Caída aos braços de Max, respirei fundo e escutei tudo em nossa volta, os gritos de ataque e dor, as espadas caindo no chão, as flechas sendo atiradas, mais gritos, meu coração acelerado, os passos rápidos e confusos daqueles que fugiam pela porta da frente, com ou sem dignidade. Minha cabeça doía. O único segredo que possuía foi revelado para defender meus amigos. O segredo mais obscuro que uma fada poderia possuir: o ferro não era sua fraqueza. O temor pelo julgamento passou quando percebi que Max me abraçava fortemente, era confortável, e parecia estar preocupado mais comigo do que com si próprio. Meu dever era protegê-lo, apenas isso, e não me consumir pelo meu próprio fogo. Era a primeira vez que controlei tamanho poder que vazava como ódio pelos meus atos.
Aos poucos eu tentava abrir meus olhos, mas eles estavam quentes e sensíveis às luzes das luminárias de ouro do castelo. De qualquer forma, ainda era arriscado ficarmos indefesos no chão. Consegui enxergar minha espada com um pouco de sangue largada ao meu lado e, com a mesma sensação de quando observei aquelas armas no armazém, cresceu a certeza de que deveria largá-la. Eu era muito mais forte e machucaria menos pessoas se aquela sensação estranha de fúria retornasse.
— Vai ficar tudo bem — disse Max enquanto colocava meus curtos cabelos atrás de minhas orelhas.
O cuidado permanecia junto com as lutas. O ombro esquerdo de Max estava cortado e o sangue descia pela manga de sua roupa branca. Colocando força no meu joelho para me erguer, pressionei sua ferida fazendo-o rapidamente virar o rosto e suspirar abafando o som de dor.
— Doeu? — perguntei com medo.
— Não. Se recupere. Vamos para enfermaria, os outros estão quase lá.
Um fada chegou para nos proteger enquanto avançávamos à enfermaria, porém se feriu gravemente no meio do caminho e ordenou que o deixássemos para trás. Antes de finalmente chegarmos, tive que lutar com umas duas fadas e Max enfrentou algumas espadas. Os outros dois fadas, um bem machucado persistindo em nos defender, protegeram os corredores junto com Anthone, após Max segurar Luka e Kira se recuperar acertando alguns rebeldes com suas adagas, pegando-as dos feridos e as guardando novamente. Enquanto nos defendiam, eu, Max e Luka fomos à enfermaria. Estava mais escuro que o normal, apenas duas chamas iluminavam a escuridão.
—Scarletty... — Luka suspirou se erguendo e continuou — Tem alguém na enfermaria.
Sinalizei para que ficassem em silêncio e esperassem, Max me olhava preocupado. Parei na parede ao lado da porta de acesso à enfermaria. Analisando com cuidado, vi uma humana vasculhando os armários com rapidez e atenção, levemente trêmula, segurando uma sacola velha em uma das mãos enquanto a outra se concentrava em panos, medicamentos e tantos outros pequenos e grandes objetos.
— O que está fazendo? — perguntei entrando devagar, sem medo de um ataque, afinal, nem armas ela possuía.
Rapidamente ela se virou e, ao me ver, pressionou a sacola contra o seu peito e roupas velhas e se ajoelhou pedindo perdão.
— Por favor, não me machuque, por favor...
— Está tudo bem, apenas me explique o que está fazendo — disse interrompendo sua fala calmamente.
Ela passou a mão no cabelo e rosto, puxando o ar como se ousasse adquirir coragem para confessar, mas acabou sentindo-se inferior, abaixando a cabeça e reprimindo-se.
— Tenho três filhos, dois estão doentes — ela soluçou iniciando um choro —, o outro cuida deles enquanto trabalho, mas ganho pouco — ela fez uma pausa levantando a cabeça que estava escondida entre as mãos e se deparou com meu rosto surpreso e piedoso. — Sou mãe solteira, quando soube do ataque, aproveitei a chance para conseguir algo, eu sinto muito, não me machuque!
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Espadas e Magia
FantasyEm Espadas e Magia, nós, Scarletty e Max, escrevemos como revelamos o passado e mudamos o Reino de Ellarion. A Harmonia é a base da existência dos seres humanos e mágicos de Ellarion. Depois que a Tragédia Real ocorre com a Rainha Cristal durant...
