Capítulo 2

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Olá, pessoal. Não, não se trata de uma miragem. Over The Dusk está mais uma vez de volta!

Alguns pequenos avisos: Isso aqui se trata de uma história de ficção, se trata de um universo alternativo, se trata de uma coisa NÃO REAL. Não há favoritismo, não há qualquer masculinização proposital ou ligação má intencionada com a vida real e com as trajetórias pessoais dos indivíduos que integram esse enredo. Todos os personagens vão passar por crescimentos e por evoluções, portanto, algumas atitudes serão mudadas ao longo do tempo (assim como acontece na nossa vida, não é mesmo?!).

Peguem um bom fone de ouvido, uma comidinha e aproveitem essa trajetória que vai ser insana. As atualizações vão acontecer aos sábados ou domingos, mas não vou definir uma periodicidade. Favoritem os capítulos, deixem comentários (amo ver as interações de vocês) e compartilhem nas redes sociais. Siga fanfic no twitter: @/overthedusk.

O link da playlist se encontra na minha bio!

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Miami (1986) – 21 horas e 43 minutos

* Music On * (So Far Away – Dire Straits)

Sentada com a cabeça escorada no banco de estofado negro, Lauren mantinha os olhos compenetrados na cidade movimentada do lado de fora, através do vidro do Fusca amarelo modelo Volkswagen 1984 de Veronica. Suas íris verdes cansadas analisavam os brilhos vermelho e laranja dos letreiros dos cinemas, dos bares e discotecas anunciando novos filmes, bebidas e shows de banda de rock; as pessoas com dinheiro caminhavam nas calçadas com suas jaquetas jeans ou de couro, calças, saias e blusas bem passadas, botas e saltos luzentes para virarem mais uma noite nas badaladas festas que aconteciam em qualquer parte de Miami. Nas esquinas, as garotas de programa com seus cabelos volumosos por spray e roupas minúsculas assobiavam sem a menor vergonha para os homens que passavam por perto; os pedintes em maltrapilhos, sentados em papelão e escorados às paredes, balançavam copos de alumínio em busca de míseros trocados.

Ah... os extremos de uma cidade grande. Sempre presentes.

E o melhor de tudo era que, a cada dois dias, ônibus dos condados e estados vizinhos paravam nas esquinas e deixavam mais e mais turistas e iludidos pelo Sonho Americano para viver naquela região.

Aquilo seria um ciclo sem fim.

Com as mãos no volante fino, Veronica alternava os olhos escuros entre a rua e a melhor amiga sentada ao seu lado. Os carros, que se resumiam em fuscas e Chevrolets por estarem em uma área de classe média da cidade, buzinavam à sua frente porque um babaca vacilara quando o semáforo finalmente havia ficado verde. E naquele meio tempo esperando que a fila de automóveis desenvolvessem em sentido Norte, a mulher de cabelos longos e com a lateral esquerda raspada, no famoso sidecut, teve alguns segundos para estudar Lauren, que encarava o vidro do carona e a impossibilitava a visão do rosto por completo.

– Como está o seu pescoço? – Veronica perguntou ao mesmo tempo em que engatou a primeira marcha, fazendo o Fusca dar um arranco e ir para frente.

Lauren deixou que o barulho alto do motor diminuísse na medida que embalavam e deu de ombros.

Logo a ardência vai passar...

Vero, como gostava de ser chamada pelos mais íntimos, conhecia a jovem de íris verdes bem o suficiente para ter noção de que estava em um de seus momentos defensivos, onde erguia um muro enorme e não deixava ninguém o transpassar.

Talvez uma determinada latina de olhos castanhos quentes... talvez.

E, por isso, sabia que o melhor que poderia ofertá-la naquela noite era o espaço, um banho quente e uma cama para dormir.

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