— Acorda, eu não deveria ter dormido aqui! Tinha compromisso hoje...
— Está melhor?
— Que horas são agora Morfeu?
— Telefone sem bateria, lembra onde está o seu?
— Morreu também. Quem é Dilan? Escrito na medalha...
— Coisa de família.
— Aqueles são seus pais?
— Isso. Aquele é meu irmão mais velho, ele morreu. Era das forças armadas, um ótimo mecânico...
— Não tenho fotos da minha família.
— Eu também não teria em seu lugar. É para que eu lembre, que se tudo der errado tenho para onde voltar. Quer ir para casa?
— Na verdade, eu queria pôr os papéis de parede e organizar o que está amontoado no seu carro...
— E seu compromisso?
— Era às seis, tenho certeza que o perdi.
— Seis horas estávamos chegando aqui. — disse ele aos risos.
Mesmo cobertos de sono colocaram as mãos na massa. Transformaram o lugar apático em um cenário rico em detalhes. Ao entardecer, Dilan a levou até o casarão da rua quinze; deixou–a seguindo seu rumo de volta ao lar.
Chloe não imaginava a confusão causada por sua aventura; quem a esperava na porta de entrada de seu prédio era San. Foi a primeira reunião que ela se fez ausente e ele até sorriu ao perceber que a amada estava com o atraso de uma hora, queria que Chloe se permitisse um pouco. Evitou ligar por medo de parecer ciumento ou possessivo; no entanto, após a segunda hora, dado por encerrado a reunião, sentiu-se no direito de procurá–la. Foram incansáveis tentativas telefônicas, mensagens e até e–mail, durante o percurso da editora até o apartamento; a falta de resposta passou a ser preocupante. Após esperar por uma hora em frente ao prédio, San não sabia se a procurava pela cidade, se esperava a amada retornar ou, se pedia ajuda.
Segundo o porteiro, Chloe não havia retornado desde o dia anterior; não era tempo suficiente para que a polícia emitisse um alerta de desaparecimento. Um absurdo! San não sabia mais o que fazer, foi então que teve a pior ideia e ligou para os pais de Chloe.
— Mas onde é que você estava?
— Trabalhando no livro...
— Ficou maluca? Não aparece em casa desde ontem!
— Dormi fora, sabe que sou maior de idade e independente financeiramente? Não sabe?
— Chloe, não brinca comigo! Sou seu namorado, me deve explicações!
— Espera que me desculpe por perder a reunião ou é apenas uma crise de ciúmes?
— Não me provoca que não estou disposto a aturar suas discussões tolas! Onde estava?
— Aluguei um quarto, funciona como um laboratório para que eu possa escrever! Não queriam um novo livro? Eles não acontecem sozinhos! Não sabe porque nunca escreveu um!
— Sobe e toma um banho, seus pais chegam em meia hora. Vou avisar que está em casa...
— Porque ligou para eles?
— Que reação é essa? São seus pais!
— Pode deixar que subo sozinha! Não está convidado para a reunião familiar!
— Não estou pedindo sua permissão! Deixe de besteira que hoje você já aprontou mais que o suficiente.
Todas as palavras de San diziam coisas que ela se negava a compreender. Chloe não teve dificuldades em conviver com o que aconteceu até que o ator a questionou. Ele era um completo desconhecido e ainda assim, foi capaz de perceber o ocorrido. Não havia nela disposição para continuar ignorando os fatos.
Durante o banho, Chloe enviou uma mensagem para Dilan. Precisava de ajuda.
— Ocupado Morfeu?
— Estou com uma cliente...
— Posso ir para o apartamento?
— O que aconteceu?
— Meu padrasto chega em vinte minutos...
— Passa a sua localização.
— Edifício Glória apartamento 111.
— Chego em cinco minutos, estou perto.
Após longa insistência, San rendeu–se para um banho e foi o tempo que ela precisou para fugir da própria casa. Quando Dilan chegou nem precisou estacionar, Chloe o esperava na portaria. Ele nada questionou, apenas partiu. Durante o percurso, San ligou aos gritos, em poucas palavras ela explicou que precisava ficar sozinha; ligaria na manhã seguinte quando estivesse a caminho da editora. San não concordou, mesmo assim, Chloe não voltaria.
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Quem e o Que
RomanceQuando duas pessoas se encontram, geralmente é acaso, mas vez ou outra, percebemos a correria apavorada do universo para que as coisas possam acontecer. Se observar com cautela, poderá sentir quando o mundo tem pressa para que a história desenrole...
