Capitulo 17 - Familia

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Wanda sentiu a grama sobre os seus pés, aquela era uma das melhores sensações do mundo para ela, o cheiro das bolachas de gengibre e canela saíram da casa tomando conta do ambiente, passar esse tempo ali com Agatha, a mulher nesse tempo a ajudava a entender a grande bagunça que sua mente tinha se tornado, ela sabia que estava incompleta e que sua mente faltava muitos pedaços e aquilo tornava tudo muito mais difícil, ela queria amar seus filhos mas tinha dias que ela nem mesmo os reconhecia muito bem o que tornava cada vez mais dificil a convivencia, ela tinha pessoas ao seu lado que se diziam amigos mas ela nem ao menos sabia se podia confiar neles, eles era rostos com nomes em sua mente mas sem lembrança nenhuma de uma vivência, todos tentaram lhe contar histórias, despertar memórias, mas nada parecia fazer sentido, então, ela sempre fugia para aquele lugar que se tornou seu refúgio, a casa de Agatha era silenciosa e calma e era o único lugar que sua mente se acalmava, ela pegou um dos biscoitos quando Agatha se sentou ao seu lado dando um sorriso caloroso para a menina

-Estão ótimos-Disse ainda de boca cheia-Poderia comer isso o dia todo

-Que bom que gostou querida, tem feito o que te pedi?-

Wanda bufou e largou o resto do seu biscoito irritada, ela odiava os exercícios que Agatha a obrigava fazer todos os dias, ela dizia que era uma forma de recriar suas memórias mas como sempre tudo parecia uma perda de tempo, Wanda passava seus dias relembrando fatos da sua história como a morte de seus pais e ate mesmo de Pietro, ou a que ela mais insistia ultimamente sobre os gêmeos, e aquela era a parte que mais a afetava ultimamente, ela sentia que eles precisavam mais dela e Wanda sabia que tinha estado muito distante deles os meninos sempre tentavam dia após dia fazer os dias de Wanda fossem melhor, seja com palavras, gestos ou atitudes e isso fazia ela se sentir a pior mãe do mundo, quando ela voltou do seu coma, apenas alguns fragmentos de memórias ainda restavam dentro dela e eram partes que ela tentava manter, ela se lembrava de quando os gêmeos tinham nascido, assim como lembrava da dor que teve naquele dia tendo eles arrancado dela, eles tiraram os dois dela ainda muito cedo com medo de que sua barriga crescesse e alguém descobrisse os abusos, apesar de Wanda estar no seu sexto mês de gravidez e sua barriga ainda não ser grande o suficiente eles decidiram que o desenvolvimento dos gêmeos deveria continuar fora de seu corpo, ela ainda tinha viva na memória ambos muito magros e sem forças, seus corpos ainda em formação sendo levados para longe dela, ela temeu que a vida deles pudesse ter sido interrompida após isso mas todas as noites ela pedia que se eles escutassem ela, que eles viessem até o seu encontro, ela pedia desculpas também por não poder protegê-los já que era sua função como mãe livrar eles de todo mal.

-Não fique impaciente, sabe que faço isso pro seu bem-

-De que adianta, todo mundo vai continuar decepcionado comigo mesmo-

-Eles não estão decepcionados, só querem ajudar e não sabem como-

-Voce sabe o que penso sobre tudo isso-

Wanda se encolheu em seus proprios braços, já era uma grande tortura encontrar todos os seus supostos amigos e ver eles se lembrarem de coisas que ela nem fazia ideia de que existiam, ela se esforçava dia apos dia e sempre buscou sorrir, tentou mostrar que estava bem com tudo isso mas ela nao estava, o pior é que ela sentia que estava magoando uma pessoa mais do que tudo, Natasha, ela se lembrava do olhar da mulher no noite do hospital quando ela nem ao menos lembrava o nome da mulher, a magoa que ela ficou depois a consumiu, ela sentia que tinha algo em especial com ela mas nao conseguia resgatar aquilo, os gemeos estavam sempre perguntando pela mulher que desapareceu a meses sem dar nenhum tipo de resposta para os amigos, a não ser por aquela noite na qual Wanda estava em sua cama e não conseguia pregar os olhos, o telefone tocou uma, duas, tres vezes, mesmo ignorando os toques aquele barulho era persistente, quando Wanda se rendeu em atender o telefone quem estava do outro lado da linha era Natasha, a voz ofegante era possivel perdeber o quanto ela chorava, sem reação ela esperou em linha escutando os soluços

Madness (Wantasha)Onde histórias criam vida. Descubra agora