Capítulo 5

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Eu inspiro fundo mais uma vez, rogando para que o vento venha a meu favor de novo. Uma vez mais apenas. Para trazer o perfume de Aaron até mim.

Ele tem um cheiro ótimo, que lembra obscuridade com magnetismo. É suave e forte; amadeirado e eletrizante. Muito masculino. Mais impactante que qualquer perfume que já senti. Mais marcante de que qualquer outro homem.

Estamos andando há alguns cinco minutos, lado a lado, pela mesma calçada da lanchonete. Está um clima gostoso da noite e as pessoas circulam distraídas. Já soltei os cabelos, para que cubram e aqueçam minhas orelhas. Quanto a nós, nenhum dos dois sabe o que dizer.

Eu não me sinto uma errada, estranhamente confessando. Sei que tenho um noivo que está viajando para trabalhar e não sabe que estou andando pela rua com um estranho; mas não é nada fora do comum. Aaron e eu estamos somente conversando amenidades e nos distraindo. Não tem nada a ver com nada.

— Sua família mora no Queens também? — resolvo perguntar.

Aaron respira fundo, de um jeito que o possibilita dar uma risada no fim, mas completamente desmotivada.

— Eu não tenho uma família — responde, então fica em silêncio. Eu o olho, arrependida de ter perguntado. Mas então ele continua: — Posso ter algum parente, mas não cheguei a conhecer. Meu pai morreu há seis anos, em um acidente no trabalho. Não tenho irmãos, e minha mãe me deixou com o meu pai.

Aaron não parece abalado por me contar esse absurdo. Ele só diz, como se estivesse me dizendo uma coisa qualquer. É intrigante, porque é uma tristeza. Não ter ninguém e viver assim. Porém, não faço a linha invasiva e, se ele já me disse isso, é porque não há mais o que contar.

Opto pelo silêncio, esperando-o quebrá-lo. O que não demora a acontecer.

— Você tem irmãos? — ele devolve.

Fixo os olhos no caminho, porque olhá-lo vez ou outra me faz notar a nossa diferença de altura – ele é tão mais alto que eu – e, com isso, perceber que seu andar é firme e certo, como se Aaron soubesse o próximo passo antes de dá-lo. E seu maxilar e os ombros largos o deixam com uma postura protetora.

Não que eu saiba explicar isso que agora me ocorre, mas percebo que estar ao seu lado me faz sentir protegida. É uma coisa esquisitíssima, porque nunca senti isso. Não me lembro de me sentir protegida com alguém depois de adulta. Não sabia que gostaria de sentir.

— Tenho dois — respondo após um tempo mergulhada em meus próprios pensamentos. — Logan e Santiago. Eles vivem suas próprias vidas.

— Isso é bom?

Eu o olho ao perceber seu tom de riso.

Sorrio de volta.

— É bom, por quê?

— Você pareceu desanimada ao falar.

— Você observa bastante — comento, gostando disso. — Tenho saudades do Santiago. Ele não nos visita muito e, principalmente, odeia meu noivo.

— Por que ele odeia o pobre Sean?

Aaron está sendo irônico, e sei disso pela forma que ele usa o "pobre" antes do nome do meu noivo. Isso não me abala, de qualquer forma. Porque Sean não faz muito por onde ser adorado ao menos por minha família. Ele não precisa, porque tem muito dinheiro. Isso basta. Para ambos.

— Santiago o acha esnobe demais para mim — confesso. — Mas eu não acho que Sean seja esnobe, somente ganancioso.

Aaron ri baixinho. Eu o olho.

À Prova do Amor #1 (NA AMAZON)Onde histórias criam vida. Descubra agora