13. O rubi

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— DESÇAM IMEDIATAMENTE! — os guardas repetiam. — NÃO PODEM PERMANECER! 

— Parece que não vamos nos ver por um tempo. Vou sentir saudade... — Luka timidamente falou, de braços cruzados e com tristeza nos olhos.

— Eu também! — ressaltei.

— Um abraço em grupo? — Kira perguntou com uma face de preocupação.

Nos entreolhamos. Sem palavras, nos aproximamos dela e nos abraçamos. Todos sabíamos o que aquela ordem do guarda significava: o fim de cinco amigos unidos naquele castelo. No tempo de adversidade e desarmonia, as ideias floresciam com espinhos e as ordens atingiam os povos rapidamente. Por isso, apesar dos anos que dediquei à família real, bastava apenas uma ordem para me expulsarem e, depois de tanto, essa ordem chegou. Não acreditava que a minha segunda casa, onde eu cresci com meus amigos e descobri minhas verdadeiras amizades, estava me expulsando por ser uma fada. Eu e Luka não entraríamos novamente naquele castelo até que as desconfianças acabassem e, focando nisso, eu não sentia somente tristeza, mas também coragem e esperança. A única forma de retornarmos seria descobrir a verdade sobre esse ataque e esse era o meu objetivo. Muito em breve eu lutaria para vencer, lutaria pelo meu futuro com eles.

— Nunca se esqueçam de mim... Iremos nos encontrar e restaurar Ellarion — Max avisou enquanto o abraço em grupo era desfeito e apenas poucos toques sobreviviam à necessidade da partida.

— É impossível te esquecer Max — ressaltei — e vamos conseguir.

O silêncio se instalou novamente, mais algumas trocas de olhares eram necessárias, apesar de doloridas.

— Vamos Sky... — Luka disse se afastando e estendendo a mão, encurtando meu nome para não demonstrar dor em suas palavras.

Segurei sua mão e o segui até a varanda onde todos os guardas nos condenaram pelos olhos. Em meio às lágrimas que começavam a descer, apenas me virei, observei Max, dei um singelo sorriso sonhando em encontrá-lo novamente e coloquei uma mão no coração.

— Senhorita Rubi e senhor Staff, peço que desçam imediatamente! — um dos guardas de cargo importante e próximo do Rei Hadrian falou sem usar um tom de julgamento. 

O pai de Luka estava esperando por ele. Não me lembrava muito bem de seu nome, mas sua aparência era idêntica à de Luka, as poucas diferenças eram a pele mais velha, uma pinta próxima ao olho e o rosto um pouco mais largo. De resto, incluindo o corte do cabelo, era idêntico.

Luka desceu e rapidamente se aproximou do pai enquanto eu voei até o chão, provocando alguns dos olhares. Naquele momento percebi que não importava para nenhum deles se eu dei a minha vida para proteger o príncipe deles ou das magias que utilizei para proteger por um tempo as alas importantes do castelo. Eu era uma fada e isso era motivo de desconfiança. 

— Senhor Luka Staff, apesar de seu pai, Henry Staff, ser completamente humano, ele decidiu te acompanhar à saída do palácio — informou outro guarda com superioridade.

— O senhor não pode fazer isso, precisamos que você trabalhe, pai — Luka sussurrou. Apesar do pai não se importar, ele certamente iria insistir para que alguém continuasse trabalhando, afinal o dinheiro era importante e não havia outro trabalho para quem viveu a vida toda com armas em mãos. Não pude saber a decisão dele depois disso.

—  E senhorita Scarletty, como a senhorita é uma...

— Eu compreendi — disse interrompendo-o.

— Sinto muito em te informar isso — ele disse, sem uma atuação sequer ou abaixando os olhos. Não havia piedade em suas palavras. Era apenas ódio e hierarquia.

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