9. Entre o mar e a terra

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Kira me falava muitas vezes sobre a incrível beleza de seu reino Akanke, assim como reclamava sobre seus afazeres de rainha, mas era algo além de minha imaginação. A diversidade de características nas sereias e tritões era lindo de se ver, seus rostos continham uma beleza única, as luzes coloridas que irradiavam deles e de cada ponto do reino eram fantásticas.

Passávamos em cima de uma passarela aparentemente centralizada no reino, de fato não tocávamos nela por estarmos nadando, mas, apesar disso, ela estava lá nos dando uma belíssima recepção e nos levando ao lugar no qual por muito tempo desejei conhecer: o palácio de Akanke. Muitos nos observavam, falavam uns com os outros, aplaudiam ou acenavam, muitas reações que, em meio a tamanha beleza das construções e dos seres, Kira gentilmente respondia com sorrisos e acenos. 

Durante o caos da terra, éramos recebidos com sorrisos no fundo do mar. Enquanto o sangue escorria, estávamos maravilhados com a água que não nos afogava. Em meio a um mistério que surgia na superfície, outro era desvendado no oceano. 

— Isso somente ela poderá te informar — Mélia surgiu ao nosso lado como uma ótima observadora e respondeu à pergunta de Max. Era incrível como os traços de Mélia traziam suavidade às cores de sua cauda e cabelo, concordaria com Max em dizer que ela poderia ser a rainha.

Max se calou diante da resposta e distanciou-se levemente para conversar com Anthone, era tão estranho vê-los sem roupas humanas, com aquelas belas e coloridas caudas e o cabelo flutuando. Mélia ainda nos vigiava, então prossegui pela passarela observando Kira, orgulhosa de vê-la como uma boa rainha e tão bela. Quanto mais próximo chegávamos ao Castelo de Akanke era possível avistar mais e mais guardas. Não havia exatamente um uniforme real, mas todos eles apresentavam a mesma faixa que Anthone possuía na cauda.

— Venha Scarletty! Quero te mostrar algo. Mélia, leve os meninos aos seus aposentos — gritou Kira alguns metros acima de nós, ainda gentilmente respondendo ao seu povo.

— Sim rainha! — respondeu Mélia com voz firme. Ela era alguns anos mais velha que nós, mas tinha a beleza da juventude na pele.

Nadei com um pouco de dificuldade até alcançar Kira.

— Teremos uma recepção para vocês — ela disse animada depois de falar com dois tritões —, comidas do mar, algas, pérolas e seres marinhos, tudo incluído — notei que seus olhos azuis faziam jus ao cabelo azulado nas pontas. Notei também que ela não teve medo de contar seu segredo, nem estava brava com meu pedido, mas muito animada para mostrar quem realmente era.

— Quanto tempo acha que ficaremos aqui? — era fantástico tudo e a diversão era chamativa, mas não podíamos esquecer que estávamos fugindo da luta e que haviam pessoas esperando por nós. Lembrei de meu pai, ele estava garimpando em algum lugar do lado mágico. Ele teve que perder a festa de Max por causa do trabalho, mas enviou felicidades para ele.

— Darei um dia para vocês, será bom para Luka, que está ferido, e Max. Temos aposentos e diversão por aqui e — ela parou e abaixou o volume de sua voz — se o Rei e Malkiur estiverem mortos, procurarão por Max, vivo, morto ou com a intenção de matá-lo — ela ressaltou as últimas palavras pausadamente.

— Acha que estão mortos? — voltei minha preocupação ao Rei e Malkiur para não pensar no que poderia acontecer com Max.

— Enviarei uma sereia e um tritão para trazer informações, porém, se a luta ainda estiver acontecendo, não arriscarei suas vidas — ela dizia em um tom de "sinto muito".

— Entendo... — ainda pensava em tudo que havia acontecido, não que nunca houvesse guerra ou briga em Ellarion, mas era estranho estar vivendo tudo isso e não simplesmente lendo um livro de histórias imaginando como tudo iria acabar.

Espadas e MagiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora