XXIII. El Comienzo de Algo Único.

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Algumas semanas se passaram desde aquela noite, a noite em que quase se perderam

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Algumas semanas se passaram desde aquela noite, a noite em que quase se perderam. Marco estava diferente agora — mais atento, mais presente. Ele havia dado os primeiros passos em direção à cura, frequentando sessões de terapia regularmente, e Chiara podia ver as mudanças sutis nele, mesmo que ele ainda tivesse um longo caminho a percorrer. Ela também podia sentir — a maneira como eles estavam reconstruindo lenta e firmemente o que havia sido quebrado. Não era perfeito, mas havia progresso. E pela primeira vez em muito tempo, isso era o suficiente.

A vida havia retomado seu ritmo. Marco ainda passava longas horas se dividindo entre os dias de treinamento no CT e os jogos, mas estava voltando para casa mais cedo sempre que podia, tentando estar presente nos pequenos momentos cotidianos. Ele sempre foi um homem de ação — em campo, ele era motivado, focado — mas fora de campo, ele estava aprendendo a ser mais paciente consigo mesmo, mais aberto com Chiara. Ainda havia momentos difíceis, é claro. Havia dias em que o silêncio entre eles parecia mais pesado do que o normal, quando as dúvidas de Chiara surgiam ou a ansiedade dele ressurgia. Mas eles estavam se segurando um no outro. Eles estavam passando por aquilo juntos.

Uma tarde, Chiara estava sentada perto do balcão da cozinha, mordiscando casualmente uma barrinha de cereal enquanto olhava para a tela do seu notebook. Sua barriga inchada estava confortavelmente encostada no balcão enquanto terminava o seu trabalho. Por um segundo, ela se distraiu, olhando pela janela para o jardim, seus pensamentos vagando para o bebê crescendo dentro dela. Sua menininha. Ela sorriu suavemente, pensando em quanto ela já a amava, como ela havia se tornado sua esperança compartilhada em meio a toda aquela turbulência.

Ela então ouviu a porta abrir atrás dela, seguida pelo som de passos. Marco apareceu na porta, seu cabelo ainda úmido do treino, seu uniforme substituído por roupas casuais. Sua estrutura forte preenchia o espaço, mas havia uma suavidade em seus olhos agora, algo que ele não tinha antes.

— Como estão minhas meninas hoje? — ele perguntou, sua voz calorosa, seus olhos suavizando enquanto ele olhava para ela.

— Oi, amor. Estamos ótimas, mas acho que sua filha já está ficando impaciente — disse Chiara, olhando por cima do ombro. — Ela chutou a noite toda...

Marco se aproximou, suas mãos descansando levemente na barriga da mulher. Ele deu um sorriso largo quando sentiu os pequenos movimentos da bebê sob sua palma.

— Acho que ela está treinando suas habilidades de futebol. Afinal, ela é filha do pai dela... — Marco riu.

— Bem, se for esse o caso, espero que você esteja pronto para uma pequena competição... — Chiara provocou, sorrindo enquanto se esticava para beijá-lo.

Eles ficaram ali por um momento, a conexão silenciosa era um contraste gritante com o caos que antes enchia suas vidas. Eram esses pequenos momentos que os mantinham em movimento — os pedaços de alegria do dia a dia que faziam a luta valer a pena.

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