XX. Todo Va a Estar Bien.

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Marco cresceu em uma casa cheia de amor

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Marco cresceu em uma casa cheia de amor. Seus pais, Maria e Gilberto, sempre deram o exemplo do que é uma família unida. A casa não era grande, mas era um lugar onde o carinho transbordava de todos os cantos. Claro, como qualquer casal, eles também brigavam, mas o que valia mesmo era o jeito com que sempre se reconciliavam, como se as brigas fizessem parte de uma história que só fortalecia o amor entre eles.

Quando Marco tinha quinze anos, a mãe dele faleceu de forma repentina, e aquela dor o fez começar a questionar tudo sobre o amor. Como alguém pode amar tão intensamente e, ainda assim, perder? Ele via o sofrimento do pai, que, apesar de amar Maria com toda a sua força, ficou marcado pela perda. A dor parecia não ter explicação, e Marco se perguntava se fazia sentido se entregar tanto a algo que poderia ser arrancado de você a qualquer momento.

Gilberto, porém, tentava mostrar um outro lado.

A vida sem amor é vazia, filho. O amor é o que nos dá forças para viver as melhores experiências. E o amor da família é o mais forte de todos. — O tom do pai era calmo, mas cheio de verdade. Marco, com os olhos inchados de tanto chorar, ouviu aquelas palavras, mas a dor ainda falava mais alto dentro dele. Era o primeiro aniversário da mãe sem ela. — A vida é assim. Às vezes perdemos pessoas, mas isso não pode fazer a gente fechar o coração para o amor.

Marco ficou em silêncio por alguns segundos, sua raiva crescendo de novo, como se a dor o impedisse de ouvir o que o pai dizia.

Você amou a mamãe, Igor e eu amávamos ela... E ela morreu. — A voz dele estava amarga, como se as palavras saíssem sozinhas, cheias de frustração.

Gilberto suspirou, um sorriso cansado no rosto.

É, filho. Ela se foi. Mas já pensou no que seria das pessoas se deixassem de amar só porque têm medo de perder? O nosso amor gerou vocês dois. E eu posso garantir que valeu a pena.

Com o tempo, Marco foi entendendo. Aprendeu a aceitar que a vida é assim, cheia de altos e baixos, que a dor é inevitável, mas o amor é o que nos dá forças para seguir. Ele queria construir algo parecido para a própria vida, uma família com alguém que ele amasse de verdade, alguém com quem pudesse dividir tudo. Teve relacionamentos que não faziam sentido, e mesmo que gostasse, nunca teve a certeza do que sentia.

Até o dia em que ele conheceu Chiara.

Ela virou tudo de cabeça para baixo. O que antes parecia incerto agora estava claro como cristal. Quando ele soube que ela também sentia o mesmo, a dúvida e o medo desapareceram. Agora ele sabia: seu pai estava certo.

— O que deu em você?

A voz de Igor interrompeu seus pensamentos. Ele se sentou ao lado do irmão no sofá.

— Como assim? — Marco franziu o cenho, um pouco desorientado.

— Você tá em outro mundo, parece que aconteceu alguma coisa.

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