Quanto tempo é necessário para se apaixonar perdidamente por alguém? Marco e Chiara precisaram somente de dois meses.
De forma inesperada seus caminhos se cruzaram e assim, tal como em um piscar de olhos, eles se apaixonaram rapidamente. Embora sou...
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Epílogo.
O zumbido baixinho da casa envolvia tudo, aquele silêncio satisfatório que só surge quando todo mundo está em casa, seguro e em paz. No quarto, Chiara e Marco estavam deitados um do lado do outro, cabeça no travesseiro, olhando os filhos. Maria, aninhada perto do pai, parecia um anjinho dormindo, enquanto Romeo, de poucas semanas, estava ali do lado da mãe, mergulhado em um sono pacífico. A luz do abajur espalhava uma penumbra suave, deixando o clima tão perfeito quanto uma maré que volta pra praia depois de muito tempo.
O coração da designer quase saiu do peito de tanto amor ao olhar aquela cena. De um filho pro outro, ela via tudo que construíram. Parecia até mentira. Tempos atrás, ela duvidava se um dia teria essa paz. Mas ali, naquele silêncio da madrugada, cercada dos seus maiores amores, ela sentia na pele cada passo da jornada: o amor que foi embora como onda e voltou feito maré alta, a distância que separou, as noites que pareciam não ter fim até que as luzes do porto os guiassem de volta um pro outro.
— Ainda tô tentando acreditar que a gente tem dois filhos — Marco sussurrou, voz rouca de emoção, enquanto afagava os cabelos da filha. — Parece que foi ontem que a gente tava se descobrindo... e agora, olha isso.
Chiara sorriu, encostando a mão na dele.
— Pois é... A vida tem dessas, né? Ela junta a gente no ritmo das marés: quando menos esperamos, mas exatamente quando precisa ser.
Marco virou o rosto pra ela, olhos brilhando de alegria.
— Passamos por tanta coisa, neña... Mas conseguimos achar o nosso caminho de volta e eu sou muito grato por isso.
Ela fechou os olhos por um segundo, revivendo tudo. A primeira vez que se viram: um amor que queimou rápido como fogo de palha, deixando só brasas. Dois caminhos que se cruzaram, mas as vidas seguindo em direções opostas. Até que, anos depois, o mesmo fogo acendeu de novo, dessa vez pra ficar.
— Eu também, meu amor — Chiara falou, voz embargada. — Que bom que tivemos uma segunda chance.
— Era pra ser — ele disse, firme. — Na primeira vez, ainda não era a hora. A vida nos devolveu um ao outro no momento certo, e é só isso que importa.
Chiara olhou para Romeo, depois para Maria, e sentiu o nó na garganta. Eles eram a prova de que até o amor mais ferido pode renascer — e dessa vez, mais forte.
•••••
Mais tarde, na mesa de jantar, a família estava toda junta, o calor do amor tomando conta do ambiente. Chiara observava Marco com os filhos: Romeo no colo, Maria tentando pegar macarrão com a mãozinha.
— Tá gostoso o macarrão, pequena? — ele perguntou, segurando Romeo com um braço e ajudando Maria com o outro.
— Si, papá! — ela respondeu, rindo quando o macarrão escapou da colher.
Chiara riu junto, o coração derretendo. Ver Marco assim todos os dias, sendo um pai tão dedicado e cuidadoso, era mais do que ela um dia poderia sonhar. Aquele homem forte, que um dia lutou contra as correntes pra alcançá-la, agora lutava pra equilibrar uma colher cheia de macarrão na mão e um recém-nascido em um braço.
Quando Marco percebeu o olhar dela, sorriu:
— Tá pensando no quê, amor?
— Só tô... feliz. Grata, sabe? — ela respondeu, voz meio trêmula. — Nunca imaginei que a vida pudesse ser tão linda assim.
Ele esticou a mão e apertou a dela.
— Eu também não, mas olha só, ela é... E com vocês fica simplesmente perfeita.
Por um instante, o mundo parou. Nos olhos dele, Chiara via o mesmo amor de anos atrás — aquele que sobreviveu às tempestades e voltou pra casa, como navio no porto seguro.
— Te amo muito, jogador — ela sussurrou, quase sem ar.
— Te amo mais, neña — ele respondeu, os olhos brilhando.
Na sala, o riso de Maria se misturava com o balbuciar de Romeo. Era a trilha sonora da vida que eles construíram: uma dança de segundas chances, onde cada passo valeu a pena.
Chiara respirou fundo, deixando o calor daquele momento envolver tudo ao seu redor. Ela estava inteira. Grata. Eternamente grata.