Capítulo 3

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Olá, pessoal! Obrigada por todos os comentários, favoritos e indicações no twitter! Neste capítulo teremos mais personagens na trama. Gostaria de relembrá-los que, por mais "perto" que a década de 80 esteja, os costumes eram bem diferentes. Os filhos (mesmo adultos) eram, na maioria das vezes, posses de seus pais. Então não estranhem ou julguem ser falha no roteiro.

Como se trata de uma história que, diretamente e indiretamente, aborda a religião cristã, gostaria de avisar que tais assuntos serão levantados bastante neste capítulo e em próximos! Respeito todas as religiões e crenças, okay?! As críticas presentes são direcionadas a determinados grupos de pessoas, como bem sabemos. Aviso também que nenhum comentário/opinião tem como objetivo atacar ou menosprezar a fé de indivíduos. O intuito é criar reflexões, discussões e debates sobre questões problemáticas.

Não esqueçam de comentar bastante e favoritar! Ah, e tem uma mudança bem importante neste capítulo!

Coloque um bom fone de ouvido, uma comidinha e boa leitura!

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Miami (1986) – Domingo

– O Senhor esteja convosco! – a voz do Padre Morgan revigorou por toda a nave da igreja.

– Ele está no meio de nós. – o coro de fieis respondeu, harmonicamente.

– Corações ao alto!

– Nosso coração está em Deus.

– Demos graças ao Senhor, nosso Deus!

– É nosso dever e nossa salvação...

Camila respondia junto às outras pessoas de pé, por entre os bancos envernizados da grande igreja Gesu Catholic (ou, Igreja Católica de Jesus), sem na verdade prestar atenção nos dizeres. Se encontrava entre seu pai e sua mãe, no quarto banco lotado da nave, e usava um vestido rosa nos joelhos, acompanhado de uma sapatilha simples, ironicamente parecida com a roupa de Sinu e contrastando com o terno cinza de missa de Alejandro.

Era uma manhã suave de Domingo, com um sol perfeito para um dia à beira da piscina e uma temperatura ótima para se refrescar com um líquido gelado.

Em suas mãos, um folheto descritivo do que acontecia na missa, e ao seu redor, um grupo de pessoas composto por crianças, adultos, velhos, mulheres e homens. Os pensamentos conflitantes não permitiam que a latina conseguisse pensar com clareza, ou sequer prestar a atenção, sendo estes causados pelo embrulhar do estômago mediante ao acontecimento da noite passada.

Alguém potencialmente viu Lauren saindo de seu quarto.

Desde que acordara, Camila se manteve normal – graças a grande habilidade desenvolvida de disfarçar as coisas – e apenas observou as reações de seus pais. Nada ocorreu fora da normalidade de um Domingo: acordaram, se arrumaram, entraram no novo Chevrolet Corvette C4 prateado e conversível, e foram para a igreja.

Mas ela tinha plena certeza de que havia desligado a luz da sala ao subir e que, se alguém a acendera, ainda estava naquele andar da casa quando Lauren passou pelo jardim frontal.

E sim, já estava enlouquecendo com a ansiedade e incerteza.

Camila não era idiota ou sequer ingênua. Tinha plena noção de que era uma adulta, de que sua mãe lhe tratava mal e de que, se quisesse, só precisaria arrumar as malas e ir embora para qualquer lugar. Mas essa era a questão: perder sua comodidade, as regalias, a universidade privada... Estava perto demais de se formar para finalmente jogar tudo pelos ares e ter de se virar para uma estabilidade econômica. E, sem falar, que isso causaria no mínimo uma rachadura na invejável amizade e sociedade de Alejandro Cabello e Michael Jauregui.

Over The DuskOnde histórias criam vida. Descubra agora