[N/A]: nos comentários embutidos!
3:40 AM
Em pouco tempo Louis já estava se despedindo de Harry. Sua mochila montada apenas com tudo o que ele conseguiu colocar lá rapidamente. Seus batimentos estavam desregulados e tudo que ele conseguia pensar é que precisava de mais informações do que uma irmã desesperada e aflita poderia balbuciar ao telefone.
O menor não fazia ideia se existia trem para Doncaster a essa hora e por mais que Harry - certamente a pessoa mais racional dentro daquele apartamento no momento - tivesse protestado e lhe alertado sobre isso, ele já estava entrando no táxi, e antes que percebesse já rumava a estação.
O de olhos verdes não tinha conseguido extrair muita informação do que havia acontecido, até porque nem Louis sabia ao certo, mas pelo estado do outro, ele pode imaginar que não deveria ser uma situação fácil. Tentou inutilmente convencer Tomlinson a tomar um ar antes de agir, mas ele mesmo sabia que estaria na mesma situação se algo tivesse acontecido com a sua família. Ele só podia desejar que tudo ficasse bem e que todos estivessem seguros.
...
Louis pensou muito, ele pensou mais do que achou que conseguiria em um curto período de tempo. Infelizmente para si mesmo, os pensamentos que o rondavam não eram nada positivos. Todas as possibilidades infelizes passaram por sua cabeça e ele só queria que aquele trem tivesse super velocidade por uma hora.
5:56 AM
Ao chegar a sua casa, estava suando frio e adentrou o espaço inicialmente calmo demais, só enquanto pode respirar. Logo ouviu o choro de bebê vindo do andar de cima e seguiu o som. Sua irmã embalava um dos gêmeos nos braços enquanto tinha o rosto vermelho e algumas lágrimas caindo, ao vê-lo, a primeira reação dela foi abraçar o mais velho, seguido de um "precisamos conversar"...
6:20 AM
Se houvesse algum direito de ficar pilhado com Deus apenas uma vez em sua vida, Louis escolheria aquele momento. Ele quase duvidou que uma sequencia tão ruim poderia se suceder em menos de vinte e quatro horas. Enquanto as palavras vinham de Sarah, ele só conseguia se sentir fraco e impotente, e nos momentos em que ela dava uma pausa para respirar, ele já imaginava o que poderia vir a seguir. Quando ela parou de falar, um sentimento estranho de incômodo e alívio o rondou, ele não se orgulhava, mas foi a primeira coisa que conseguiu pensar.
Acontece que, quais as chances? Ele honestamente se questionava.
O que agora lhe deixa com a sensação de que quase não pode respirar, começou apenas com um telefonema.
Sua mãe recebeu um de seus telefonemas diários de uma de suas amigas, que estavam sempre checando como estavam umas as outras. Mas não era um daqueles em que elas passariam horas no telefone, enquanto andariam por suas casas catando roupas pelo chão e reclamando com as crianças por seus descuidos diários. Dessa vez era uma daquelas situações em que encaixaria o ditado, notícias ruins realmente correm rápido.
Uma de suas amigas mais antigas, aquela que Louis já visitou várias vezes e que considerava uma tia, que tentou lhe arranjar seu sobrinho e fazia deliciosos biscoitos de canela. Ela havia sido hospitalizada e não resistiu... Pandemia, vírus, ele tinha ouvido essa história muitas vezes na tv.
A morte de um amigo dói de um jeito diferente, do tipo que apenas os infortunados que tiveram essa experiência conseguem descrever, ou talvez não consigam. Louis nunca perdeu um amigo, ele não imagina como seria esse sentimento, mas ele sabe que Anna já conhecia a sensação. Não era a primeira e nem a segunda.
Não fica mais fácil com o tempo, não como eles dizem. A pandemia não é fácil, isso está claro. Mas quando você perde pessoas nela, é nesse limbo que você se dedica e se protege ainda mais.
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We could be enough - L.S.
FanfictionQuarentena AU É Fevereiro de 2020 e Louis está deixando seu apartamento, seu contrato acabou e ele nem de longe quer renovar para continuar naquela espelunca, então entrega as chaves e vai morar com seus amigos até encontrar um lugar. E aí o mundo v...
