25 - O pior dos meus infernos

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Billie narrando

Começamos a caminhar até chegarmos em uma escada. Lexi parecia nervosa, mas acho que era normal levando em consideração que aquele era o refúgio dela...

Assim que começamos a subir senti o ar começar a pesar. Ficou difícil respirar, pensar ou até suportar o fato de ver aquele lugar daquele jeito e não imaginar as cenas acontecendo.

- Eu geralmente vinha pra passar uma ou duas semanas sozinha, então já vinha preparada pra ou acabar com tudo ou tentar me lembrar dos motivos que eu ainda tinha pra continuar... A partir daqui as coisas ficam complicadas, então se quiser sair me avisa, tá? - Assinto notando a preocupação da morena e continuo seguindo ela escada acima.

Haviam versos escritos em papéis jogados por toda a escada, garrafas vazias e algumas até quebradas.

- No meio desses papéis devem ter no mínimo umas trinta carteiras de cigarro e algumas lâminas, então não se assusta! - avisa.

Vou observando cada degrau que deixamos pra trás.

Pra muita gente aquilo podia parecer só uma escada cheia de lixo.

Mas não pra mim.

Eu estava andando por um momento escuro, deprimente e assustador da vida da pessoa que eu mais amei até hoje... e aquilo parecia me consumir da pior forma possível por não ter entrado ali quando tudo aconteceu.

- O que é isso? - pergunto apontando para uma pequena bolsa no canto de um dos degraus.

Ela se abaixa, pega e encara por alguns segundos.

- De todos os tipos...

Abre me mostrando o conteúdo por apenas um instante antes de guardar de novo e continuar subindo.

- Eu costumo dizer que esse é o andar da desgraça. Como no último ano eu vinha na maioria das vezes nos meus piores momentos, acabava que eu tava chapada ou bêbada demais pra continuar subindo, então ficava por aqui. Você vai conseguir ver a diferença de um andar pro outro quando subirmos...

Entramos em um espaço gigantesco.

Assim como no quarto dela, haviam frases, letras completas, versos e desabafos escritos pelas paredes. Alguns desenhos eram assustadores, outros só tristes. Violões e guitarras estavam espalhados pelo lugar.

- Passei um tempo sem conseguir escrever letras que a gravadora autorizasse lançar, mas escrevi muitas. Na verdade eu diria que o último ano foi o mais produtivo mentalmente pra minha carreira. Tenho sete álbuns prontos só nessas paredes, mais uns três nos papéis espalhados por aí!

Encaro ela surpresa.

- Bom... álbuns pesados! Já considerei vender tudo pra algum grupo de rock qualquer! - fala rindo.

Mesmo naquela situação ela ainda conseguia brincar.

- Esse quarto eu mandei reformarem pra ter um certo conforto quando viesse pra cá, então provavelmente vai ser a única coisa relativamente nova desse andar.

Ela abre a única porta e entro atrás.

- A conta de luz deve estar cara, hein? - brinco apontando pra TV ligada.

Ela ri.

Começo a prestar atenção no volume baixo e reconheço a voz dela. Lexi desliga rápido, provavelmente sem perceber que eu tinha escutado.

- Tem uma coisa sua que eu preciso devolver!

Ela vai até a cama e pega algo.

- Antes que pergunte: não, eu não tava no show. Fui com a Lauren buscar a irmã dela sem nem saber que era seu, mas paguei muuuuito bem pra fã vender pra mim!

come back to me...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora