como faringite e escarlatina, agora está afetando os tecidos internos das vítimas.

A primeira diagnosticada foi uma mulher de 34 anos, que apresentou pequenas feridas nas orelhas e no couro cabelo. Após exames clínicos realizados pelo hospital San Jose, em Atlanta, comprovou-se a existência de úlceras internas no esôfago da paciente.

Cientistas afirmam que a espécie já existente, se tornou resistente a macrolídeos e a nanopartículas. Os antimicrobianos já não funcionam. As causas desta mutação ainda não são muito esclarecedoras, mas médicos dizem que a evolução pode ter sido dada por bombas de efluxo ou alterações na permeabilidade da parede celular.

A comunidade médica pede a todos que apresentarem algum desses sintomas, que recorram a uma unidade de saúde. Entre os possíveis sintomas estão: febre, dores abdominais, náuseas e vômito, e principalmente, lesões nas regiões da orelha, couro cabeludo, boca e garganta. Ainda não se sabe se esta é uma doença contagiosa, mas tudo indica que as possíveis formas de contaminação sejam ingestão, inalação de gotículas de saliva, ferimentos na pele e contato sexual.

Nós estamos ao vivo com a repórter Kimberly Parker em frente ao Hospital San Jose, em Atlanta. Senhorita Parker, pode nos dizer como estão as coisas por aí?" 

 Logo a figura de uma moça loira surgiu na tela. Ela estava em frente ao hospital onde Astrid trabalhava, rodeada por pessoas.

"Olá, John Smith! — saudou. — A situação por aqui não é das melhores! Desde o aparecimento dos primeiros casos desta nova doença, o hospital San Jose não para de receber novos pacientes com sintomas semelhantes ao da mulher de 34 anos. Se este fluxo de pessoas continuar, logo mais o hospital terá de começar a encaminha-las para outros locais de atendimento.

Por aqui, muita gente está preocupada. A gestão do hospital está analisando a melhor forma de atender a todos. Voltando a repetir: caso alguém esteja sentindo algum sintoma, procure uma unidade de saúde!".

O jornalista John Smith voltou.

"Obrigada, Kimberly! Voltaremos logo com mais informações".

Na recepção, pairava a respiração profunda de todos e um tangível silêncio.

— Vem! — Aaron me chamou baixinho e começou a me puxar pela mão, tirando-me do transe.

Do lado de fora ele me fitou.

— O que está acontecendo? — perguntou preocupado.

— Eu não sei, Aaron... Será que devo me preocupar?

— Fica calma! — ele pediu.

O celular começou a vibrar dentro do meu bolso. Astrid.

— Oi, Astrid! — cumprimentei. Aaron me olhava atentamente.

— Como você está, Chloe? — a mãe de Aaron quis saber.

— Estou bem! — coloquei a ligação no viva-voz.

— Aaron está com você aí? Estou tentando ligar para ele, mas sem sucesso.

— Diz que meu celular está no modo silencioso. — Aaron sussurrou.

— Eu estou ouvindo você, Aaron Josh! Para que comprou esse celular se não me atende?

— Calma, mãe! — Aaron disse risonho.

Garota X: O Gene da CuraOnde histórias criam vida. Descubra agora