15. Valsun

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Era o dia da luta. O colar de rubi repousava no meu peito conectando-me à natureza. Meu pai explicou que o colar foi um presente que minha mãe deixou guardado como herança e que havia esperado o momento certo para me entregar. Eu fiquei feliz por saber que ela havia pensado no meu futuro, mesmo que eu não soubesse claramente o motivo desse rubi me dar forças, já que não havia diferença entre aquela pequena pedra de rubi e as outras que estavam na loja. O pouco tempo com ele me obrigava a treinar a cada segundo para controlar o meu poder e, principalmente, evitar o que havia acontecido durante o ataque no castelo quando a fúria me cegou. 

Sobre o meu segredo, não tinha certeza se o rubi não mudou o fato do ferro não me afetar. Na nossa casa, como pela maior parte do lado mágico, não tinha um ferro para testar seus poderes. Quanto aos outros poderes um pouco menos secretos que meu pai ensinou enquanto criança, como criar barreiras invisíveis e manter as rosas intactas, eles não foram afetados, mas se fortaleceram e foram ainda mais fáceis de colocar em prática.

 — Scarletty! Chegou algo do correio para você! — gritou meu pai do lado de fora da nossa casa enquanto observava a paisagem externa.

— Eu não fiz nada! — gritei, enquanto tentava equilibrar vários objetos na cozinha com a magia de ar.

— Acho que não, mas são de Max! — ele gritou novamente.

Deixei tudo cair. Barulhos de madeira e outras constituições de objetos, nada de ferro, ecoaram pela casa. Me assustei, mas não queria saber da bagunça. Voei rápido até a entrada, quase esbarrando com meu pai no instante que passei pela porta.

—Cuidado! — ele disse sorrindo e verificando sua perna de madeira — Tome, leia no seu quarto — completou me entregando um bloco de cartas, todas juntas por dois fios dourados e um símbolo real bem no meio.

Não saiu uma palavra da minha boca, apenas fiz o que ele disse. Antes mesmo de me sentar na cama havia arrancado os fios e lido um pedaço rasgado de papel um pouco velho que estava acima das cartas, um bilhete torcendo para a corrida deste dia. Contei um total de dezessete ou dezoito cartas e me questionei o motivo de tantas, então, abri a primeira:

"Eu sei que faz poucos dias que você saiu do palácio, mas estou com saudades. Decidi que irei fazer cartas para você, não sei quantas vou escrever, mas acho que serão poucas... A verdade é que não faço a menor ideia do que escrever, mas é tão estranho o palácio sem você... Sem o Luka nem tanto, as vezes ele era bem chato, apesar de ser uma boa pessoa. Além disso, não espere grandes coisas vindas de mim, o castelo vai ficar muito triste, e essa tristeza já está me atingindo, e a maioria das cartas que escrevi eram formais demais. Sobre o dia de hoje, aprendi as coisas que devo fazer como o novo príncipe, assumi o escritório de meu pai e participei de uma reunião, a coisa mais chata que você pode imaginar, mas achei interessante como é organizado. Kira e Anthone estão assumindo bastante coisa da guarda agora, e acho que Anthone está muito feliz, apesar de estarmos em luto. Espero que você e seu pai estejam bem. Enquanto meu coração pulsar".

Sorri, ele ainda era igual, apesar de ainda estar triste. Então me dei conta de que era a primeira carta que ele escreveu. Será que as palavras em uma carta podiam me dar pistas de como estava a mente de Max? Queria saber como ele estava agora, depois de dois meses, mesmo que eu acreditasse que esse tempo era insuficiente para mudá-lo. Escolhi a última carta para matar a minha curiosidade.

"Mais uma carta... Espero que não se canse de lê-las. O meu dia foi cansativo e entediante como os outros. Queria poder fazer algo divertido para escrever com entusiasmo nesta carta, mas não há nada além de pilhas de livro, papéis, tintas, espadas, organização e responsabilidades. Ah! Posso te contar o que li em um dos livros da biblioteca, um que definitivamente não era nada importante para o reino, estava escrito sobre saudade e a necessidade que aquele que a sente tem de querer algo perto novamente. Espero que esteja mais que claro que sinto saudade de você. São incontáveis os livros que li pensando em o que você estava fazendo com o senhor Elmo Hematita ou como poderíamos lutar mais um pouco na área de treinamento, e espero que meu tio não leia isso ou ele me faria reler um por um para gravar cada frase de cada livro. Se você soubesse o tanto que eu tenho que fazer, fugiria comigo para algum lugar que ninguém em Ellarion conhece. Tenho pena de meu falecido pai ao lembrar-me do tanto de trabalho que ele fazia. Espero que não me ache entediante ou feio se eu ficar de cabelos brancos e um pouco impaciente por causa das tarefas. Novamente, está tarde e precisarei acordar cedo amanhã para refazer tudo o que eu escrevo nessas cartas. Amanhã tentarei novamente convencer o carteiro a enviar estas cartas em segredo, e perdoe-me se chegar um bloco de cartas em sua porta, apenas queria lembrar que ainda há uma fonte de alegria para mim em Ellarion. Enquanto meu coração pulsar".

Espadas e MagiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora