Prólogo.

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MADRID, 2016

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MADRID, 2016.


A casa estava silenciosa naquele momento. O único som que Chiara conseguia ouvir era o eco da sua própria respiração pesada. Estava sentada naquela cama olhando para as próprias mãos há algum tempo, talvez tenha se passado trinta minutos ou uma hora, ela não estava contando. Suas mãos trêmulas estavam entrelaçadas uma na outra, na tentativa de se acalmar, mesmo sabendo que não funcionaria.

Isso não deveria estar lhe afetando tão profundamente assim, já que ela sabia que aquele momento chegaria. Ela não deveria estar se sentindo já tão vazia e, definitivamente, não deveria estar pensando em ficar — era uma decisão imprudente, mesmo que pudesse parecer tentador e muito certo.

Sua volta ao Brasil já havia sido adiada duas vezes, a primeira em razão de um campeonato importante que seu irmão, e obviamente Marco também, iria jogar e Chiara queria muito estar presente. A segunda vez foi um acontecimento infeliz, pois seu voo foi cancelado devido a problemas relacionados com o tempo. A brasileira poderia facilmente ter embarcado dias depois, porém preferiu ficar mais um pouco.

Agora não havia muito o que fazer. Ela precisava voltar para casa, para sua mãe e para seus estudos. Precisava ir para casa, mesmo que isso significasse deixar para trás o homem pelo qual estava perdidamente apaixonada.

O som da porta abrindo e depois fechando fez Chiara voltar à realidade em um segundo. Ela correu para o banheiro e lavou o rosto, tentando ao máximo disfarçar que estava chorando há alguns segundos. Depois de secar o rosto e sentir que estava aceitável o suficiente, a mulher saiu da sala bem a tempo de ouvir Marco chamando seu nome do andar de baixo.

— Estou aqui, amor! — Chiara desceu o último degrau e quase esbarrou em Asensio.

— Opa, calma aí, cariño... — ele disse em um tom brincalhão, segurando-a pela cintura e a puxando para mais perto dele. — Por que estamos sempre esbarrando um no outro, hein? — Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu.

Me desculpa, é que eu estava muito ansiosa para te ver — ela sorriu e o abraçou em seguida, se aconchegando no conhecido e agradável calor do corpo dele — Senti muito a sua falta.

— Eu também senti muito a sua falta, mi amor. Mal podia esperar para voltar para casa, para você... — Ele disse com a voz abafada enquanto beijava seu pescoço.

Voltar para casa, para você.

Chiara fechou os olhos e respirou fundo, tentando ao máximo engolir o nó na garganta. Ele estava de bom humor, feliz porque a havia marcado um gol na última partida, que terminou com vitória do time merengue. E ela também sabia que ele estava ainda mais feliz porque ela estava ali, esperando por ele de braços abertos.

— Assisti ao jogo, foi demais! Parabéns pelo gol amor, você fez uma ótima partida. — Ela sorriu orgulhosa.

— Obrigado, cariño. Eu disse que ia fazer mais um gol para você, não disse? — O jogador piscou.

— Eu fiquei mais nervosa do que na final da Supercopa... — Eles riram.

— O que você acha de sair para jantar hoje à noite?

Chiara ficou em silêncio após a pergunta de Marco, lembrando que seu voo estava marcado para às sete horas daquela mesma noite. Ela sentiu quando o jogador notou a mudança no ar, o que o fez franzir a testa imediatamente. Afastando-se lentamente dos braços dele, Chiara respirou fundo e fez o possível para não chorar antes mesmo de abrir a boca.

"Dói menos quando você arranca o band-aid de uma vez."

Isso era o que sua mãe costumava dizer, contudo, Chiara temia que ainda fosse doer tanto quanto se ela fizesse aquilo de outra forma.

E então, de repente, foi como se Marco pudesse ler sua mente. Ele também recuou, a confusão que estava estampada em seu rosto até segundos atrás sumiu, dando lugar a compreensão. Marco ficou tenso no lugar. Chiara não precisava mais se preocupar em como o diria aquilo.

Ele já tinha entendido tudo.

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