5. O início

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Naquele dia, depois que conheci Max, minha vida mudou completamente. 

Um tempo depois descobri que ele realmente era o príncipe dos humanos, ele não estava louco ou alucinando de fome e, por sorte ou destino, com ele na minha vida, acabei indo diversas vezes ao Palácio Humano. Ele realmente cumpriu a promessa que fez como minha recompensa e por fim nos tornamos amigos, enquanto os nossos corações pulssassem.

Na floresta, a gente se divertia como sempre, correndo, observando as cores dos seres, subindo em árvores e brincando de várias coisas, sempre protegidos por guardas que se escondiam entre as árvores, mas que Max nunca se importava ou percebia. No Palácio, as coisas eram muito diferentes. Max me levava até a casa enorme que ficava em uma árvore, tentava me convencer a usar roupas dos ateliês, onde as costureiras produziam vestes incríveis, ficávamos dançando no salão, íamos até a galeria real, a biblioteca oficial e a área de música no quarto andar, ficávamos brincando nas torres enquanto conseguíamos observar o enorme reino dos humanos, escutávamos os médicos da enfermaria que ficava no primeiro andar pedindo para tomar cuidado, e tantas outras coisas das quais nem me lembro. 

A medida que os anos se passavam nossa amizade crescia e outros amigos entraram em nossa vida como Anthone Schubert e Luka Staff, do reino humano, e Kira Beles, do reino das fadas. Kira era corajosa, adorava adagas e cantar com sua bela voz. Ela se tornou a minha melhor amiga, visto que as outras que tive foi na escola. Luka era meio tímido, ótimo com arco e flecha e era telepata, mas ele sempre mantinha a privacidade das pessoas. Anthone era engraçado e tinha grande habilidade com espadas, acabou se tornando o melhor amigo de Max.

Cerca de nove anos se passaram e as personalidades e brincadeiras de crianças se foram. Eu que era tão forte em minhas ações na floresta, com meu pai e  Max, perdi toda a firmeza. A convivência com humanos, principalmente guardas, me proporcionou essa nova Scarletty, madura e mais cautelosa na fala, mas ainda mais forte. Algo havia mudado em mim, os meus poderes estavam amadurecidos e o treinamento avançado que meu pai me deu, afinal, não foi inútil. Eu aprendi magias que poucas fadas teriam capacidade de realizar e descobri algo em mim que apenas manter o segredo me manteria segurança. 

No entanto, Max, que era tão frágil, com o tempo se tornou mais forte, inteligente e habilidoso, diferente do menino que ficava paralizado diante do perigo ou que vivia relaxado no castelo. Eu conhecia todos os seus segredos, mesmo que ele não pudesse saber dos meus. E no ano em que eu, Kira e Max completamos dezenove anos, ocorreu uma enorme festa para Max.

Em todas as festas, tudo era minimamente planejado. Passamos praticamente o dia inteiro escolhendo roupas enquanto os trabalhadores do castelo faziam suas tarefas e deixando o castelo de ouro ainda mais magnífico.

— Esbarrei com Max e adivinha? — Kira dizia animada entrando apressadamente no ateliê que estava reservado apenas para nós duas — Ele disse que pode ousar na roupa e aparecer como uma rainha! — ela dizia ressaltando as palavras enquanto dançava com tecidos.

Eu duvidei dessas palavras, Kira tinha a personalidade mais animada de Ellarion.

— Se eu aparecer assim o Rei e o senhor Malkiur irão me expulsar. Sabe como o vermelho é chamativo.

— Fazer o que se você nasceu para chamar atenção — ela dizia segurando jóias e acessórios, provavelmente mais caros que minha própria vida.

— Acho que você quem deveria ter nascido com asas de borboletas vermelhas.

— No meu caso seriam azuis! — ela dizia rindo — Além disso, a cor da sua asa influencia seu poder?

— Não, é só uma representação de mim. O rubi que ajuda o meu poder, mas ainda não me conectei, você sabe. E eu não faço a menor ideia de como vermelho pode ser eu.

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