Capítulo 42 - Conhecendo o poder maior

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O grito de Chat Noir ecoou por todo o prédio da escola naquela manhã cinzenta. Um som que deixava transparecer toda dor, desespero e agonia transbordantes em seu coração. Ele trouxe o corpo de desfalecido de Marinette para junto de si, apertando-a contra seu peito, as lágrimas encharcando os cabelos de ébano e em sua mente martelando a única coisa que ele temia que acontecesse: Ela se foi...

Ele ainda não conhecera dor maior do que aquela. Nem mesmo quando soube que sua mãe havia desaparecido sentira algo semelhante ao que estava experimentando naquele momento. Dor, culpa, vazio... um enorme vazio dentro do peito. A luz da sua vida tinha se apagado juntamente com a luz nos olhos de Marinette.
Mais um sinal de alerta foi emitido por seu anel, mas ele sequer se importou. Nada mais importava. Todo o resto ficara em segundo plano, ele não tinha o que fazer e nem para onde ir, o seu mundo estava bem ali, inerte nos seus braços.

- Chat... – Estava tão imerso em seu sofrimento que demorou alguns segundos para ouvir seu nome sendo pronunciado – Chat...

Ele olhou ao redor tentando identificar de onde vinha a voz fraca que lhe chamava. Seus olhos focaram em um ponto vermelho no chão bem ao lado onde Marinette estivera deitada antes que ele a tomasse nos braços.

- Tikki!

A kuami parecia muito fraca e desorientada, mas conseguiu erguer o pequeno corpo e olhou na direção do felino, desviando-se por alguns segundos para o corpo de sua portadora amparada no colo do herói.

- Você precisa nos tirar daqui Chat. Agora.

O olhar que ele lançou a pequena joaninha era totalmente vazio.

- Acabou Tikki... não há mais nada o que fazer e eu sinceramente não me importo.

Tikki reuniu o restante das forças que ainda possuía e com dificuldade conseguiu planar até ficar na altura dos olhos do felino. Falou com a voz mais firme que conseguiu.

- Levante-se e tire-nos daqui. Ninguém pode saber quem vocês são. – Ela viu o sofrimento estampado no rosto de Chat, uma dor que ela reconhecia ser a mesma que se instalara em seu coração, suspirou e tocou a bochecha do garoto em um gesto de conforto - Confie em mim Chat. Apenas nos tire daqui.

Ele pareceu despertar com aquele toque. Olhou para todos os lados e agradeceu por não haver aparecido ninguém ainda. Viu Lila começando a se mexer. Ela acordaria a qualquer momento e com certeza haveria alguém para ajudá-la. Não perdeu mais tempo, colocou Tikki em seus ombros e levantou-se com Marinette nos braços. A dor na perna machucada havia sumido. Com certeza os miraculous haviam curado o ferimento, mas por que não haviam curado a sua Mari...? Tentando afastar os pensamentos dolorosos ele buscou forças para ativar o poder de super velocidade e sair logo dali. Com a audição apurada ele ouviu passos que já se aproximavam do jardim recém restaurado. Foi difícil invocar o poder, ele estava emocionalmente abalado, fora de seu equilíbrio, mas o peso que segurava nos braços o impulsionou a continuar. Ele tentou mais uma vez e sentiu o brilho verde inundar-lhe, concentrando-se nos pés. Com um salto enorme ele pulou para fora das dependências do colégio e passou a correr o mais rápido que conseguiu.

Assim que entrou pela janela do seu quarto Adrien desligou a transformação, liberando Plagg. Ele achara melhor irem para sua casa. Ainda não sabia o que deveria fazer, mas seu quarto naquele momento parecia o melhor lugar do mundo para se estar. Deitou Marinette com delicadeza na enorme cama e sentou-se ao lado dela, acariciando o rosto de porcelana e os cabelos negros azulados que agora se encontravam espalhados em seu travesseiro. Ela continuava imóvel, pálida, mas surpreendentemente ainda emanava calor do seu corpo conforme Adrien pôde notar ao carregá-la.

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