27. Incêndio do Rubi

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 Tudo o que Khalil disse rodeava na minha mente. Eu realmente não me importava com essa loucura com o ferro, mas, agora, com as palavras dele, não havia como não questionar sobre mim. Sobre como eu sou. A "Asas de Ferro", como diria Max.

Deixei a tarde, a noite e a manhã seguinte passarem sem muita animação. Por fim, em uma leve caminhada pelos corredores com Viôla, que mais cedo ajudou Helena a colorir meu cabelo, Max surgiu com a estranha agitação de quem estava prestes a incendiar um local.

— Podemos conversar? — ele disse, sugerindo para que minha funcionária nos desse privacidade.

Ela se curvou e saiu. Vi Max no almoço, como sempre, elegante com branco e ouro, assim como eu, que usava um novo vestido curto, cor de vinho como as botas, com mangas de tecido fino até metade do braço e grandes detalhes de ouro por toda parte. Ele estava com alguns machucados, mas não perguntei anteriormente sobre. Anthone, que estava alguns metros de distância com a roupa branca da guarda real, se aproximou para conversarmos. Não havia guardas nos corredores ou funcionários.

— Podemos fazer isso agora, muitos guardas estão treinando. Luka acerta a flecha no local, você o bloqueia e nos encontra no corredor do escritório da rainha, investigamos e saímos antes deles conseguirem arrumar nossa bagunça — Anthone explicou.

— E se a rainha não sair do escritório? Ou não conseguirmos sair? — questionei.

— Ela gosta muito do palácio, não vai deixá-lo queimar. E eu conheço os caminhos para os esconderijos, pode ser uma boa saída — Max disse.

— Certo.

Começamos a correr até a Chama do Rubi, apesar da minha pouca animação. Questionei sobre os machucados com preocupação:

— Você lutou com alguém? Está bem?

— Não se preocupe, eu lutei com alguns guardas ontem para treinar. E você? Está tudo bem? Consegue fazer isso hoje?

— Sim, sim. Consigo.

— Tenho certeza disso. Encontre-nos no corredor do escritório, evite os guardas e qualquer Dama, se falarem algo finja surpresa. E se possível, faça o incêndio começar rápido, com plantas ou vento, por exemplo.

Acenei com a cabeça e seguimos nossos caminhos. Os guardas estavam na porta da minha ala. Por sorte, a guarda real nos ensina mais do que só lutar. Removi um dos brincos de ouro e deixei cair em algumas plantinhas.

— Boa tarde! — disse sorrindo e descendo as escadas.

— Boa tarde, Dama do Fogo — disseram.

Um pouco antes de se moverem para abrir as portas, passei a mão no cabelo, levemente por estar com tinta, e fingi surpresa pelo fato de o brinco ter sumido.

— Oh não!

— O que houve, Dama? — um guarda perguntou.

— Eu perdi meu brinco — disse com uma mão na orelha. — Ele é de ouro, eu não posso perdê-lo! Por favor, me ajudem a achar.

— Sim, Dama.

— Por favor, eu não tenho dinheiro para pagar esse brinco! Eles vão pensar que sou uma ladra! O que vou fazer?

— Fique calma, vamos encontrá-lo. Onde acha que o perdeu?

— Não sei, eu passei a mão no cabelo e percebi que não estava aqui...

— Vamos encontrá-lo.

Eles começaram a procurar pelo chão da escada. Fingi procurar perto da porta, abrindo-a devagar, até ver a flecha de Luka queimando os sofás do local. Fiz como Max pediu, lancei ramos de plantas para ampliar o fogo junto com o bloqueio e fechei a porta.

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