Quando duas pessoas se encontram, geralmente é acaso, mas vez ou outra, percebemos a correria apavorada do universo para que as coisas possam acontecer.
Se observar com cautela, poderá sentir quando o mundo tem pressa para que a história desenrole...
- Dilan, é Agustine. Me deixa entrar, por favor! - Vai cuidar da sua vida! - Ela está hospitalizada... - Não! Eu não quero saber!
Foi assim, trancado em seu apartamento que Dilan passou os dez dias que sucederam.
Não ousou ver as manchetes, ouvir a rádio ou ter contato com qualquer notícia que pudesse justificar o que lhe fizeram passar. E, naqueles dez dias, Dilan escreveu sem pausa, duzentas páginas de uma história sádica. O homem que casou só.
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- Telma, tenho um livro para você. Tem que reescrever algumas coisas, acertar outras, é meu primeiro livro solo, preciso de uma consultoria e óbvio, de uma editora. - Já foi ver ela? - Não tenho interesse no que aconteceu aos dois. - Três, no caso. Atualizando... - Não quero mesmo saber! - Se quer que eu leia esse livro, vai ter que escutar. - Uma única vez? - Primeiro ouve e depois decide. - Nada vai mudar minha opinião. - San foi preso após sequestrar nossa galinha dos ovos de ouro, o motorista, que ninguém sabe quem é, jogou o carro contra a cabine do pedágio na rodovia 446. Chloe ainda não acordou, ela não fugiu Dilan, ela foi sequestrada.
Ele ligou para o pai, para ouvir conselhos dos quais não seguiria.
Caminhou até a porta cinco vezes na tentativa de ir até o hospital, mas não conseguia sair. Os conflitos que alojavam pelas paredes que o cercavam, consumiam seu orgulho e ele mesmo não se reconhecia.
Ligou para o telefone de Chloe e ao ouvir a voz de Pierrot, embargada e sofrida, não conseguiu ao menos sentir compaixão. Pediu que o amigo viesse ao apartamento e que lhe trouxesse algo forte, Pierrot não compreendeu, mesmo assim preparou-se para ver o pior de Morfeu.
O tempo de espera fervilhou rancores na mente do noivo abandonado, no fundo, Dilan não queria aceitar a realidade, porque precisava do papel de vítima. Recebeu Pierrot com um soco na face, mascarou toda a dor na agressão.
- Se sente melhor com isso? Que é que pensa Morfeu? Não esteve com ela, um minuto daquele! Teria feito a mesma coisa e se eu tivesse que atirar nela para impedir que ele a maltratasse, teria feito! Desculpe se isso atrapalhou a droga do seu grande conto de fadas Dilan, mas fiz o que julguei necessário! - Estou afogado em culpa e ainda assim, não consigo admitir, porque me convencer que ela e você haviam planejado tudo, é mais simples! - Eu quis, se vai te deixar melhor! Mas ela não abriria a mão dessa coisa que construíram. Não a deixe morrer Morfeu! Eu te imploro! Posso aceitar que ela nunca seja minha, mas não posso aceitar que a matei! - Como não vi que a ama! - exclamou Dilan abraçando o amigo. - Tem que ir vê-la Morfeu!
Seguiram juntos até o hospital, Dilan foi cercado por repórteres, todos queriam uma declaração, uma foto sua ao lado do leito da amada, a pressão que acumulava foi exatamente o que o distanciou.