Rachaduras

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Ele nunca tinha sido convocado para este departamento antes. Normalmente, se Lorde Freeza tinha uma mensagem ou missão para Vegeta, era passada via digital ou mensageiro. Receber uma convocação direta diretamente da sala do trono do tirano não cheirava bem. Todas os tipos de possibilidades malucas passaram em sua mente, a maior parte terminada em execução, mas ele as afastou. Ele tinha sido promovido a capitão horas atrás, certamente ele não tinha conseguido sua sentença de morte ainda, certo?

Sua partida com Dodoria tinha sido naquela manhã e ele mal tinha tido tempo de trocar a armadura suja de sangue por algo respeitável antes que sua presença fosse requisitada por um lacaio tremulo. Então ele foi, através do terceiro e segundo anéis do complexo de Freeza até que ele caminhou, com um ar de confiança que ele não sentia, pelo círculo central do palácio de Freeza. Ele já tinha estado ali quando criança durante visitas Reais com seu pai e resolveu confiar mais nestas vagas memorias do que perguntar a um servo por informações. Ele nunca tinha visto enquanto adulto, nunca fora considerado importante o suficiente.

Para seu alivio, o salão do trono em si estava no mesmo lugar onde sempre esteve. As altas portas duplas fechadas e guardadas por soldados do Freeza. Sua armadura era de um nível maior do que a dos soldados comuns, refletindo suas posições na área pessoal de Freeza. Ele parou em frente a eles, incerto do protocolo, e esperou com braços cruzados. Eles olharam através dele, como se ele não estivesse lá. Depois de quase um minuto de seu impasse mudo ele suspirou, dando um passo a frente.

-Informe seu mestre, eu cheguei. – Ele arriscou.

-E você é? – Um deles olhou para ele com uma sobrancelha levemente erguida, enquanto o outro deu um sinal de interesse.

-Príncipe Vegeta. – Ele grunhiu, sentindo seu sangue ferver com o insulto. Mas após um instante a raiva já parecia distante, como se ele a estivesse sentindo através de um filtro. Isso acontecia regularmente, recentemente, a força da raiva, nojo e até prazer não eram mais do que uma pulsação abrupta. Ele estava insensível aos impulsos e a maré de seu próprio coração.

O soldado fungou e entrou na sala do trono. Vegeta não enxergou o interior mas aguardou fora na companhia do soldado restante que parecia determinado a não reconhecer sua existência. Soldados do palácio, Vegeta notara, fariam bem em tomar como exemplo os soldados do segundo e terceiro anel que ficavam em posição de sentido quando passavam por ele.

O outro soldado retornou e abriu as portas.

-Lorde Freeza irá vê-lo. – Ele disse rapidamente antes de retornar ao seu posto.

Ele se concedeu um momento para respirar fundo antes de entrar na sala do trono.

Lord Freeza, imperador da galáxia e usurpador de mundos, repousava ociosamente em seu trono com um copo de vinho. Ele estava no meio de uma conversa com um mal-humorado e submisso Zarbon a sua direita. Vegeta achou que a cena ficava estranha sem Dodoria ao lado esquerdo de Freeza. Era um cômodo impressionante. As janelas panorâmicas atrás de Freeza mostrava o patético sol que agraciava o céu do meio dia do Planeta Cold, e os altos tetos abobadados eram ornamentados com gravações assim como os pilares que os sustentavam. Ele estranhou o gosto e moderação de Freeza, notando a falta de elegância nos moveis e ornamentos.

Ao que parecia uma distancia apropriada, Vegeta se ajoelhou com o punho esquerdo sobre seu peito em uma saudação tradicional.

-Meu senhor, você me chamou? – Ele questionou, encarando o chão de mármore.

-Hum? – Freeza se virou como se não tivesse notado a aproximação de Vegeta, um gesto ridículo que os dois sabiam ser proposital mas que ele insistiu em fazer do mesmo jeito. – Oh sim, meu pequeno príncipe. Eu queria dar uma palavra com você. Se levante, sinta-se a vontade.

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