Teatro de Marionetes.

133 14 5
                                        


Por aqueles dias, Chloe se trancou no quarto de Dilan e despejou lá todas as palavras que lhe rodeavam a mente.

Entender o processo criativo é uma tarefa ousada, haviam dias que ela não conseguia por uma frase em ordem; em outros momentos, fazia calejar os dedos no computador. Este período que Chloe enfrentava era mais comum do que gostaria de acreditar, escondida de suas vontades, presa por uma imagem, escolhendo o próximo passo, temendo o que diriam de suas atitudes.

Uma manchete específica chamou a atenção. Dilan chegou em casa com uma revista em mãos, era uma foto de Chloe sentada na mesa onze do Fun Coffee tomando um copo de suco, abaixo em letras de caixa alta dizia que a criança problemática tornava–se uma adulta sociável. O texto abordava as mudanças de comportamento de algumas celebridades, usaram–na como exemplo, mas não adentravam o campo das reais dificuldades de convívio que Chloe enfrentava em seu cotidiano; ninguém se perguntava como ou, o porquê! Era sempre quem ou o que, quero dizer, quem se importa com o que acontece antes de uma tragédia? O interesse comum cerca apenas as especulações mais tendenciosas e o fato de Chloe ter dificuldades de interações sociais, não era uma história interessante, contudo, uma escritora arrogante e temperamental, atiçava ainda mais as más línguas. O caos ainda vende mais que a superação.

Era uma propaganda gigantesca para o café, um 'marketing' gratuito e benéfico, tanto que no dia posterior à matéria, faltaram copos para os pedidos de suco de laranja para viagem, parece ridículo, mas é real.

Fora esses conflitos de invasão sobre sua vida, vivia um grande momento. O livro escrevia–se sozinho, completava um mês desde que visitaram os pais de Dilan; dentro de seu peito, eram fagulhas de paixão que borbulhavam, os conflitos pareciam dar a motivação. 

O relógio marcava treze horas, em uma hora Dilan sairia para o intervalo; resplandeceu na face da garota um desejo que precisava saciar.

— O que faz aqui amor? Em plena luz do dia?
— Não posso falar em voz alta, mas te espero no banheiro!
— sussurrou ela deixando–o.

Ele a seguiu cogitando as verdadeiras intenções por trás de surpresa. 

Não importava o quão minúsculo fosse o local, seus corpos ocuparam praticamente o mesmo espaço. Entre sussurros de loucura e murmúrios de prazer, Dilan perdia o pouco juízo que tinha; eram muitas imprudências seguidas e não podia se dar ao luxo de perder o emprego ou envolvê–la em um escândalo sexual, mas quando a tinha nas mãos, seu raciocínio dissipava automaticamente.

— Devagar amor, alguém vai ouvir!
— Precisava sentir você...
— sussurrou ela impulsionando-se sobre ele continuamente.
— Não Chloe! Estou sem... Ahh... — disse ele sem conseguir segurar o orgasmo.
— Quero ter um filho com você e não me importo se for hoje...
— Não brinca comigo! Diz que toma anticoncepcional, por favor!
— Eu não, você toma? Não me olha assim, não é a primeira vez que não consegue se controlar.
— Você é um diabo, garota! Vou me casar com você Chloe Teller, escreve isso!
— Vou escrever sim. Dilan Romeo.

Se recompor em tão pouco espaço não foi uma missão simples, contudo, sair do banheiro feminino era mais difícil e constrangedor. 

Ela seguiu para a editora como se nada tivesse acontecido, enquanto Dilan passou o resto do dia refletindo sobre a possibilidade de ser pai. Em seus olhos era um brilho que acendia, contou os segundos para chegar em casa e a encontrou sem Chloe.

Correu para o quarto e todas as coisas dela ainda estavam lá, ainda que preocupado, respirou com alívio imaginando se em algum momento conseguiria acostumar-se com as ações da companheira.

Quem e o QueHistórias para pegar e não largar. Descubra agora