Matérias à vista!

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Meraki - Fazer com a alma, colocar parte de si em algo que está por vir.

- Eu já lhe disse uma vez, já disse várias vezes, Carter! Me traga uma matéria decente ou estará demitida, está ouvindo? DEMITIDA!

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- Eu já lhe disse uma vez, já disse várias vezes, Carter! Me traga uma matéria decente ou estará demitida, está ouvindo? DEMITIDA!

- Clóvis, por favor, considere a que lhe mandei na semana passada. Você sabe muito bem que estamos passando por um período de crise econômica e que o preço das batatas está nas altu-

- CHEGA! CHEGA DE MATÉRIAS SOBRE BATATAS E CRISES! O povo não quer isso Carter. Eles querem entretenimento. Vamos dar a César o que é de César. Você tem 3 meses para preparar um artigo sensacionalista ou é rua. Estamos entendidos?

- Como quiser.

Nem todos os dias são bons, mas esse definitivamente foi o pior de todos.

Fechei a porta do escritório do Clóvis e soltei o ar com força. Onde eu iria achar uma matéria que agradasse aquele porco que só sabe fumar? Eu não posso perder o emprego, não agora, quando mais preciso.

Tomei uma água e ajustei os óculos no rosto. Pela janela da minha minúscula sala, conseguia ver a rua movimentada em plenas 15 horas da tarde. O vapor dos carros deixava a neve lamacenta, acompanhada pelo vai e vem das pessoas. Ao longe, a fábrica de chocolates Wonka funcionava a todo vapor. A fumaça deixava a cidade com um cheiro de açúcar derretido e chocolate. Suspirei ao pensar na minha infância. Não foi nada fácil sair de Castle Combe pra cá. Me manter sozinha com o pouco que recebo. Claro, não é grande coisa mas consigo sobreviver.

- Mery? Está no mundo da lua de novo?
A voz divertida de Claire, a secretária do Clóvis me trouxe de volta à realidade.

- Apenas pensando em como fazer um artigo que agrade ao nosso poderoso chefão.

- Ai meu bem, boa sorte. Aquele lá não é fácil de lidar. Seus artigos sobre a economia são incríveis, mas você sabe como ele é. Traga o mais sensacional que conseguir, o mais fantasioso e ele vai te amar pra sempre.
- O mais... fantasioso?

As engrenagens no meu cérebro começavam  a funcionar.

- Claire! Obrigada! Você acabou de me dar uma ideia! Obrigada! Obrigada!

Abracei Claire e saí correndo do prédio. Deixei uma secretária confusa segurando uma xícara de café e segui apressada pela rua. Era isso!

- Nem tudo está perdido afinal! - falei para mim mesma.

Chamei um táxi que me levou até a rua principal, olhei maravilhada para os portões que se mostravam imponentes a cerca de 200 metros

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Chamei um táxi que me levou até a rua principal, olhei maravilhada para os portões que se mostravam imponentes a cerca de 200 metros.

- É um lugar e tanto, não? - comentou o taxista. Concordei com um aceno de cabeça.

- Uma pena que o dono não seja dos mais sociáveis. Até hoje ele nunca ofereceu suas palavras a ninguém, exceto seu novo herdeiro.

Mas Willy teria que me ouvir. Eu precisava de uma matéria sobre ele, sobre sua história, o público ficaria sedento por seu passado misterioso e sua rotina na fábrica. Precisava tirar dele as informações que me fariam subir na vida.

- Mas ele terá de me ouvir.

Fui me aproximando do portão e o táxi já não estava mais à vista. O clima gélido fazia minhas mãos doerem. Havia uma espécie de campainha no portão, toquei com toda a esperança de sair dali com uma boa entrevista em mãos.

- Fábrica de chocolates Wonka, aqui é Charlie falando. Qual seu nome por favor e o que te traz até aqui?

A voz infantil saindo de um pequeno microfone que até então eu não havia visto me pegou de surpresa.

- Ah...Oi! Meu nome é Meredith Van Carter, sou jornalista do Jornal Daily Times. Vim aqui pois gostaria de entrevistar o senhor Wonka para uma matéria da nossa edição especial.
A linha ficou em silêncio por alguns segundos até a voz falar um pouco triste.

- Isso seria ótimo, mas o senhor Wonka me deixou avisado sobre visitas senhorita. Eu sinto muito, ele não poderá atendê-la.

Meus olhos começaram a pinicar. Mas ele não tinha culpa, apenas fora instruído para dispensar todo e qualquer visitante estranho à fábrica.

- Tudo bem... Agradeço pelo seu tempo Charlie, diga ao senhor Wonka que desejei um ótimo dia.

Saí a passos lentos, me afastando do portão. Era minha última esperança. Mas ainda não havia terminado.
- Eu vou conseguir essa entrevista, custe o que custar.

ꜰᴏɢᴏ, ᴘɪᴍᴇɴᴛᴀꜱ ᴇ ᴄʜᴏᴄᴏʟᴀᴛᴇꜱ🍫🔥Onde histórias criam vida. Descubra agora